Godzilla vs Kong

‘Godzilla vs Kong’: O legado dos dois titãs do cinema

Godzilla vs Kong estreia esta quinta-feira, nas salas de cinema portuguesas. O filme realizado por Adam Wingard é o culminar do Monsterverse – o universo cinematográfico que junta GodzillaKing Kong.

As duas personagens têm um percurso marcante na história do cinema. Ambos os monstros gigantes são símbolos ficcionais que influenciaram tanto a cultura ocidental (no caso de King Kong), como a oriental (no caso de Godzilla).

Antes do duelo entre estes titãs, o Espalha-Factos fala-te do legado de cada um e do contributo que deram à Sétima Arte.

King Kong – A Oitava Maravilha do Mundo

A infância do realizador e produtor Merian C. Cooper ficou marcada por um livro que retratava a exploração da vida selvagem de África e mencionava um “gorila anormalmente grande” que aterrorizava uma região do continente. Esta ideia nunca deixou a mente de Cooper e, em 1933, deu origem a um filme de aventura sobre uma ilha perdida, onde habitavam monstros gigantes, entre eles, um gorila.

O nome do filme e do animal é King Kong. A história imortal da “bela que matou o monstro” popularizou-se com o sucesso desta produção. O mestre Willis O’Brien usou efeitos especiais de stop-motion que deixaram as audiências de cinema coladas ao ecrã e criou uma das maiores figuras da ficção ocidental.

Ainda hoje, o King Kong de 1933 é considerado uma obra-prima da Sétima Arte. Uma realização sólida, um argumento eficaz e os já mencionados efeitos especiais fazem deste filme uma maravilha técnica, mas também uma aventura divertida, em especial para a época.

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Para se ter uma ideia do nível avançado desta produção, Peter Jackson sentiu enormes dificuldades quando tentou recriar uma cena do filme, com os efeitos especiais da época. Sim, o realizador da trilogia d’O Senhor dos Anéis viu-se grego para produzir uma cena dos anos 30.

O cinema norte-americano demorou a chegar lá, mas as grandes aventuras mitológicas e os filmes de terror dos anos 50, ambos recheados de seres gigantescos, devem muito a King Kong. Em termos narrativos, o legado do filme também se faz sentir. Afinal, quantas histórias falam ou do Homem que vem perturbar um habitat desconhecido ou de uma bela e um monstro? The Shape of Water, um recente vencedor do Óscar de Melhor Filme, é exemplo de como ainda hoje se sente esta influência.

Desde 1933, King Kong apareceu em 12 filmes, três deles de animação. Existe uma sequela ao filme original, uma visita ao Japão (já lá vamos), um remake fraco nos anos 70 e uma sequela ainda pior, o remake épico de Peter Jackson, em 2005, e os dois filmes do Monsterverse.

A Oitava Maravilha do Mundo, quase a fazer 90 anos, ainda tem muito para dar.

Godzilla – O Rei dos Monstros

Era 1954 e o Japão ainda vivia as consequências dos ataques nucleares de Hiroxima e Nagasaki. O produtor Tomoyuki Tanaka vê uma oportunidade para fundir as preocupações do país nipónico com um conceito de grande sucesso nos Estados Unidos: monstros gigantes. Inspirado por estas figuras, e sim, incluindo por King Kong, nasceu assim o primeiro kaiju (monstro gigante japonês): Godzilla.

Se, nos anos 50, monstros gigantes eram associados a filmes divertidos de série B, não havia nada de engraçado com Godzilla. A criatura servia de metáfora para os horrores do desastre nuclear e, segundos certas fontes, do monstro norte-americano que tinha retaliado contra o Japão.

No filme, a personagem é filmada a partir de perspetivas baixas, para dar a sensação de titã imparável e aterrador. Há momentos em que vemos vítimas a serem esmagadas por escombros e hospitais sobrelotados, como de um  verdadeiro desastre humanitário se tratasse.

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O filme foi uma experiência catártica para a nação nipónica e um enorme sucesso financeiro. Dois anos depois, uma versão norte-americana que, ironicamente, lhe dá o título de “Rei dos Monstros”, introduziu a criatura ao resto do mundo. Não se trata de pretensiosismo ocidental, porque, na verdade, a versão original do filme só foi lançada no estrangeiro em 2004.

Tal como o gorila norte-americano, Godzilla também é uma maravilha de efeitos especiais. Desta vez, usou-se a técnica, inovadora para a época, dos fatos de borracha. Um ator dentro do fato interagia com e destruía cenários em miniatura para parecer enorme. O rugido da criatura, um dos sons mais marcantes do Cinema, também tem uma origem simples: uma luva de couro a raspar cordas de um contrabaixo, com alguns efeitos por cima.

Desde 1954, Godzilla apareceu em 32 filmes japoneses e quatro norte-americanos. Há, no fundo, quatro eras do monstro, no Japão: A era Shōwa (1954-1975), a era Heisei (1984-1995), a era Milénio (1999-2004) e a atual era Reiwa (2016-?). Nos Estados Unidos, há um remake terrível, de 1998, e os três filmes da saga Monsterverse.

Começou como um símbolo do terror atómico, virou um anti-herói que defende a Humanidade, um super-herói intergaláctico e uma figura das alterações climáticas. No fundo, Godzilla é uma reflexão do ser humano e de todas as suas preocupações.

O duelo

Os oponentes estão apresentados e agora é a altura do combate. No entanto, é importante realçar que este é a segunda luta destes titãs. Pois é, em 1962, o Japão produziu King Kong vs Godzilla. Tratou-se da primeira vez que ambas as personagens apareceram a cores.

Originalmente, era Kong contra o monstro do Frankenstein (toda uma outra odisseia cinematográfica), mas o projeto passou de mãos norte-americanas para japonesas. Na narrativa, uma empresa farmacêutica usa o gorila gigante para combater Godzilla e salvar o Japão. No fim, King Kong é transportado por balões (sim) para a luta final no Monte Fuji.

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E vencedor? Oficial, não tivemos. Ambas criaturas caem para dentro do oceano e, passado um bocado, apenas Kong emerge. No entanto, o próprio filme deixa implícito que Godzilla também sobreviveu.

60 anos depois, é a altura da desforra. E com vencedor prometido. Venha daí Godzilla vs Kong e que o melhor monstro ganhe.

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