Crítica. ‘Aqueles Que Me Desejam a Morte’ promete muito mas acaba por desiludir

O novo filme de Taylor Sheridan, um dos argumentistas mais entusiasmantes da atual indústria, chegou às salas de cinema portuguesas. Aqueles Que Me Desejam a Morte é um neo western de ação e conta com um elenco de luxo. Mas será que cumpriu as expectativas? O Espalha-Factos foi ao cinema assistir a este filme, e conta-te tudo sobre ele. 

Primeiro que tudo, falar de uma das coisas que mais curiosidade suscitou deste projeto. Depois de 10 anos fora do cinema de ação com o intuito de se aventurar em longas-metragens mais familiares e com níveis de violência baixíssimos, aproveitando ainda para realizar alguns filmes em nome próprio, Angelina Jolie está de volta ao mundo da brutalidade.

A última vez que a vimos num registo destes foi no longínquo ano de 2010, quando protagonizou The Tourist e Salt, mas desde então, os murros e tiros deram lugar às gargalhadas e abraços. Mas isso não fez esquecer a estrela de ação dentro da atriz americana, vencedora de um Óscar para Melhor Atriz Secundária em 2000.

Nesta nova fase da carreira, Angelina Jolie juntou-se a Taylor Sheridan, um autor entusiasmante do cinema atual e que vai construindo uma reputação por mérito próprio desde que participou como o odiável Hale em Sons of Anarchy

Nomeado para um Óscar para Melhor Argumento Original, em 2016, pelo filme Hell or High Water, Sheridan tem tentado o seu máximo para dar uma vida nova ao género dos westerns. Começou com Sicario, um filme com um guião incrível mas que falharia nas mãos de um realizador menos capaz que Denis Villeneuve; seguiu com o já mencionado Hell Or High Water, onde substituiu os cavalos por carros de alta cilindrada; continuou a sua carreira em Wind River, onde os desertos quentes foram substituídos por gelo e neve.

Sempre criticando uma coisa ou outra, Taylor Sheridan tenta dar sempre o máximo de ambiguidade às suas personagens, fazer críticas à justiça ou capitalismo ou, então simplesmente, dar o máximo de desenvolvimento às suas personagens. As suas histórias, ainda que profundas e densas, são sempre diretas ao assunto, o mais simples possível. 

No entanto, tudo o que aquilo que Taylor Sheridan é conhecido por fazer em termos de escrita acaba por falhar em Aqueles Que Me Desejam a Morte. Não fosse ele a realizar e provavelmente o filme colapsaria com estrondo, mas, apesar do guião estar uma confusão, o filme em si consegue ter entretenimento com fartura. 

Contando duas histórias diferentes, primeiro a de Hannah, interpretada por Angelina Jolie, que mais vale dizer que tem “trauma” como nome do meio, uma bombeira que já passou por muito; e depois uma segunda história que acaba por dar origem à sinopse do filme. Vemos Aiden Gillen, que interpreta um patife de primeira em tudo o que faz, e Nicholas Hoult, que não costuma ser assim tão psicopata, a assassinarem um homem enquanto o seu filho, Connor, vê. Acaba por conseguir fugir, encontra Hannah por acaso, ambos fogem juntos. Tudo muito conveniente. 

A primeira falha do filme começa logo no início. A história que dá início ao enredo propriamente dito demora uma eternidade a começar, enchendo o público com plots secundários que não interessam a ninguém. 40 minutos depois, finalmente temos o encontro entre Hannah e Connor, e a coisa acelera – e de que maneira – a partir daqui. 

Deixando os temas do filme, os enredos e o desenvolvimento de personagem postos de lado, Taylor Sheridan concentra-se em tudo menos dar explicações ao público. Em vez disso, coloca todos os seus esforços em tentar dar o filme mais caótico e violento possível, com o intuito de entreter e pouco mais do que isso. E isso é bom, acaba por ser refrescante no panorama atual. 

Por sua vez, Angelina Jolie é a alma do filme, levando tudo à frente com os seus traumas, lágrimas e desejos de uma vida melhor, dizendo a todos nós que ainda tem muito para nos dar. A presença da atriz em todas as cenas é enorme e consegue convencer qualquer um que aqueles assassinos que a desejam morta vão passar por maus lençóis quando a conhecerem, o que acaba por acontecer. Aqueles Que Me Desejam a Morte não seria o mesmo filme nem teria a mesma qualidade sem ela. 

Falando no duo de hitmans interpretado por Aiden Gillen e Nicholas Hoult, um par de personagens que nunca é explorada propriamente mas que, na realidade, se calhar nem é preciso. O importante é perceber o que eles são: dois psicopatas sem escrúpulos ou limites para o que podem fazer. Matam pessoas a sangue frio, dizem que vão assassinar quem lhes aparecer pela frente, ameaçam queimar uma mulher grávida viva… Tudo isto para capturarem Connor, que certamente não teria um futuro risonho às mãos desses dois maníacos. 

Podemos dizer que isto é um filme que saiu uns 30 anos mais tarde do que deveria. Temos uma estrela de ação, dois hitmans armados até aos dentes e uma paisagem lindíssima, naquilo que seria o maior sucesso de sempre se saíssem em 1985. No entanto, em 2021, isso não é suficiente porque é um tipo de história que já foi feita tantas vezes que acaba por ter um pavio curto. A história em si não é a melhor coisa de sempre mas a maneira como está feita consegue dar-lhe vida e ser um filme que vemos uma vez e nunca mais olhamos na vida. Podia ser pior, claramente, mas tendo em conta todos os envolvidos, também podia ser tão melhor.

Aqueles Que Me Desejam a Morte está disponível em várias salas ao longo de todo o território nacional.

5

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