Dia Mundial da Criança
Fotografias: RTP Arquivo, SIC/D.R., TVI/D.R.

Dia Mundial da Criança. 15 programas infantis inesquecíveis que marcaram gerações

São marcos da história da televisão portuguesa e também das nossas memórias. Ao longo das últimas décadas, desde que surgiram os primeiros formatos nos anos 60, foram vários os programas de televisão infantis que fizeram companhia a todas as crianças, com caras ainda hoje conhecidas a animar as manhãs ou as tardes entre sketches, brincadeiras e episódios das séries de desenhos animados mais queridas de sempre.

Neste Dia Mundial da Criança (1 de junho), o Espalha-Factos faz uma viagem pelo doce caminho das memórias para recordar 15 programas infantis portugueses que se tornaram inesquecíveis e marcaram a infância de várias gerações. Jovens adultos ou os mais crescidos, é hora de recordar os bons velhos tempos.

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‘O Fungagá da Bicharada’ (1976) – RTP1

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Júlio Isidro era o apresentador de ‘O Fungagá da Bicharada’ (1976) | Fotografia: Recorte da capa de um dos discos de vinil da banda sonora original do programa / D.R.

A programação infantil de produção própria e em língua portuguesa inicia-se no primeiro canal em 1963, com a transmissão de programas apresentados por figuras como Maria João Avillez e espaços como Mãos à Obra ou o Clube Juvenil.

Depois do sucesso do também memorável Cinema de Animação, com Vasco Granja, em 1976 estreia um dos formatos de maior sucesso da televisão portuguesa. O Fungagá da Bicharada, apresentado por Júlio Isidro e com participação José Barata-Moura, tornou-se um fenómeno, muito pelos temas musicais da autoria do segundo e que ainda hoje são reconhecidos por todos. ‘Joana Come a Papa ou a canção com o nome do programa tornaram-se clássicos infantis, dando origem a uma banda sonora com voz de Cândida Branca Flor.

‘Rua Sésamo’ (1989-1996) – RTP1

Vem brincar, traz um amigo teu… Assim começava o genérico da adaptação portuguesa da série infantil norte-americana Sesame Street. A versão nacional foi exibida pela RTP, que preparou um estúdio como se de uma rua real se tratasse. Aí viviam personagens como a Guiomar, interpretada por Alexandra Lencastre. A aposta tinha um intuito pedagógico, ensinando através de atividades e canções, e permanece até hoje como um dos mais recordados programas infantis portugueses.

‘Clube dos Amigos Disney’ (1986-1989) / ‘Clube Disney’ (1991-2001) – RTP1

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Júlio Isidro no ‘Clube dos Amigos Disney’ (1986) e Carla Salgueiro no ‘Clube Disney’ (1991) | Fotografias: Reprodução/D.R.

Em 1986, estreava na RTP a primeira versão de uma ideia marcante, que já teve diversas vidas. Apresentado por Júlio Isidro e Manuela de Sousa Rama, o Clube dos Amigos Disney ia para o ar nas tardes de domingo com momentos de animação e a transmissão de séries de desenhos animados da produtora norte-americana. Um formato inovador na Europa, tornou Júlio Isidro no diretor criativo da Disney para o continente e chegou a ser exportado para territórios como a Grécia.

Fruto de uma parceria, inédita para a época, entre a RTP e a Walt Disney Company, em 1991 inicia-se uma nova versão do programa. O Clube Disney tinha novos apresentadores, mais jovens, e abordava temas relevantes para as crianças entre episódios de animações, filmes, reportagens e jogos com crianças vindas de todo o país, em direto e pelo telefone. Pelo elenco passaram diferentes caras ao longo dos anos, entre as quais se destacam Vítor EmanuelCarla SalgueiroAnabela Brígida ou Pedro Penim. Mais tarde, em 2001, é apresentado um novo trio: Sílvia AlbertoJosé Fidalgo e Alexandre Personne.

‘Caderno Diário’ (1989-2001) – RTP1 e RTP2

Um formato já tradicional na antena pública, ainda hoje com novas versões, o telejornal para os mais novos nasceu em 1989 com o Caderno Diário, sucessor do programa informativo e lúdico Jornalinho (1984-1987). A ideia é simples: apresentar notícias e temas relevantes literalmente trocados por miúdos, com peças e reportagens para crianças até aos 14 anos.

Vários rostos conhecidos da televisão apresentaram este formato ao longo da última década do século passado, entre os quais Rita Ferro RodriguesPedro Mourinho, atualmente pivô na TVI. Passaram também pelo programa Margarida Pinto Correia, Pedro Pinto, Sérgio Siqueira, Gaspar Borges, Rita Fernandes e Sílvia Alves.

‘A Casa do Tio Carlos’ (1993-1994) – TVI

Carlos Alberto Moniz foi o anfitrião de A Casa do Tio Carlos, o primeiro programa infantil da TVI. Estreado em 1993, tinha como cenário uma pequena casa (antes que as casas viessem servir de cenário aos programas da manhã), onde várias crianças se juntavam para ouvir histórias, cantar músicas e conversar sobre temas importantes para os mais novos. Durante os 17 meses de exibição, foi considerado um dos programas infantis mais queridos do público infantil.

‘Um-Dó-Li-Tá’ (1993-1998) – RTP1 e RTP2

Um dos mais recordados blocos infantis da estação pública, Um-Dó-Li-Tá mostrava desenhos animados estrangeiros e as produções da casa – a Rua Sésamo chegou a ser exibida neste bloco. Vera Roquette e Francisco Barbosa foram os apresentadores originais do programa, que depois acabaram por ser substituídos pelas molas animadas Um-DóLitá e, depois, pelas marionetas HumHum e Benzé.

‘Buereré’ e ‘Super Buereré’ (1994-2002) – SIC

Ana Malhoa era a apresentadora de ‘Buereré’, na SIC | Fotografia: SIC/D.R.

Talvez um dos formatos mais icónicos da SIC e da televisão, o Buereré tem história e histórias. Inicialmente apenas um bloco para desenhos animados, em 1994 muda e passa a ser apresentado por Ana Marques, apresentadora que ainda hoje se mantém no canal. Aos domingos, o programa passou a incluir desafios entre crianças vindas de várias escolas do país e, no final, a equipa vencedora podia escolher um videoclipe para ser exibido. O bloco de animações começa, também, a surgir nas tardes de segunda a sexta-feira.

De 1995 para 1996, com o sucesso do Big Show SIC, a estação decide transformar o Buereré na sua versão para os mais pequenos. O brasileiro Ediberto Lima foi chamado para renovar o formato, inspirado em sucessos brasileiros como o Xou da Xuxa, que passa a contar com a apresentação de Ana Malhoa num Super Buereré que juntava música, jogos, episódios de séries e brincadeiras de vários personagens – Melzinho, Sapo Filipe, Croko, Boi Ré-ré, Vaca Ré-ré, Príncipe, Anetes e as Mini Anetes. Durante a semana, Ana Malhoa e os bonecos apresentavam a versão diária, mais reduzida, do bloco de animações.

O último programa apresentado pela artista foi para o ar a 27 de dezembro de 1998. O formato regressa, depois, à versão inicial, passando a ser apenas um espaço de desenhos animados, que termina em 2002. O programa deu origem a merchandise de todo o tipo, desde roupa a peluches, além de vários CDs com os conhecidos temas. Afinal, quem não se lembra da letra “sabes que começou no a, a, a, a / e a seguir vem o e…”?

‘Hugo’ (1996-2001) – RTP1 e RTP2

O conhecido personagem de videojogos Hugo começou por ser o protagonista de um programa de televisão infantil de sucesso, cujo formato interativo, criado na Dinamarca, foi adaptado em mais de 40 países. A versão portuguesa, originalmente apresentada por Pedro PintoAlexandra “Xana” Cruz, estreou na RTP2 em 1997. Devido ao sucesso, surge renovado em 1999 para a antena da RTP1, com Fernando MartinsJoana Seixas.

No programa, transmitido em direto, as crianças ligavam para o estúdio para controlar as ações do troll Hugo, cuja é raptada pela bruxa Maldiva. Hugo tem de chegar à Caverna das Caveiras para salvá-los e as crianças, para superar o desafio, tinham de estar atentas. Se cumprissem o jogo, podiam ganhar prémios. Mas tarde, as crianças e os apresentadores passaram também a “conversar” com o personagem.

A versão original termina em 2000 mas são produzidas outras duas nos meses seguintes: Hora H – Hugo e os amigos, em 2000, e Hugo, o Regresso – apresentada por Susana Bento Ramos -, em 2001.

‘Jardim da Celeste’ (1997-2000) – RTP1

Fotografia: Arquivo RTP

Ana Brito e Cunha era a Celeste e o seu jardim tem muitas memórias guardadas. O Jardim da Celeste teve duas temporadas com 90 episódios cada, onde ensinava e divertia crianças em idade pré-escolar. Além do cão Sócrates, bonecos, marionetas e desenhos animados faziam parte deste mundo, onde ensinavam as crianças Gaspar, Beatriz, Olívia, Xavier, Ernesto e Carolina a cantar temas musicais e a aprender coisas novas.

Os textos educativos dos bonecos eram interpretados por atores como Heitor Lourenço, Jorge Sequeira, Rui Paulo, Carla de Sá ou Paulo Oom, dirigidos por António Feio.

‘Batatoon’ (1998-2006)TVI

Batatoon
Fotografia: D.R.

Comando na mão, carrega no botão! Criado em 1998, Batatoon juntava um apresentador principal, o palhaço Batatinha, ao parceiro Companhia. Os dois faziam várias brincadeiras, com Companhia a destabilizar o ambiente para puxar risos das crianças na plateia e tornar o programa enérgico e divertido. Tornando-se um sucesso, era transmitido em direto, com uma plateia infantil que participava em vários passatempos.

O formato terminou em 2002, alegadamente devido a um desentendimento entre os dois palhaços protagonistas, regressando, por alguns meses, em 2006, com uma nova formulação e sem Companhia. Recordado ainda hoje por toda uma geração de (na altura) pequenos telespetadores, o sucesso de Batatoon espelhou-se nas vendas de discos, revistas e todo o tipo de produtos de merchandising com os palhaços do programa que marcaram uma geração.

‘Dá-lhe Gás’ (1999-2006) – SIC

3, 2,1… dá-lhe gás! A adrenalina e os desportos radicais eram o mote deste programa da SIC, que animou as férias de verão durante sete anos. Dá-lhe Gás juntava jogos e música e percorria o país à procura de crianças e jovens de várias escolas para competir no estúdio do programa. O formato, que teve mais de 100 programas, era inicialmente apresentado por Jorge Gabriel com Raquel PratesCatarina Pereira. Numa segunda fase, de 2004 a 2006, Diogo Morgado assumiu a apresentação com conjunto com Raquel StradaJoana Oliveira.

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‘Zip Zap’ (1999-2001) – SIC

As manhãs de fim de semana da SIC entre 1999 e 2001 foram preenchidas com o Zip Zap. Num formato aproximado a outros programas de anos anteriores, tinha em estúdio momentos de música, jogos e blocos de desenhos animados transmitidos entre estes segmentos. A diferença estava nas apresentadoras: as zips, como eram chamadas, eram 24 e apareciam cinco em cada um dos episódios, onde introduziam as atividades e cantavam músicas originais que foram depois compiladas em vários CDs.

O formato chegou a passar, depois, pela RTP1, com o nome Clube ZIP durante a semana e Mega ZIP na edição de fim de semana.

‘Art Attack’ (2002-2014) – Disney Channel

Ainda hoje não temos a cola branca especial para fazer as engenhocas com papel e outros elementos do dia a dia, mas era sempre divertido ver. A adaptação portuguesa de Art Attack, programa de sucesso internacional, estreou em setembro de 2002 no Disney Channel português, canal lançado no ano ano anterior. Entre 2002 e 2011, Pedro Penim (vindo do Clube Disney, na RTP) apresenta as obras de arte com o Cabeçudo e o Mãozinhas. A partir de 2011, Salvador Nery apresenta as últimas temporadas do programa, que terminou a transmissão original em 2014.

‘Disney Kids’ (2002-2015) – SIC

Francisco Garcia e Carolina Patrocínio foram uma das duplas de apresentadores do ‘Disney Kids’ | Fotografia: D.R.

Depois dos formatos na RTP, a SIC passa a ser a parceira nacional da Disney. A partir de 2002, estreia o Disney Kids, bloco nas manhãs de fim de semana que mostrava a todos os que não tinham acesso ao Disney Channel, durante vários anos um canal pago, episódios das séries de animação e live-action do canal – como RecreioAs Visões da RavenHotel Doce Hotel: As Aventuras de Zack & Cody, A Nova Escola do Imperador, Phineas e Ferb ou Os Feiticeiros de Waverly Place, entre muitas outras – com vários espaços de diversão pelo meio.

Durante os anos em que esteve no ar, teve várias duplas de apresentadores, que deram a conhecer alguns rostos que ainda hoje se mantêm no cenário televisivo português: Ivo Évora e Sara Jorge (2001-2002); Cláudia Borges e Fernando Martins (2002-2004); Francisco Garcia e Carolina Patrocínio (2004-2008); e Catarina Mira e João Paulo Sousa (2008-2011). Depois de três anos já sem apresentadores, o formato terminou em 2015.

‘Lucy’ (2008-2009) – SIC

Para capitalizar o sucesso e o público de Floribella, a SIC apostou, em 2008, em Lucy, um programa conduzido pela protagonista da telenovela infantil, que ocupava as manhãs de fim de semana da estação. Nas várias emissões, Luciana Abreu interpretava músicas originais, para além de dar voz a outros êxitos nacionais e internacionais do momento. Além de passatempos, jogos, experiências loucas e momentos de dança e outras diversões, o formato tinha também uma componente solidária, ajudando jovens com alguma dificuldade específica.

Artigo coordenado por Tiago Serra Cunha com a colaboração de Bernardo Ferreira e Débora Felicidade.
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