Fotografia: D.R.

NBC cancela transmissão dos Globos de Ouro em 2022

Decisão da estação norte-americana surge no seguimento de fortes críticas à HFPA por atores e produtoras.

O canal norte-americano NBC, conhecido pela sua transmissão anual dos Globos de Ouro, anunciou que não transmitirá a cerimónia do próximo ano, terminando assim uma relação de décadas com a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA). 

A HFPA tem estado debaixo de fogo nos últimos dias, com várias produtoras e estrelas da indústria a declarar o plano de reforma proposto pela Associação como pouco ambicioso, depois de toda a polémica aquando da realização dos Globos deste ano. 

Em meados de fevereiro, o jornal Los Angeles Times publicou uma reportagem onde várias personalidades do cinema acusaram a HFPA de “cultura de corrupção“, tendo escondido o facto de vários dos seus membros terem recebido quantidades avultadas de dinheiro em troca de favores, sem que a origem dos montantes fosse conhecida. 

O LA Times reporta ainda que entre todos os 87 membros conhecidos não existe o registo de uma única personalidade negra. A reação oficial da HFPA aconteceu durante a cerimónia deste ano, onde foi dito que, “ainda que, durante esta noite, estejamos a celebrar o trabalho de artistas espalhados pelo mundo, reconhecemos que nós próprios temos algum trabalho para fazer. Tal como no cinema e na televisão, a inclusão de pessoas negras é vital e, por isso, temos de ter jornalistas negros na nossa organização. Temos de ser capazes de garantir que todos aqueles que vêm de comunidades minoritárias também tenham um lugar à mesa”. O discurso foi proclamado por Helen Hoehne, Meher Tatna e Ali Star, três personalidades do topo da hierarquia da Associação. 

Com isto em mente, a NBC lançou um comunicado onde se pode ler: “continuamos a acreditar que a HFPA está empenhada numa reforma significativa. No entanto, mudanças desta magnitude exigem tempo e trabalho, e acreditamos que a HFPA precisa de tempo para fazê-lo da maneira correta. Como tal, a NBC não irá transmitir os Globos de Ouro de 2022. Assumindo que a organização executa o seu plano, temos esperança de estar em posição de transmitir o espetáculo em janeiro de 2023″.

Vários órgãos de Hollywood juntam-se ao boicote à HFPA

netflix
Fotografia: D.R.

Na última semana, a HFPA votou a favor, de forma generalizada, numa reforma da organização, com o objetivo de aumentar a Associação em 50%, dando mais atenção a grupos minoritários. No entanto, 10% dos membros que fizeram parte da votação não apoiaram o plano, votando contra ou abstendo-se. Isto fez com que o CEO da Netflix, Ted Sarandos, anunciasse, na passada sexta-feira (7 de maio), que a sua empresa pararia de colaborar com a HFPA até que mudanças significativas fossem registadas, quebrando assim todas as ligações com a organização.

Nesse mesmo dia, a Amazon, outro dos grandes colaboradores da HFPA, foi pelo mesmo caminho, anunciando que já não trabalha com a Associação desde a infame reportagem do Los Angeles Times, uma decisão que seria para manter até que “mudanças sinceras e significativas fossem registadas”.

Já nesta segunda-feira (10 de maio) foi a vez do estúdio Warner Bros., que engloba serviços como a HBO, a TNT e a TBS, juntar-se ao protesto, escrevendo uma carta a Ali Star, a presidente da HFPA, afirmando que os esforços não estão a ir suficientemente longe.  Nessa mesma carta, é dito que todos os órgãos de cinema e televisão do estúdio irão abster-se de qualquer interação direta com a organização.

A Warner Bros. especifica que estámuito conscientes do que tivemos que investir para conseguir conferências de imprensa para um certo número de artistas negros que inquestionavelmente ofereciam obras de valor. Estas mesmas obras frequentemente passaram despercebidas nas vossas nomeações”. O estúdio expõe ainda alguns problemas que os seus colaboradores passaram em eventos da HFPA, mencionando “conferências de imprensa nas quais os nossos artistas enfrentaram problemas racistas, sexistas e homofóbicos. Durante demasiado tempo foram feitas solicitações de benefícios, favores especiais e pedidos pouco profissionais às nossas equipas e outras pessoas da indústria”.

Atores e atrizes não ficam indiferentes aos protestos

Tom Cruise
Fotografia: Alex Edelman

As acusações da Warner Bros. acabam por dar razão a Scarlett Johansson, que, num comunicado feito pela atriz, afirma ter sido vítima de sexismo por parte da HFPA. 

“A HFPA é uma organização que foi legitimada por pessoas como Harvey Weinstein para ganhar reconhecimento da Academia. De um ator que se encontre a promover um filme, espera-se que participe nas conferências de imprensa na temporada de prémios. No passado, isto significava ser confrontada com perguntas sexistas e comentários de vários membros da HFPA, com cariz de assédio sexual. Por esta razão eu recusei, ao longo de vários anos, ser uma voz participante nestas conferências de imprensa”, é dito pela atriz no seu comunicado, publicado pelo site Deadline.

À atriz americana juntaram-se várias outras personalidades. Tom Cruise, um conhecido apoiante do cinema como um sítio aberto a todas as pessoas, devolveu os seus três Globos, vencidos por Nascidos a 4 de Julho em 1990, Jerry Maguire em 1997 e Magnólia em 2000. 

Mark Ruffalo, que venceu um prémio na última cerimónia dos Globos, também se fez ouvir, criticando a mudança anunciada pela HFPA. “Honestamente, enquanto recém-premiado nos Globos de Ouro, não consigo sentir-me orgulhoso e feliz por me ter sido atribuído este prémio” disse o ator americano num comunicado divulgado na sua conta pessoal do Twitter. 

Este ano, como tem acontecido de evento para evento, a audiência dos Globos de Ouro voltou a cair para níveis históricos, registando apenas 6.9 milhões de espectadores, um dos registos mais baixos de sempre.

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