Barbara Pravi
Fotografia: EBU / Andres Putting

Eurovisão. Em caso de eliminação italiana, Barbara Pravi “nunca teria aceitado o primeiro lugar”

Depois da União Europeia de Radiodifusão desmentir as acusações de consumo de drogas pelos vencedores Måneskin, a segunda classificada, Barbara Pravi, garantiu que não aceitaria o troféu em caso de desqualificação italiana.

Terminada a edição de 2021 da maior competição de música do mundo, os vencedores eram já notícia por razões alheias ao triunfo em Roterdão. O vocalista Damiano David foi acusado de consumir drogas durante a gala, ao mesmo tempo que a desqualificação surgia como uma possibilidade até à apuração dos factos, que foram negados. Caso se tivessem comprovado, não seria França a vencedora.

“Tenho a impressão de que a polémica não está necessariamente inerente à Eurovisão, mas a qualquer um que se torne figura pública. Não entendo este truque de querer irritar o mundo”, afirmou a cantora francesa em entrevista ao site belga Sudinfo.be. “Quando vi a polémica, disse a mim mesma que era muito triste. Os italianos não pediram nada, nem eu”, continuou.

Barbara Pravi garantiu que, apesar da controvérsia, e em caso de desqualificação dos Måneskin, enquanto herdeira direta do troféu, não o aceitaria. “Se eles tivessem sido desqualificados, eu nunca teria aceitado o primeiro lugar. Eles foram eleitos pelo público, são extremamente conhecidos, o que eles fazem é muito porreiro, então é normal eles terem ganho”, vincou a intérprete de ‘Voilà’.

Itália na Eurovisão 2014 vs 2021: “É claro que há sexismo”

Depois da vitória em Roterdão, os vencedores italianos tornaram-se num fenómeno europeu, tendo chegado ao mercado norte-americano e global por força da rede social TikTok e de plataformas de música como o Spotify. Mesmo assim, vêm-se obrigados a clarificar, desmentir ou a comentar declarações. Para lá das acusações falsas de consumo de drogas e da mais recente acusação de plágio, os Måneskin comentaram as palavras da representante italiana em 2014, Emma Marrone.

Em entrevista ao jornal Il Corriere della Sera, a cantora, que também levou uma canção rock ao festival, apontou diferenças na forma como foi tratada, em comparação com Damiano David. Em vez de ser apoiada por ter levado uma canção rock como ‘La mia cittá’, uma atitude que não é a de uma cantora italiana clássica que se foca na voz ou feminidade, eu fui massacrada: só falavam dos shorts dourados que apareceram debaixo do vestido e sobre os meus movimentos”, explicou. “Agora que o Damiano dos Måneskin aparece sem camisa e em saltos altos, isso é ok: é claro que aí há sexismo”, garantiu, para explicar o 21.º lugar, o pior de Itália na última década: “Não dei entrevistas com países homofóbicos e racistas e não recebi votos deles”.

O vocalista dos Måneskin reagiu às declarações, afirmando que: “como homem privilegiado que sou, o assédio que sofro não é comparável ao que é experienciado por uma mulher. Os comentários sobre a minha estética focam-se só na minha estética e não insinuam nada sobre o meu profissionalismo e a minha competência, enquanto que as mulheres são vítimas deste tipo de pensamento numa maneira sistémica”.

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Damiano David aproveitou para partilhar igualmente uma situação de assédio que experienciou. “Acabei por me encontrar do nada com alguém que me puxou para si para uma selfie, e começou a lamber a minha cara… mas o que é que tu queres, perguntaste-me? O consenso existe e é obrigatório”, respondeu.

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