Ana Moura
Fonte: Divulgação/Wide Boy

À Escuta. Ana Moura, Agir e Moullinex entre os destaques da semana

Nesta semana do À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos que dá a conhecer os lançamentos mais quentes da indústria musical portuguesa, temos como destaque os novos singles de Ana Moura e Agir e o mais recente longa-duração de Moullinex. Para além deste trio, a semana conta ainda com novidades de PZHomem em CatarseSebentaNeon SohoMartim SeabraNayr FaquiráParaguaii LVIS.

2021 traz-nos ‘Andorinhas‘, o hino à liberdade de Ana Moura

Andorinhas‘ é um símbolo de “liberdade e emancipação, de criatividade em estado puro. Uma recusa das amarras do sucesso, uma declaração de uma vontade de futuro“. É o primeiro avanço de um novo percurso que Ana Moura está a percorrer, depois de ter deixado a sua agência e editora para gerir a carreira de forma independente, baseada no digital.

A transformação sonora de Ana Moura tem vindo a ocorrer nos últimos anos – a cantora do ‘Desfado‘ tem, desde o início da sua carreira, trazido cor ao xaile negro do fado, apimentando sempre os ritmos tradicionais com “cadências de recorte tropicais“, algo que pudemos ver na sua colaboração com Branko e Conan Osíris, ‘Vinte Vinte‘, canção que nos deu algumas pistas sobre o que poderíamos esperar da artista.

Este novo ambiente sonoro é acompanhado pela metamorfose da imagem visual de Ana Moura. ‘Andorinhas‘ vem acompanhada de um videoclipe que nos mostra esta “nova imagem e postura, com uma linguagem visual que tem tanto de autêntico quanto de universal, tanto de moderno quanto de intemporal“. Realizado por André Caniços, tem como cenário um bairro popular de Olhão, onde navegamos os telhados das casas tradicionais e vemos pessoas das mais diversas origens em comunhão enquanto, nas ruas, Ana Moura canta a liberdade.

Andorinhas‘ é o culminar da emancipação profissional de Ana Moura, que extrapola todas as fronteiras e géneros – nesta canção, tudo se funde para criar harmonia inigualável.

Moullinex regressa com longa-duração, Requiem For Empathy 

Podem a arte e a ciência criar empatia?” Luís Clara Gomes, artisticamente conhecido por Moullinex, descobriu que sim ao longo do desenvolvimento do seu mais recente longa-duração, Requiem for Empathy. Pensado, escrito e desenvolvido num momento mais escuro da sua vida, este disco acaba por fundir claridade e escuridão. “Há algum tempo, uma sensação de desgraça iminente começou a querer entrar. Ainda antes do início da pandemia, passei por um período de perda pessoal e ansiedade e, em vez de negá-lo, decidi abraçar todos estes tons cinzentos e deixá-los fazerem parte de mim. À medida que as sombras surgiram sobre o que antes estava totalmente iluminado, novas questões emergiram. O que significa agora dançar? Porque ainda queremos dançar na escuridão? As sombras surgem apenas na existência de uma fonte de luz“, conta-nos Moullinex.

Assim surgiu este álbum, composto por 11 músicas, que conta com várias participações especiais. GPU Panic participa em quatro músicas: ‘Inner Child‘, ‘Running in the Dark‘, ‘BREAK/OUT/BREAK’, e ‘Luz’. Sara Tavares participa no single eletrizante ‘Minina di Céu‘, Selma Uamusse em ‘Ngowa Nwana‘, Ekstra Bonus em ‘Ven‘, e Afonso Cabral fecha as participações com ‘Hey Bo‘, a última faixa do disco.

Agir em dose dupla: single e disco dedicado às conquistas de abril

Prescrever é o segundo single de Agir em 2021, sucessor deAlguém Como Tu, uma colaboração com ProfJam. Com esta canção, Agir pretende lançar uma crítica à justiça, que com todas as suas burocracias e distorções, alimenta desigualdades sociais, acabando por “perverter a própria essência da Justiça”.

Mas este lançamento não veio sozinho. No âmbito das celebrações do 25 de Abril, Agir lançou hoje (1 de maio) nas plataformas de streaming o disco Cantando Abril, uma compilação de músicas de intervenção a que o artista deu voz no concerto homónimo transmitido na RTP1 nas vésperas do aniversário da Revolução dos Cravos. O álbum conta com músicas do cancioneiro revolucionário como Liberdade, de Sérgio Godinho,  A Cantiga é Uma Arma’, composta por José Mário Branco e cantada pelo Grupo de Ação Cultural – Vozes na Luta, Venham Mais Cinco eGrândola Vila Morena, de Zeca Afonso.

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Homem em Catarse apresenta Sete Fontes

Um mês depois da primeira antecipação, ‘Santa Marta das Cortiças‘, ficamos a conhecer o disco Sete Fontesquarto disco de originais de Homem em Catarse. Afonso Dorido é o nome por trás do projeto que confessa ter a viagem como principal fonte de conforto. Esta temática é transversal às suas obras, e Sete Fontes volta a confirmar isto, apresentando-se “como uma espécie de roteiro para uma Braga idolátrica que, apesar do distanciamento ou das máscaras, manterá sempre as suas portas abertas“. É nestas portas abertas que encontramos, em Sete Fontes, a catarse que nos é prometida.

A fusão entre field recordings e piano são o principal elemento que dá origem às sete músicas que compõem o disco e que traduzem desde a solidão ao encontro. Sete Fontes foi produzido no âmbito do programa de apoio à criação artística Trabalho da Casa, promovido pelo gnration. Tendo a “reflexão” e o “olhar para dentro” como principais motes de trabalho, o disco terá uma pré-apresentação online através de uma peça em vídeo, composta por Francisco Oliveira, artista multidisciplinar. Já em 2018, Afonso Dorido contava ao Espalha-Factos que era “apaixonado pelo interior e pelas pessoas que lá vivem“ e agora, nesta obra, regressa ao território como fonte de inspiração, fazendo jus ao seu nome e a oferecer, precisamente, catarse.

PZ e a sua Selfie-Destruction

PZ é o rei da DIY, mas isso já sabíamos. Selfie-Destruction é só mais uma confirmação deste facto. O músico portuense continua a “trilhar o seu caminho pijamístico dentro da sua particular estética“, desta vez não só por gosto mas, também, por obrigação. Forçado a confinar, PZ encontrou no seu quarto/estúdio um oásis de produção musical – podemos vê-lo na selfie de capa do disco. Ao longo das 12 canções do álbum, PZ pinta a traços largos um “autorretrato em forma de catarse, com um olhar que evoca uma certa esquizofrenia“. Dúvidas e neuroses são percorridas com humor e a veia eletrónica que sempre correu em PZ nunca se esvanece.
“Este foi o disco que me fez sentido fazer nesta altura surreal das nossas vidas. Expus-me e atirei-me de cabeça nestas músicas onde deito cá para fora o que vai cá dentro. Algumas refletem estes tempos, outras nem tanto. Há uma música que é inspirada pelas tardes de domingo que passava em casa da minha avó, a ‘Dona Elisa’; há outra onde acho tudo ‘Uma Anormalidade’; e ainda outra onde demonstro as minhas ‘Incompatibilidades’ com as personalidades que chocam dentro de mim. Eu quero mesmo é estar ‘Em Paz Na Minha Guerra’, mas é difícil quando dantes era só croquetes e agora é ‘Fruta e Canivetes’. Tá tudo, vou ficar de olhos postos no Futuro!”, é o testemunho que nos deixa o artista.

‘Quero Tanto‘ é a nova antecipação do novo disco de Rapaz Ego

Quero Tanto’ é o novo single de antecipação do longa-duração de Rapaz Ego, Vida Dupla. “O irresistível deleite que azucrina o juízo. É a repetida vontade de acabar com um vício“. Este é o mote por trás desta canção, tanto que Luís Montenegro repete, ao longo dos quase quatro minutos, “Se nunca deu jeito/ Porque é que eu quero tanto?”.

Vida Dupla tem data de lançamento marcada para 14 de maio. Rapaz Ego é um dos artistas do Conjunto Cuca Monga, tendo participado no disco Cuca Vida no ano passado. O seu novo disco será lançado sob a alçada desta editora.

Xinobi junta-se a Varwell em ‘Steady

Xinobi junta-se ao duo Vaarwell em Steady, um single a três editado por uma das mais respeitadas editoras independentes no ramo da música eletrónica no Reino Unido, a Anjunadeep, que tem vindo a acompanhar Xinobi ao longo da sua carreira. Não é a primeira vez que este trio se junta para fazer música: em 2017, os Vaarwell participaram em On The Quiet, canção do disco Far Away Place; no ano passado reencontraram-se no single Fire. Em 2021, juntam-se novamente neste single eletrizante, com uma batida que nos faz ansiar pelo regresso às pistas de dança.

Neon Soho antecipam álbum de estreia com ‘Fear Dear

Neon Soho é um trio de pop eletrónico lisboeta formado por Ana Vieira, Vera Condeço e Ricardo Cruz, e antecipam o álbum de estreia com o single Fear Dear. O disco tem data de edição marcada para 8 de outubro e conta com a produção de Rui Maia, integrante de bandas como X-Wife e Mirror People.

Fear Dear‘ é um tema cru, mas a sua estrutura melódica simples acaba por se tornar hipnótica. A banda incita à transformação – a aceitação do medo gera liberdade de existir, e o desespero resigna-se à aproximação. O momento pode ser de revolta mas, com ‘Fear Dear‘, os Neon Soho mostram que mesmo a maior disfunção pode fazer surgir aceitação.

Propeller é o novo disco de originais de Paraguaii

Os Paraguaii estão de volta com o quinto disco de originais, Propeller. Nesta obra disruptiva que “abraça uma nova identidade estética“, o trio intercala momentos de sombra e luz, confronto e paz, densidade e fluidez. Com uma forte componente eletrónica transversal a todo o álbum, este disco arrebatador traz consigo tanto batidas dançantes quanto melodias mais brandas. É em Propeller que Paraguaii assumem a eletrónica que atinge o seu pináculo neste momento da carreira do grupo.

Propeller é, efetivamente, empolgante e atmosférico – pulsação eletrónica que vicia de ‘Peanut‘ a ‘Fish Balloon‘. ‘Skeleton‘ e ‘All My Feelings Fall in Love‘ já eram nossas conhecidas, mas vibramos agora com ‘Ground Control‘ e ‘Phisique‘.

Sudário, a estreia de Lvis

A estreia de Lvis (ou Luís), deu-se com Sudário, 12 canções compostas ao longo de quatro anos num quarto transformado em estúdio. A estética lo-fi é evidente, mas Sudário não se esgota aí – as vibes são claramente sombrias, as canções vampiricamente góticas e esta aura estende-se por todo o disco. O piano é acompanhante constante e a voz de Luís surge coberta nas canções. Em ‘Elegia‘ ouvimo-lo: “O luto e a luz andam de mão dada“.

Sudário é “confusão e dor, angústia e esquecimento, melancolia e tédio” e, inicialmente, segredo. No fundo, continua um álbum de Luís para Lvis mas, felizmente, também nosso.

The Days Are Just Packed, o primeiro longa-duração de Martim Seabra

Após os singles Rosalie‘ e ‘I’ll Follow The Sun‘, Martim Seabra deu-nos a conhecer The Days Are Just Packed. O título é tirado de uma coleção de tiras de Calvin & Hobbes e as 12 canções parecem ter acabado de aterrar dos anos 1960. A guitarra melancólica e os sintetizadores fazem lembrar outros tempos. ‘When You’re Mad at Me‘, o single mais recente, é exemplo perfeito disto – uma canção querida de amor à la Beatles.

Sebenta apresentam ‘Ao Teu Lado

Paulecas (voz e baixo), André Fadista (bateria) e Ricko (guitarra) formam a Sebenta, banda que em 2021 celebra 17 anos de formação. ‘Ao Teu Lado é o mais recente single do trio e marca um novo capítulo da sua música. Pretende, ainda, realçar a atualidade em que vivemos, onde os concertos e apoios para a cultura são escassos. O single vem também servir de antecipação para o novo disco, ainda sem título, a ser editado no fim de 2021 ou início de 2022.

 

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