Crítica. ‘O Falcão e o Soldado do Inverno’ acaba por ser mais do mesmo

Depois de ter começado o ano com WandaVision, uma série que foi um sucesso para alguns e para outros nem por isso, a Marvel lançou O Falcão e o Soldado do Inverno, série que teve o seu final na sexta-feira, dia 23 de abril. 

O Espalha-Factos viu toda a série original Marvel e analisou-a, ela que pode ser vista no serviço de streaming do Disney+. 

Infelizmente, O Falcão e o Soldado do Inverno acaba por ser um copo meio vazio, meio cheio. Na crítica ao primeiro episódio, afirmamos que esta série tinha potencial para ser algo divertido, sem muitas complicações, mas isso só aconteceria se a Marvel cooperasse, algo que não aconteceu com WandaVision. 

Claramente estávamos com demasiada esperança numa produtora que acaba sempre por inventar demasiado. O Falcão e o Soldado do Inverno acaba por ser mesmo agradável de se ver durante três ou quatro episódios, mas a coisa acaba por descambar no quinto (surpreendentemente, o melhor de todos para os produtores) e o final é a confusão que é. 

Mas vamos falar dos pontos positivos primeiro: a série fez um ótimo trabalho — e sucedeu — no que toca a dar uma personalidade à personagem de Sebastian Stan, que interpreta Bucky, o Soldado do Inverno

Bucky sempre pareceu ser um caso de potencial perdido a cada cena que participou em filmes da Marvel (e não foram assim tão poucos), e a série, desde os seus primeiros momentos, que tentou mudar isso. Finalmente aquele homem complicado consegue expor os seus sentimentos e deixou de ser apenas um robot que dá luta a inimigos. 

No entanto, o personagem de Sam Wilson, o Falcão, interpretado por Anthony Mackie, continua o mesmo vazio de sempre. É triste reparar que os escritores parecem não ter a ideia de como fazer Sam Wilson funcionar. E claro que para isto também podemos dizer que Mackie não faz um grande esforço em dar alguma profundidade à sua personagem, mas não se lhe pode pedir muito tendo em conta o material que lhe dão. 

Na primeira crítica, afirmámos que a melhor parte de O Falcão e o Soldado do Inverno residia nas cenas mais pessoas e psicológicas, especialmente as cenas de terapia, as conversas mais profundas entre as personagens e os momentos de introspeção sozinhos. Mal sabíamos nós que, a partir do primeiro episódio, esse tipo de cenas quase deixaram de existir. O mais perto que acabámos por ter disso foi o quinto episódio, que acabou por ser um mar de exposição desnecessária cujos últimos 20 ou 30 minutos são dos piores em termos de televisão dos últimos anos

Outra coisa que desapareceu do início da temporada foi a aura que Zemo, o famoso vilão da Marvel, trouxe à série. As cenas entre ele, Bucky e Sam Wilson eram de ouro sobre azul. O ecrã transbordava de química e substância, mas mais uma vez, é pena que o ponto alto disso tenha sido o terceiro episódio, claramente o melhor de todos na série

Claro que quando falamos de problemas na série não nos podemos esquecer de John Walker, uma das personagens mais vazias em todo o Universo Marvel. Interpretado como pôde por Wyatt Russell, Walker lutava, dizia falas rápidas como “eu não quero problemas”, e isto era a sua personagem. Nunca atingiu o coração de nenhum espectador, muito menos de quem é verdadeiramente apaixonado por este tipo de conteúdo. Infelizmente, parece que o seu futuro, em termos de projetos da Marvel, não está terminado, portanto é esperar para ver o que acontece. 

Tecnicamente, O Falcão e o Soldado do Inverno continuou a ter imensa qualidade. No que toca a cinematografia, ainda que pudesse ser um pouco mais colorida e iluminada, não há muito a dizer, assim como a banda sonora, edição e realização no geral, que esteve a cargo de Kari Skogland. Os aspetos técnicos, principalmente do terceiro e quarto episódio, são de evidenciar, infelizmente é uma pena que a escrita não acompanhe. 

Na nossa primeira crítica, também mencionámos que o uso de um vilão como os Flag-Smashers, um grupo anarquista, no clima político atual era capaz de não ser a coisa mais inteligente e isso acabou por se confirmar. É difícil não estar do lado dos vilões, porque as suas razões são mais que plausíveis. A escrita das personagens do grupo é terrível, mas a escrita do grupo como um todo é sólida. Os motivos são explicados e compreendidos, e é mesmo difícil não concordar nem um pouco com eles. 

Tudo isto termina nuns 20 minutos finais cheios de clichês, esperando-se que realmente façam alguma coisa para tornar Sam Wilson como um Capitão América credível. O monólogo final do mesmo acaba também por ser apenas mais uma jogada de propaganda antirracista a que a Marvel nos tem habituado nos últimos tempos, que costuma aproveitar-se de certos movimentos sociais para vender o seu produto. 

Em suma, O Falcão e o Soldado do Inverno acaba por desapontar mas também não era algo que não estivesse muito à espera. Tem tanto de bom (os primeiros quatro episódios) como de mau (os terríveis dois últimos capítulos) e, por isso mesmo, é uma espécie de copo meio vazio, copo meio cheio. 

Todos os episódios de O Falcão e o Soldado do Inverno estão disponíveis no Disney+.

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