Teatro São Carlos
Créditos: Teatro São Carlos

Do Património ao cinema e setor livreiro. Onde vai a Cultura gastar os 243 milhões do PRR?

A requalificação e conservação de 46 edifícios e museus, a digitalização de mil filmes portugueses pela Cinemateca e a transição digital das livrarias fazem parte do plano do Governo para aplicar os 243 milhões de euros destinados ao setor da Cultura no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Para fazer face à pandemia de Covid-19 na Europa, os 27 países membros da União Europeia delinearam um PRR cada. Os projetos procuram responder a vários desafios relativos à transição digital, alterações climáticas e recuperação económica, entre outros, e apresentam propostas para os mais variados setores. Entre eles está o da Cultura que, em Portugal, deverá contar com 243 milhões de euros, dos quais 144,55 milhões, cerca de dois terços, se irão concentrar apenas em 2023.

Na área das Redes Culturais e Transição Digital, trabalha-se para a “modernização e capacitação da infraestrutura” tecnológica, envolvendo a Cinemateca Portuguesa, 155 das 400 salas de teatros e cineteatros, museus, centros de arte, a Torre do Tombo e a Biblioteca Nacional, laboratórios de conservação e restauro de património, o Aquivo Nacional da Imagem em Movimento e a digitalização e virtualização de espólio de bibliotecas públicas e arquivos nacionais.

Está prevista a aquisição de equipamentos informáticos, para bibliotecas itinerantes e online, e sistemas de informação e catálogos integrados para 239 bibliotecas públicas. Serão ainda disponibilizados 59.500 registos de acervos de museus públicos, criadas visitas virtuais em 65 museus, digitalizados mil filmes nacionais na Cinemateca e ainda alargada a cobertura de wifi a 50 museus, palácios e monumentos.

Relativamente à internacionalização, modernização e transição digital do livro e dos autores, para lá do apoio à tradução de obras literárias, como Os Lusíadas, está especificada a edição de audiobooks e ebooks, o apoio à modernização das livrarias e a Plataforma de Empréstimo de Livros Eletrónicos (com 300 bibliotecas públicas).

Para o Património Cultural, prevê-se a reabilitação de edifícios públicos classificados, “preservando-os e adaptando-os às exigências ambientais, de eficiências energética e de eficiência hídrica na manutenção dos respetivos jardins, parques e espaços anexos, bem como às condicionantes patrimoniais”. Fazem parte o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, os teatros nacionais D. Maria II, São Carlos e o Teatro Camões.

Eventos teste-piloto necessários para se “ir mais além”

À margem da conferência Cultura, Coesão e Impacto Social, no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, que decorreu esta terça (5) em Serralves, no Porto, a Ministra da Cultura Graça Fonseca afirmou que “neste momento, a norma que existe, 028/2020, permite realizar muitos eventos ao vivo em todo o país”. “O que nós queremos é perceber se a partir dessa mesma norma podemos ir mais além relativamente às regras com que hoje estamos a trabalhar”, concluiu.

Evento teste-piloto Fernando Rocha
Fernando Rocha realizou o primeiro evento teste-piloto em Portugal. Créditos: Altice Fórum Braga

Em Portugal, já se realizaram dois eventos teste-piloto. Os dois primeiros decorreram em Braga e contaram com espetáculos de Fernando Rocha, com 400 pessoas sentadas, e Pedro Abrunhosa, com 400 pessoas em pé. O terceiro evento terá lugar em Coimbra e conta com atuações de Anaquim, The Twist Connection, Birds are Indie e Portuguese Pedro.

Está ainda previsto um quarto espetáculo no Campo Pequeno, em Lisboa, com Nilton, Aldo Lima, Tio Jel, Joana Gama e Mangope. Apenas poderão assistir pessoas que vivam em Portugal, entre os 18 e os 65 anos, que não façam parte de nenhum dos grupos de risco definidos pela Direção-Geral de Saúde, nem tenham estado infetados nos últimos 90 dias. No próximo dia 9, a data do evento, os espectadores terão ainda de apresentar um resultado negativo ao SARS-CoV-2 à entrada.

A Ministra da Cultura reforçou que estes eventos permitem analisar a “progressão” que determinará os resultados posteriormente avaliados pelas autoridades de saúde. Graça Fonseca deixou ainda claro que quando fala em eventos, se refere a espetáculos em geral, incluindo os festivais de música.

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