Sandra Felgueiras no Parlamento. sexta às 9
José Sena Goulão/Lusa

RTP critica Secretário de Estado após afirmações de que ‘Sexta às 9’ é “estrume”

A Direção de Informação da RTP condenou, este domingo (9), os insultos do Secretário de Estado Adjunto e da Energia João Galamba ao programa Sexta às 9, acusando-o de ser um “estrume” e uma “coisa asquerosa”.

Numa nota publicada nas redes sociais, a emissora pública repudia as declarações de João Galamba, afirmando que “atentam contra o bom nome da RTP e da sua jornalista Sandra Felgueiras e desrespeitam a liberdade de Informação. Vindas da parte de um membro do governo assumem particular gravidade”. Mesmo assim, garante que “nem por isso condicionarão o trabalho dos jornalistas da RTP”.

O comunicado da estação surge depois de João Galamba ter proferido alguns insultos ao programa Sexta às 9 na rede social Twitter, em resposta a um outro utilizador que escrevera: “todas as semanas abro uma garrafinha do João Galamba e sento-me a ver o estrume por ele produzido”. Ao que o Secretário de Estado reagiu com “lamento, mas estrume só mesmo essa coisa asquerosa que quer ser considerada ‘um programa de informação'”. “Mas se gosta desse caso psicadélico em busca da sua expiação moral, bom proveito”, conclui o socialista.

João Galamba referia-se ao conteúdo da emissão desta sexta (7) do programa, que abordava em reportagem o alojamento de imigrantes de Odemira no complexo Zmar, em consequência do surto de Covid-19 naquela região do Alentejo e das precárias condições de vida destes trabalhadores. O tweet insultuoso foi posteriormente apagado, mas alguns internautas conseguiram guardar as suas declarações.

CDS-PP pede demissão

Para lá das críticas da RTP e de vários internautas através das redes sociais, João Galamba enfrenta o primeiro embate político em consequência da sua publicação. Francisco Rodrigues dos Santos condenou as palavras do Secretário de Estado, acusando-o de “indignidade institucional”.

“João Galamba, qual ‘hater’, tornou-se um ‘cowboy’ do teclado no seu Twitter. Se há uns anos avisava, por SMS, um ex-primeiro-ministro de um processo judicial, agora destila ódio constantemente nas suas redes sociais”, disse o líder do CDS-PP na sessão de encerramento do X Congresso Regional do partido nos Açores. Francisco Rodrigues dos Santos acrescentou ainda que “um secretário de Estado que não percebe que sem jornalismo, mesmo que incómodo, não há democracia é um secretário de Estado que está a mais e tem de sair imediatamente deste Governo”.

Também o Sindicato dos Jornalistas repudiou as palavras do governante, lembrando que a “liberdade de expressão não justifica tudo”, e “que uma pessoa com as responsabilidades governativas e públicas de João Galamba deveria ser a primeira a perceber que um ataque à liberdade de imprensa  é um ataque à democracia”. Em nota publicada no site oficial, o Sindicato fala ainda em “falta de cultura democrática” e considera que o facto de João Galamba ter retirado o comentário “não apaga a gravidade do mesmo”.

Um segundo capítulo

Esta não é a primeira vez que João Galamba critica o Sexta às 9. Em setembro de 2019, o programa conduzido por Sandra Felgueiras visou o Secretário de Estado numa investigação sobre a exploração de lítio em Montalegre. Após transmissão do episódio, João Galamba afirmou que o formato se dedicava “à desinformação sobre a concessão mineira atribuída à empresa Lusorecursos” e que alimentava “mentiras”.

O episódio em causa causaria um outro motivo de notícia, quando Sandra Felgueiras defendeu no Parlamento que este estava pronto a ser transmitido antes das eleições legislativas. No entanto, apenas foi tornado público dias depois, o que levou a jornalista a afirmar que “em oito anos de coordenação” do Sexta às 9, este nunca fora suspenso durante um momento eleitoral.

Sandra Felgueiras, que garantiu que era possível que o programa fosse transmitido no dia previsto, foi ouvida no Parlamento, após um requerimento de audições, por parte do PSD, dirigido a si, à então Diretora de Informação da RTP, Maria Flor Pedroso, e ao também na altura Presidente da RTP, Gonçalo Reis. A ERC acabaria por declarar que não houve “pressões políticas” que justificassem o atraso.

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