Anthony Ramos e Melissa Barrera em 'In The Heights'

Crítica. ‘In The Heights’ é um regresso estrondoso aos cinemas

Depois do sucesso de Crazy Rich Asians, Jon M. Chu chega-nos com mais um filme às salas de cinema portuguesas e mundiais. É In The Heights, um musical idealizado e concebido por Lin Manuel Miranda nos palcos da Broadway e que, agora, é trazido para o grande ecrã cheio de esplendor e energia, tal como já tinha acontecido com Hamilton, ainda que de uma maneira diferente.

Em tempos difíceis e complicados como os que vivemos hoje em dia, filmes como In The Heights aparecem como uma lufada de ar fresco, tal e qual um copo de limonada num dia de calor aterrador.  Começando e dizendo logo ao que vem, os primeiros 10 minutos de filme são um espetáculo de cor, alegria e dança hipnotizante, e que acabam por servir como apresentação das várias personagens que vamos acompanhando nas quase duas horas e meia de filme.

A personagem principal é Usnavi, interpretada por um Anthony Ramos que carrega tanto talento que só surpreende como é que ainda não está nas bocas de todo o mundo. Ele é dominicano e proprietário de uma loja relativamente pequena no bairro de Washington Heights, um sítio que vive à base de música. Usnavi é apaixonado por Vanessa, uma cabeleireira que sonha ser modelo, e tem uma grande afeição pela avó Cláudia, uma mulher que não podia ter filhos e acabou por tornar-se numa figura maternal para todas as crianças – agora adultos – daquele bairro. 

Pelo meio desses primeiros 10 minutos, uma das melhores primeiras cenas em cinema recente, ainda vemos Kevin Rosário, o dono da empresa dos táxis lá do sítio, e pai de Nina, considerada a mulher com mais potencial em todo o bairro, estando mesmo a estudar em Stanford, e que tem um romance à beira de acontecer com Benny, que trabalha com o pai dela. E ainda existem as senhoras do salão de Heights, que trabalham com Vanessa. 

Anthony Ramos e Melissa Barrera em ‘In The Heights’

Tudo isto parece complicado e confuso mas, acreditem, não é. A história é sempre apresentada com uma simplicidade surpreendente, nunca dando azo a que exista confusão. A premissa principal do filme reside no sonho de Usnavi, que pretende mudar-se de Heights para a República Dominicana para voltar a dar vida ao negócio do seu falecido pai. 

É esta a história que vamos acompanhando no meio da exuberância que nos vai sendo mostrada, indo de uma rotina de dança impressionante para uma ainda melhor logo a seguir, sem ter muito tempo para respirar mas, se formos a ser sinceros, nem precisamos. É divertimento puro. 

Partilhando muita coisa com West Side Story (que terá um remake a ser estreado no final do ano), In The Heights é um retorno ruidoso dos cinemas, fazendo toda a gente bater o pé em uníssono ou jorrar lágrimas de alegria, lembrando tempos em que os ajuntamentos sociais e as festas eram o prato do dia. 

Uma palavra tem que ser dada a Jon M. Chu que, depois de ter passado vários anos num deserto criativo, realizou Crazy Rich Asians, um daqueles filmes que ninguém esperava que fosse bom, e agora tem o seu dedo em In The Heights, uma película que só peca por ser demasiado longa. Claro que a influência de Lin Manuel Miranda, o génio por detrás da criação em termos de escrita e composição de In The Heights, é notória (até pelo tamanho do filme) mas existe claramente um realizador apaixonado pelo material, algo visível em todos os frames do filme. 

No que toca à departamento dos atores, toda a gente aparece impecável, com uma menção mais que honrosa para Anthony Ramos, um nome à espera de explodir, mas nunca esquecendo toda a gente que o acompanhou, como Corey Hawkins, Jimmy Smits, Melissa Barrera e Leslie Grace, que não se deixaram intimidar pela atuação da nossa personagem principal. 

In The Heights era tudo o que precisávamos neste ponto das nossas vidas e, ainda que possa ter algumas falhas em termos de escrita, é preferível ignorar isso e virar as nossas atenções totais para o divertimento, cor e alegria presentes no filme. Merece ser visto no maior ecrã possível e, já que está em várias salas de cinemas nacionais, não se esqueçam de apoiar essa indústria que tem sofrido tanto.