Ana Leal
Ana Leal / Fotografia: TVI

Ana Leal junta-se à informação da CMTV

Ana Leal, ex-jornalista da TVI, é a nova jornalista da CMTV, confirmando rumores que circulavam desde o final da semana na imprensa nacional.

Este é o regresso da jornalista à televisão depois da saída do canal de Queluz de Baixo, em junho do ano passado. “As pessoas vão poder voltar a ver-me no meu registo habitual, que é fazer investigação em que não existem intocáveis, em que vamos onde tivermos de ir, e vamos sempre até ao fim. Doa a quem doer”, afirmou a jornalista em declarações ao Correio da Manhã.

As reportagens de Ana Leal, que saiu de forma litigiosa do anterior canal de televisão, vão começar por ser emitidas no programa diário Investigação CM, atualmente no ar no horário nobre do canal. “É um projeto que vou abraçar a 100 por cento. O jornalismo deixou de ser o quarto poder para passar a ser o quarto do poder ou, como costumo dizer, o quarto dos políticos. Aqui, vai ser tudo diferente“, promete.

São investigações jornalísticas corajosas, que incomodam poderes instalados e que se adequam perfeitamente ao ADN do projeto jornalístico do Correio da Manhã“, concorda Carlos Rodrigues, diretor-executivo da CMTV.

Entre a informação e a polémica

Depois de cerca de 20 anos na informação da TVI, Ana Leal foi suspensa, em maio de 2020, por ter partilhado com a imprensa nacional, e com o Conselho de Redação, e-mails e mensagens particulares trocados com a direcção do canal de Queluz de Baixo.

Em defesa de Ana Leal o que tenho a dizer é que essas mensagens internas foram enviadas aos órgãos próprios, como o CR e outros órgãos a quem podiam e deviam ser enviadas para serem analisadas e averiguadas. É perfeitamente legítimo e não creio que haja fundamento para a suspensão ou para a instauração de qualquer inquérito à Ana Leal“, disse Ricardo Sá Fernandes, advogado de Ana Leal, ao Diário de Notícias, no mês da suspensão da jornalista. Na altura, acrescentou que “este litígio” tem a ver com “a liberdade de imprensa e a forma como esta é encarada por uns e por outros“.

Em causa, estiveram algumas reportagens de jornalismo de investigação que a equipa coordenada por Ana Leal, que antes de março de 2020 tinha um programa especial intitulado Ana Leal, que não foram divulgadas no noticiário da TVI.

Segundo o jornal Público, Ana Leal já tinha sido suspensa em 2013, após uma notícia que teve de ser retirada do Jornal das 8, mas, desta vez, a suspensão levou à demissão da jornalista. Um mês depois da segunda suspensão, a jornalista assinalou a sua despedida com uma publicação nas redes sociais.

Vinte anos de TVI que chegaram ao fim” começa, “Durante o programa Ana Leal emitimos cerca de cem reportagens de investigação que incomodaram poderes instalados e pessoas que se julgavam intocáveis”. “Voltaria a fazer tudo da mesma forma, com o orgulho de quem não verga a nenhum tipo de pressão.”, citou o Espalha-Factos.

No último ano, a jornalista viu algumas das suas reportagens a serem canceladas pelo canal de Queluz de Baixo, nomeadamente uma que prometia expor as falhas do Estado Português na gestão da pandemia, em março de 2020.

Na altura, Manuela Mora Guedes, também uma antiga jornalista do canal, reagiu nas suas redes sociais: “Em países civilizados, desenvolvidos só há uma forma de fazer jornalismo – contar os factos que se apuraram seguindo todas as regras que permitem conhecer a VERDADE sobre eles”, referiu, embora admita que em Portugal não se passe assim. “Esta corrente pujante do jornalismo português dá belas carreiras. Não é preciso fazer-se esforço no jornalismo que questiona e investiga, aliás é mesmo um handicap, investe-se é nos contactos, bons contactos, daqueles que dão frutos. Depois, chegar ao topo é trigo limpo“.

  • com Pedro Miguel Coelho

 

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Somos Portugal _João Montez
‘Somos Portugal’. TVI muda apresentadores do programa