Pedro Mafama
Pedro Mafama | Fonte: Sony Music Portugal/Divulgação

À Escuta. Pedro Mafama e Fogo Fogo são os destaques da semana

Nesta semana, o À Escuta, rubrica de lançamentos nacionais do Espalha-Factos, destaca os singles de Pedro Mafama Fogo Fogo. Mas as novidades não param por aí – temos ainda o novo single duplo de Bateu Matou, com colaborações especiais, o disco de estreia da dupla y.azz x b-mywingz e os novos discos de Old Jerusalem, Rapaz Ego himalion.

pedro mafama
Pedro Mafama em Contra a Maré’

Pedro Mafama navega ‘Contra a Maré‘, segundo avanço de Por Este Rio Abaixo. 

‘Contra a Maré‘ é o mais recente avanço de Pedro Mafama para Por Este Rio Abaixo, disco que será lançado no dia 28 de maio. Como já fez em ‘Estaleiro‘, Mafama canta aqui tradição, distância e destino: “de uma das margens, alguém fantasia com todas as coisas que o seu companheiro, familiar ou amigo está a viver, tendo partido para perseguir o seu destino; do lado de lá, esta pessoa perdeu-se totalmente do seu caminho, e não está a lutar pelos seus sonhos nem a fazer aquilo que jurou fazer”.

Pedro Mafama tem vindo a consagrar-se como um dos nomes mais proeminentes da música portuguesa, e o seu álbum de estreia virá certamente confirmar isso. A eletrónica inconfundível de Mafama e a estética urbana que se funde com os ritmos tradicionais portugueses contam-nos “histórias de hoje de uma qualquer rua portuguesa de hoje”. Para já, ‘Contra a Maré‘ e ‘Estaleiro‘ deixam-nos o gostinho do que está para vir. Por Este Rio Abaixo, título inspirado no clássico de 1984 de Fausto Bordalo Dias, promete levar-nos a navegar por casas antigas da Graça, Mouraria e Alfama. O fascínio “pelo trágico e apocalíptico reflete-se nas letras dos temas” e é partilhado por artistas como Branko, Ana Moura, ProfJam e Tristany, que colaboram com Mafama neste tão esperado disco.

Fogo Fogo antecipam o verão com ‘Hora di Bai

Numa Lisboa de noites quentes, os Fogo Fogo incendiavam e abanavam a pista de dança da Casa Independente com os mais variados ritmos que compõem as suas canções. Raízes e tradições que se expandiram de vários países e culturas podem ser ouvidos na sua música, mas a principal inspiração vem da cultura musical cabo-verdiana. Agora, Francisco RebeloJoão GomesEdu MundoDanilo Lopes David Pessoa, o quinteto responsável por esta constante boa-onda, apresenta-nos ‘Hora de Bai‘.

A canção narra a correspondência entre um protagonista e a sua familia, afastados pelo desejo da realização de um sonho maior, mas também relembra o calor das noites de verão passadas nas pistas de dança da cidade. Viagem, distância e sede por proximidade compõem este single produzido por Alexandre Kassin e misturado por Victor Rice. A canção é uma antevisão ao primeiro disco de originais dos Fogo Fogo, Fladu Fla.

Duplo single de Bateu Matou com Papillon e Irma

O trio composto por Ivo CostaRIOTQuim Albergaria antecipa o seu primeiro longa-duração CHEGOU com o lançamento de um single duplo: ‘Cliché’, o lado A, conta com a participação de Papillon; já o lado B contém ‘Subi Subi’, um featuring com Irma. Bateu Matou destaca-se pelos seus ritmos dançantes, gingas e influências transversais, e este duplo single é mais uma confirmação disto.

Em ‘Cliché‘, Bateu Matou pedem ajuda a Papillon para navegar beats e rimas viciantes. Subi Subi‘ é um hino pop “de superação com uma cadência que só podia ter batuque no coração para nos levantar o espírito”.

CYCLES é o disco de estreia da dupla y.azz e b-mywingz

y.azz b-mywingz são os alter-egos de Mariana Prista e Margarida Adão, que lançam pela primeira vez um disco em conjunto. Eis CYCLES, um disco eclético que navega do R&B ao hip-hop e da synthwave ao dancehall e que culmina num trabalho “muito íntimo e pessoal” para ambas integrantes da dupla. y.azz ficou a cargo das letras das nove canções do disco, que conta com os singles dis/closure’, ‘Did it all again‘, ‘Too far‘ e ‘These days‘. Para ela, “este álbum foi uma transformação pessoal exteriorizada, que só fui capaz de encarar e realmente compreender depois de o acabar”, algo sobre o qual b-mywingz também reflete: “finalmente, tenho um meio através do qual consigo expressar os diferentes “ciclos” da minha vida. Este álbum representa isso mesmo, as várias fases e ciclos por que passamos, o que vivemos, o que nos traz, de bom e de mau, para onde nos leva e o que levamos disso. Todo o processo de criação deste CD é espelho disso mesmo“.

A dupla venceu o EDP Live Bands em 2019 e foi aí que a sua vida mudou radicalmente: y.azz, que estava baseada em Londres, voltou para Portugal para investir numa carreira em terras lusas. Desde então, y.azz e b-mywingz já autaram no Campo Pequeno e no NOS Alive’19. CYCLES é, no fundo o recordar de um ciclo passado e o acolhimento de ciclos futuros.

Rapaz Ego apresenta Vida Dupla

O velho faroeste parece o backdrop perfeito para o novo longa-duração de Rapaz Egomoniker de Luís Montenegro. ‘Crime em Tânger‘, ‘Quero Tanto‘ e ‘Vida Dupla‘ são as canções que conhecemos ao longo deste ano, após adiamentos e imprevistos. Agora, conhecemos Vida Dupla, que vinha sendo gracejado desde 2019. Discopop a indie folk, sintetizadores a guitarras acústicas; canções épicas e baladas ao violino – justaposições que funcionam e que dão origem a um dos álbuns mais groovy de 2021.

Para Luís Montenegro, o disco é um exercício “auto-hetero-biográfico e não mais do que isso, duplo porque tenta ser inteiro”. O disco foi editado com o selo da Cuca Monga, coletivo de qual Rapaz Ego faz parte e colabora com no disco Cuca Vida.

Old Jerusalem regressa com longa-duração Certain Rivers

A folk fortemente enraizada na cultura musical norte-americana de Old Jerusalem está de volta em Certain Rivers. Os 10 temas que compõem o disco pretendem regressar “à inocência das primeiras viagens com a experiência do passado bem presente”. Este é também um disco de celebração – fazem 20 anos que Francisco Dias deu vida a Old Jerusalem. Certain Rivers chega três anos depois do último LP, Chapels, e conta com a participação do músico americano Peter Broderick (Efterklang) em ‘High High Up That Hill‘, a música que abre o disco.

“Calma, autocontrolo e paciência” são constantes no trabalho de Old Jerusalem, mas não é difícil perceber que, depois de 20 anos, estas agora chegam-lhe – e a nós – mais naturalmente. ‘Youth and Grandeur‘, ‘Tainted Rush‘ ou ‘In the Valley of Shadows‘ são alguns destaques deste belo e “desacelerante” disco.

himalion apresenta-nos Blooming

O segundo longa-duração de himalionBlooming, é um tratado de tranquilidade. Indie-folk, jazz e uma pitada de bossa nova compõem o mais recente trabalho de Diogo Sarabando. Gravado durante o confinamento entre o puppy garden studios e a Casa da Música em Ílhavo, este disco primaveril traz uma nova perspetiva ao trabalho de himalion através de vários elementos, “como a percussão e a guitarra clássica”, que ganham aqui novo foco.

Misturam-se os instrumentos, a voz pacata e sons de elementos naturais, Blooming é composto em regime anglo-português e nunca desvanece. É o soundtrack perfeito para dias solarengos, mas também acompanha nos mais chuvosos. Para chegar a este equilíbrio fundamental, himalion contou com Paulo Mouta Pereira na mistura do disco e com Vitor Carraca Teixeira na masterização.

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