Fotografia: Divulgação

À Escuta. The Black Mamba, Linda Martini e Pedro de Tróia são os destaques desta semana

À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos sobre música portuguesa, está de regresso, como sempre, aos sábados. Numa semana recheada de singles, o destaque é dado à nova faixa dos The Black Mamba, que disputam este sábado a final do Festival Eurovisão da Canção, ao novo single dos Linda Martini e à nova cantiga de Pedro de Tróia.

Há ainda espaço para falar do novo disco de originais de Sean Riley & The Slowriders, do EP de estreia de EU.CLIDES e de novas faixas de BrisaCelsoCosmic Mass, GPU Panic, KICU, Joana Espadinha, The Miami Flu e Vaarwell, e das colaborações entre Tekilla e Papillon e de Dela Marmy com Sonic Boom.

The Black Mamba fazem-nos regressar aos anos 70 com as grooves de ‘Crazy Nando

Os The Black Mamba, que sobem, este sábado, ao palco da final do Festival Eurovisão da Canção, aproveitaram a sua estadia em Roterdão para gravar o videoclipe do seu novo tema, Crazy Nando. De acordo com a banda, esta sua nova faixa é uma “é uma paródia acerca de um estereótipo do casanova, aquele homem por quem todas as mulheres suspiram e desmaiam só de ouvir o seu nome. Claro que quem vai à guerra, dá e leva, e Nando volta e meia mete-se em sérios sarilhos”.

A sonoridade de ‘Crazy Nando‘ abraça a soul e o funk dos anos 70, sendo povoada por grooves que ecoam coolness. Tananka faz a sua melhor impressão enquanto vocalista, conseguindo abraçar duas personas quase distintas aqui. Por um lado, temos Tananka, o vocalista extremamente dotado, e por outro lado, temos o narrador Crazy Nando, que vai contando as suas peripécias ao ouvinte, aumentado os toques de paródia que a faixa atinge.

O instrumental é muito bem conseguido, e se as grooves de baixo e bateria não fossem o suficientes para nos agarrar, as guitarras vão-nos capturando a imaginação, embelezadas por teclas que parecem saídas diretamente de um clube de jazz dos anos 70. Esta faixa é, sem dúvida, uma das melhores composições que os The Black Mamba já lançaram.

Linda Martini explora a ‘Taxonomia‘ das coisas inanimadas no seu novo single

Taxonomia é o nome da nova música dos Linda Martini. É o terceiro single lançado pela banda lisboeta este ano, depois de ‘Horário de Verão‘ e ‘E Não Sobrou Ninguém‘. A faixa conta com produção da banda e de Santi Garcia.

Sobre esta sua nova faixa, uma faixa fortemente influenciada pelos meses de confinamento, a banda indica o seguinte: “Depois de tanto tempo em casa, dedicámo-nos à taxonomia das coisas inanimadas. Atribuímos um domínio às paredes, um reino às cadeiras, uma classe ao sofá, uma ordem à loiça suja, uma família às meias sem par, um género à televisão e uma espécie ao pijama. Que o medo não se esqueça de onde vem”.

Neste novo single, a banda continua a fazer o que sabe de fazer melhor. Criar faixas de rock que soam inseguras na estridência e transcendência nas guitarras de André Henriques, que soa agressivo nesta faixa, e Pedro Geraldes – a influência do post-rock na parte final da música torna-se pura e mais evidente à medida que a explosão catártica do instrumental surge – e que soam memoráveis. O refrão de ‘Taxonomia‘ é orelhudo, e é impossível ignorar a groove pautada pelos ritmos do baixo de Claúdia Guerreiro – com uma das melhores linhas de baixo de sempre da banda – e pela bateria de Hélio Morais, pujante e punk como sempre nos habituou.

Taxonomia‘ é mesmo mais uma grande faixa dos Linda Martini – mais uma para juntar ao panteão de grandes faixas da banda lisboeta, que já está bem recheado de algumas das mais icónicas canções do rock nacional dos últimos 20 anos.

Pedro de Tróia abre as hostilidades para novo disco este ano com ‘Gosto Tanto de Ti

Pedro de Tróia estreou-se a solo com o seu disco Depois Logo Se Vê no ano passado. Agora, em 2021, o ex-Capitães da Areia inicia o caminho para o sucessor desse trabalho, Tinha de Ser Assim, que será lançado em outubro deste ano. À semelhança do seu trabalho anterior, Tinha de Ser Assim contará com produção de Tiago Brito.

Fotografia: Divulgação / Tomás Monteiro

Deste seu novo trabalho, conheceu-se esta semana o seu primeiro avanço, Gosto Tanto de Ti, que conta com colaboração nos coros de Catarina LynceRita Laranjeira, que adicionam camadas de vocais que trazem dinâmica ao refrão orelhudíssimo desta faixa. Pedro de Tróia é dos melhores do nosso país a compor e aqui brilha mais uma vez. As melodias de ‘Gosto Tanto de Ti‘ são suaves, orelhudas e bem construídas, servindo-se das influências que já haviam sido exploradas em Depois Logo Se Vê – mas mais aprofundadas.

A bateria soa gigante, num regressar aos anos 80 aqui, e as teclas que povoam a música são divertidas, nostálgicas e tristes, acompanhando a voz de Pedro, que continua a soar como sempre soou. É uma belíssima faixa que abre este próximo caminho na carreira a solo de Pedro de Tróia.

Nuvem‘ é o novo single de Brisa

Nuvem é o nome do novo single de Brisa, nome pelo qual se apresenta a cantora e compositora mafrense Inês Vaz Antunes. A música conta com produção, mistura e masterização de HitsMike.

Em ‘Nuvem‘, as qualidades de Brisa enquanto compositora revelam-se. Os hooks são vários que vão surgindo e a capacidade da artista de criar melodias orelhudas torna-se aparente logo desde do primeiro momento da faixa. É muito complicado ignorar o quão dançável e memorável é o refrão de ‘Nuvem‘. É magia pop no seu melhor, sendo que a música contém influências notáveis na sua groove da funk e da disco.

E o clímax da faixa? É necessário ouvir sem qualquer spoiler para disfrutar da transição e do momento de transcendência que este provém. Veremos que mais novidades Brisa traz para o que resta de 2021, porque ‘Nuvem‘ é uma das canções pop nacionais mais conseguidas do ano até ao momento.

Celso dá o pontapé de saída para disco de estreia com ‘Queimar Tempo

Queimar Tempo é o “pontapé de saída” para o disco de estreia dos Celso, banda lisboeta constituída por Duarte Igreja na guitarra, João Pedro Lima na bateria, João Paixão na guitarra e voz, Martim Baptista nos teclados e Miguel Casquinho no baixo. O disco, intitulado de Não Se Brinca Com Coisas Sérias, sai no final de 2021.

Em ‘Queimar Tempo‘, os Celso apresentam a sua versão da sonoridade alternativa portuguesa, notando-as as influências dos Capitão Fausto ou Luís Severo nas suas composições. As guitarras soam melosas e nostálgicas, complementando assim os vocais de João, e são adornados por uma secção rítmica intensa, que se sente que ao vivo transportar-nos-á para mundo mais psicadélico que os sintetizadores divertidos e coloridos revelam.

O refrão de ‘Queimar Tempo‘ é orelhudo, e nota-se que o grupo tem ouvido para criar melodias pop que se conseguem diferenciar dos seus contemporâneos dentro do género do indie português. Um bom primeiro avanço para o disco de estreia, em que se nota o amadurecer progressivo da banda depois de vários singles e um EP lançado ao longo dos últimos dois anos.

 ‘Running Low‘ é o novo avanço do segundo disco dos Cosmic Mass

Running Low‘ é o nome do novo single do grupo aveirense Cosmic Mass. É o segundo avanço retirado do seu segunda longa-duração, Alienation, que será lançado em setembro deste ano.

Esta é uma faixa que conta com ritmos elevados e riffs pujantes, a fazer lembrar algumas das faixas mais pesadas dos King Gizzard & The Lizard Wizard, sendo que em momentos o fuzz atinge de tal forma proporções que nos aproximamos mais do stoner de uns Kyuss ou Fu Manchu do que do heavy psych da banda australiana. Há hooks na forma de riffs e de passagens vocais ao longo da faixa, e o solo que a fecha é absolutamente perfeito para o género, fazendo-nos sentir como se estivéssemos a andar por entre a escuridão da noite num deserto algures.

Old Human‘ de Dela Marmy recebe nova abordagem de Sonic Boom

Old Human é um dos temas que compõe o EP de 2020 (Captured Fantasy) de Dela Marmy, projeto musical de Joana Sequeira Duarte. O tema recebe agora uma nova abordagem por parte de Peter Kember (Sonic Boom), ex-membro dos míticos Spacemen 3 e que conta com uma longa lista de colaborações, que vão desde dos MGMT ou Beach House até aos Iceage ou Panda Bear.

Nesta nova versão da música, o reverb ganha um maior espaço, conferindo tons mais psicadélicos e distorcidos à faixa. Os sintetizadores, em especial, exploram novas sonoridades, soando mais noturnos e espaçosos, permitindo que a voz de Joana sobressaia, soando belíssima com este tipo de instrumental. Uma colaboração que cimenta o nome de Dela Marmy como um dos projetos nacionais que merece maior tempo de antena e que merece ser explorado a fundo.

Reservado é o EP eclético de estreia de EU.CLIDES

Fotografia: Daniel Gomes

Reservado é o nome do EP de estreia de EU.CLIDES. Este é um dos projetos mais aguardados do ano em Portugal e não é difícil de ver porquê. EU.CLIDES tem sido um dos nomes que mais tem feito furor dentro do panorama nacional, com a forma como bebe de várias influências para criar a sua sonoridade.

E isto faz-se notar em Reservado, que se revela como um curta-duração eclético onde EU.CLIDES revela as suas várias facetas. Por um lado, tem o seu lado de cantor pop, capaz de criar e compor hooks que tornam as faixas em orelhudas, mas por outro, tem o seu lado mais introspetivo de cantautor a sobressair na lírica e voz. Os instrumentais bebem de vários locais, desde da pop ao indie e ao fado, passando pelos ritmos africanos que pautam várias faixas aqui. Não se pode esquecer a eletrónica, cujas influências se fazem notar com particular destaque na produção do trabalho, que contou com colaboração de Branko.

Este curta-duração confirma o estatuto que EU.CLIDES tem cavado no mundo da música portuguesa, e oferece um vislumbre do que poderá ser o potencial que o artista tem. E reparem: este é imenso. Já não se pode ignorar EU.CLIDES dentro do panorama português. Daqui para a frente, só o poderemos ver crescer.

GPU Panic faz-nos dançar com a pop house de ‘Flores

Flores é o nome do novo single de GPU Panic, nome pelo qual se apresenta Guilherme Tomé Ribeiro. É o segundo avanço do seu próximo EP, depois de ‘Just Go‘ ter sido lançado no mês de novembro passado. O novo curta-duração do artista, que conta com selo Discotexas, é o sucessor de Sand Haze, lançado em 2017.

Em ‘Flores‘, as grooves são sucessivas, pausadas pelas baterias energéticas que marcam os ritmos da faixa. Os sintetizadores são etéreos e espaçosos, retirando influências à house e EDM, que acabam a assentar que nem uma luva nos vocais de Guilherme, conferindo um toque pop à faixa. É música extremamente dançável que consegue soar doce aos ouvidos, uma onde as cores e paletes sonoras se multiplicam nas camadas que surgem ao longo da sua duração.

Isto é música perfeita para o verão que aí se avizinha, em que se espera que seja minimamente possível dançar por aí fora. Precisamos todos.

Lisboa‘ é a carta de amor-ódio de KICU à cidade das sete colinas

Lisboa é o nome da nova música de KICU. A faixa conta com produção de Vitor Carraca Teixeira. Neste segundo single do artista, a sua voz mágica canta um “fado” que soa a uma carta de amor-ódio para com a cidade de Lisboa.

Por um lado, Lisboa recebe-nos, fazemos dela a nossa casa. Mas por outro, para coabitarmos com ela, é complicado – há dificuldades que têm de ser ultrapassadas, como em qualquer relação que exista. A lírica de KICU é uma das chaves da faixa, que conta com um instrumental influenciado pelo trap e R&B, com o seu baixo pesado e bateria a fazerem-se sentir ao longo de toda a sua extensão. Uma faixa para marcar KICU como um artista a seguir dentro do panorama nacional.

Joana Espadinha revela de surpresa primeiro avanço do novo disco

De surpresa (não é que nos queixemos!), Joana Espadinha lança aquele que é o primeiro avanço do seu terceiro disco de originais. Intitulada de Ninguém Nos Vai Tirar o Sol, a nova faixa da cantautora portuguesa conta com produção de Benjamim e ecoa uma certa nostalgia pelo passado.

Essa nostalgia é transpirada pela atmosfera da canção, maioritariamente pelos seus sintetizadores nostálgicos e espaçosos, mas também pelas guitarras melosas que povoam a faixa e pelas várias camadas da voz de Joana que vão surgindo. E claro, pela letra de Joana, que é relacionável, como sempre nos habituou. A cantora indicou nas redes sociais que esta sua nova faixa é “uma canção especial para mim” porque a “ajudou a encontrar alguma serenidade nestes tempos incertos”.

‘Ninguém Nos Vai Tirar o Sol‘ é um primeiro avanço que marca o desenvolvimento de Joana Espadinha enquanto cantautora no seguimento do excelente O material tem sempre razão, de 2018. Estaremos cá para ouvir todo esse caminho até ao lançamento deste álbum.

Life é o quarto disco de originais de Sean Riley & The Slowriders

Life é o nome do novo disco dos Sean Riley & The Slowriders, banda constituída por Afonso RodriguesFilipe Costa, Filipe Rocha e Nuno Filipe. É o sucessor do disco homónimo de 2016 e é o quarto álbum de originais da banda de Coimbra.

Neste novo disco, Afonso Rodrigues e companhia reinventam-se. O sentimento de americana mantém-se, mas o blues e o folk recuam nas camadas, que se tornam mais próximos da grandeza de um Bruce Springsteen, com os sintetizadores e a new wave a ganharem muito espaço aqui. A escrita da banda continua fortíssima, ganhando até uma componente muito nostálgica e distante, a fazer em momentos lembrar os The NationalMatt Berninger nesse aspeto.

Este é um disco que ecoa romantismos do passado, muito bem conseguido, e que revela uma banda a descobrir-se e a aceitar os tempos turbulentos do seu passado, pronta a olhar para o futuro que aí vem.

Tekilla junta-se a Papillon em ‘Lendas

Lendas é o nome do novo tema que junta TekillaPapillon, que conta com produção de Fred Ferreira. Tekilla explica que este novo single “é uma ego trip entre duas gerações, que se cruzam e inovam. A escolha do Papi era óbvia, admiro a humildade, a forma de estar, o ser destemido, e isso sente-se nesta faixa. Ele honra os que já cá estavam e os que agora cá chegaram”.

Em ‘Lendas‘, o beat é agressivo e abstrato, criando a plataforma perfeitas para o flow e barras de Tekilla brilhar, mas Papillon não fica nada atrás na forma como mete as palavras a fluir pelo beat. A transição para o verso do Papillon é muito bem feita – suave e com o seu toque de agressividade, como os beats aqui pedem. É a junção entre a velha e a nova guarda, e o refrão distorcido providencias os hooks necessários para a faixa ser orelhuda.

Tekilla está atualmente a preparar o seu novo disco de originais, que será lançado ainda durante este ano. ‘Lendas‘ fará parte desse disco, que juntará “amigos de longa data mas traz ainda sangue novo…” e se diz “sem filtros, uma busca por novas sonoridades, com orquestrações, onde a música se alia à mensagem, que converte o negativo em inspirador e motivador, e traz a maturidade de uma longa jornada, que fazem estes anos de ausência de um novo trabalho valer a pena a espera”.

The Miami Flu criam grooves psicadélicas em ‘Shame

Shame é o nome do novo single dos The Miami Flu, grupo constituído por Pedro Ledo (vocais e guitarra), Rui Martins (teclas), Nuno Fulgêncio (bateria), Luís Matos (guitarra) e Tiago Sales (baixo).

Esta nova faixa do grupo é pautada pelas suas teclas e baixos psicadélicos, que nos vão guiando pelas grooves que soam a infinitas da faixa. As guitarras cobertas de reverb colam tudo junto, e as vocais carregam influências da soul dos anos 70, servindo o instrumental de forma suave e bem conseguida.

 

Vaarwell apresenta a sua pop escura em ‘consume

Os Vaarwell estão de regresso com aquele que é o seu terceiro single de 2021.consume é o nome da nova faixa do duo constituído por Margarida FalcãoRicardo Nagy.

Em ‘consume‘, a voz de Margarida soa hipnotizante, ligeiramente distorcida, por cima de camadas de sintetizadores e baixos escuros que compõem o beat da faixa. É uma música extremamente noturna, que soa a como se estivéssemos a passear por uma cidade cheias de luzes que se vão acendendo à medida que caminhamos – são essas luzes os baixos que vão surgindo com a música. Uma faixa de pop escura orelhuda, extremamente bem produzida e conseguida que continua a garantir que os Vaarwell estão prontos a prosseguir para o seu próximo projeto.

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