The Black Mamba no final do concerto na Super Bock Arena.

The Black Mamba. A receção calorosa do Porto aos representantes eurovisivos

Os The Black Mamba regressaram aos palcos, em Portugal, depois da passagem por Roterdão e a Eurovisão 2021. Os representantes portugueses no certame europeu atuaram esta sexta-feira na Super Bock Arena, no Porto.

No âmbito do programa 20 20 Cultura para todos, que está a organizar concertos tanto em Lisboa como no Porto, os The Black Mamba foram recebidos calorosamente por uma casa quase cheia (para os níveis pandémicos).

Passava cerca de quarto de hora do início marcado, quando se fez ouvir a faixa introdutória da banda. As luzes apagaram-se e o público da Invicta soltou o primeiro aplauso da noite, ainda antes dos artistas entrarem em palco.

Os primeiros acordes da guitarra de Tatanka introduziram ‘Blood Diamond’, uma canção que conseguiu logo um momento de sintonia entre banda e audiência. A arena batia palmas em uníssono ao ritmo da música, sem qualquer tipo de indicação.

Grande parte da plateia já estava sentada, nos lugares divididos dois a dois, mas ainda havia alguns espetadores atrasados. “Sentem-se, sentem-se”, dizia o vocalista dos The Black Mamba, ao estilo de um mestre de cerimónias.

O espetáculo continuou com “Money Back” “Rock Me Baby”. Esta última proporcionou um solo de guitarra arrepiante de Tatanka, muito aplaudido pelo público. “É um prazer receber este calor!”, agradecia o frontman da banda.

A seguir os ânimos abrandaram com ‘It Ain’t You’. Pelo meio, o vocalista dos The Black Mamba incluiu um repto de luta pela igualdade, apoiado por palmas eufóricas.

Tatanka, vocalista e guitarrista dos The Black Mamba.

Apesar de se tratarem de lugares sentados, nem todos conseguiram resistir à adrenalina de canções como ‘Stronger’‘Believe’. Alguns elementos da plateia dançavam de pé, sem perturbar outros ou deixar de cumprir o distanciamento social. “Vocês gostam de viola, porra!”, observava Tatanka.

De seguida, veio um dos momentos mais especiais da noite. O baterista e amigo da banda, Hugo Danin, fazia anos e os The Black Mamba celebraram o seu aniversário em palco. Por uma música, Danin substituiu o baterista Miguel Casais e recebeu uma ovação enorme.

“Quero agradecer a possibilidade de estar aqui em cima. Sou músico há mais de 20 anos e estamos a passar a pior fase de sempre. É aqui que estou habituado a estar é aqui que gosto de estar. E estou aqui!”, afirmou o aniversariante.

De resto, esse foi um dos motes da noite: a Cultura é segura e os artistas estão “há muito tempo fechados sem poderem fazer o que mais gostam”, admitia Tatanka. O vocalista e guitarrista fez ainda uma menção especial aos técnicos e a equipa que trabalha num espetáculo musical, por serem “uma das indústrias mais afetadas” pela pandemia.

A balada ‘Still I Am Alive’ encheu a arena de lanternas de telemóvel e levou os presentes a cantarem o refrão em uníssono com a banda. ‘Yester Lovers’ fechou o alinhamento principal e os The Black Mamba receberam um forte aplauso.

Mas o público queria mais. Os espetadores que se encontravam nas bancadas móveis do recinto começaram a bater rapidamente com os pés, quase como um terramoto de carinho a exigir que a banda voltasse para mais. Assim foi.

Os artistas regressaram ao palco vestidos a rigor com adereços e perucas para recriar em palco o mais recente single‘Crazy Nando’. A narrativa divertida do videoclipe com um orçamento de “65 euros mais iva” foi teatralizada ao vivo, sem nunca perder o ritmo viciante dos instrumentos.

Para terminar, não havia outra alternativa. A canção que levou os The Black Mamba “na grande aventura” eurovisiva“deu uma família” que a banda nem sabia que tinha. Love Is On My Side’ soou ainda melhor ao vivo e contou com o carinho, as vozes e as lanternas da audiência.

Já sem instrumentos a tocar, só a voz de Tatanka e as do público entoavam o refrão, para terminar uma linda noite de música na Invicta, da melhor forma.

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