à escuta David e Miguel
Fotografia: Divulgação/ Renato Cruz Santos

À Escuta. Novos álbuns de David e Miguel, António Zambujo, Bruno Pernadas são destaques da semana

À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos focada nos lançamentos da semana na música portuguesa, destaca o disco de estreia de David e Miguel, os novos discos de António Zambujo Bruno Pernadas e, também, a faixa que junta GSONSlow JSam The Kid.

Numa semana completamente recheada, falamos ainda dos novos longa-duração de JasmimSarnadas, Tomás Adrião e Unsafe Space Garden, dos novos EPs de ChurkyMandakaru e da ida ao baú dos Capitão Fausto. No campo dos singles, os Bateu Matou entregam dois novos temas, e há novas faixas de Davide Lobão, Diogo Piçarra com BispoFrancisca GomesFrancisco Fontes, Nayr FaquiráMALABOOS, Luís TrigacheiroPedro Mafama, Valter LoboYINIH.

David Bruno e Mike el Nite juntam-se para o muito romântico Palavras Cruzadas

Em 2019, David Bruno e Miguel Caixeiro, mais conhecido por Mike el Nite, colaboravam naquela que viria a ser uma das faixas mais memoráveis de Miramar Confidencial, segundo disco editado pelo produtor de Gaia. Interveniente Acidental revelava uma química inegável entre os dois artistas, cujos estilos acabam por se complementar de forma praticamente perfeita.

David e Miguel à escuta
Fotografia: Divulgação

Já nessa altura, o burburinho em torno dos fãs dos artistas para que colaborassem em algo mais além que só um single intensificou-se e agora, em 2021, as suas preces foram atendidas – mas que esperar de dois dos artistas mais gentis deste nosso Portugal? Apresentando-se sobre o nome de David e MiguelPalavras Cruzadas é o disco que junta os esforços desta parceria entre os dois artistas que “está para a música como o queijo e a marmelada estão para a culinária: uma delícia pouco ortodoxa“.

Contando mais uma vez com a colaboração do já habitual (e muito gentil) guitarrista Marco DuartePalavras Cruzadas é um disco que, acima de tudo, honra o Portugal romântico. Enaltecido pela sua estética kitschPalavras Cruzadas traz o romantismo inerente de artistas como Marco PauloMarante ou Ágata para o universo de David e Miguel, que acabam a contar histórias de desencontros, amores, desamores e sofrimento. E servem isto tudo com uma pitada enorme de portugalidade e uma cumplicidade inegável como acompanhamento principal deste prato recheado das iguarias (leia-se, as barras) que DB e Mike el Nite vão cantando ao longo do trabalho.

Toda esta simbiose quase perfeita entre David e Miguel alimenta estas malhas fenomenais que povoam o trabalho. Os instrumentais, povoados pelo jogo de samples de DB, têm tanto de potente e intenso como de românticas e suaves, e as faixas encontram-se recheadas de múltiplos hooks infalíveis. Quando damos por isso, já estamos todos a cantar a plenos pulmões que amamos a Sónia, que o Inatel é “bombástico tipo a escala de Richter” ou sobre lençóis de seda. E isto são apenas alguns exemplos, pois são demasiados os momentos marcantes de Palavras Cruzadas para enunciar de uma só vez. Só nos resta mesmo agradecer a David Bruno e Mike el Nite por terem sido gentis o suficiente para criar aquele que será consagrado, com toda a certeza, como um dos melhores discos do ano em Portugal.

Voz E Violão junta apenas a voz de António Zambujo a uma guitarra clássica

à escuta
Fotografia: Divulgação

Voz E Violão é o nome do novo disco de António Zambujo. É o nono disco do cantautor natural de Beja, e o oitavo de originais. É o sucessor de Do Avesso, lançado em 2018, e nome deste novo disco de Zambujo presta homenagem ao disco de 1999 de João GilbertoJoão Voz E Violão. E, tal como João Gilberto o fez em 1999, também Zambujo junta apenas a sua voz a um dedilhar suave de uma guitarra clássica em Voz E Violão.

O nome já nos revela o que havemos de esperar do disco, e Zambujo corresponde às expectativas. A música, contando com grande influência da bossa nova e do fado, é muito calorosa. Zambujo não precisa de muito para brilhar, e Voz E Violão é uma prova disso.

A sua voz funciona perfeitamente bem só com o acompanhamento de guitarra, e o projeto, apesar de só ter essas duas componentes, acaba por conseguir despoletar múltiplos sentimentos em nós. Pode até soar solitário e distante, à semelhança dos tempos que vivemos, mas consegue trazer à flor da pele uma esperança que vai crescendo à medida que a voz de Zambujo nos vai encantando. Ora mais nostálgica, ora mais triste, ora mais alegre, é uma abundância de sentimentos a partir de apenas duas componentes, e Zambujo não necessita de mais aqui para capturar a nossa atenção.

A densidade musical enorme de Bruno Pernadas em Private Reasons

Bruno Pernadas - Private Reasons
Fotografia: Divulgação

Private Reasons é o título do novo disco de Bruno Pernadas. O sucessor de Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them, de 2016, fecha a trilogia pop iniciada pelo artista em 2014, com How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge?. Bruno Pernadas assina a composição, letras, arranjos e produção do álbum, que conta com um leque gigante de convidados para ajudar Pernadas a criar o universo musical deste trabalho.

Este novo trabalho do artista lisboeta é denso, não nos enganemos quanto a isso. É um disco que dá prazer ouvir, mas que nos atira muita coisa para digerir. Pernadas vive e respira música e, em Private Reasons, isso nota-se. A instrumentalidade de Private Reasons é grandiosa, carregada com os mais variados tipo de instrumentos, que vão desde os comuns baixo, guitarra e sintetizadores, até a arranjos de corda e instrumentos de sopro. Há momentos para o jazz brilhar e para influências de música clássica brotarem no meio das faixas, que contam com um toque bastante progressivo e psicadélico – a fazer, de certa forma, lembrar King Crimson em momentos, se estes fizessem um disco de lounge pop.

Private Reasons é o trabalho mais arrojado que Bruno Pernadas apresentou até ao momento. É um disco gigante (em mais do que um sentido) que nos leva numa viagem extremamente colorida pela art pop do artista. E deixem que vos diga: é uma belíssima viagem – ainda que um bocadinho longa – e que vale muito a pena fazer.

As histórias que se cruzam em ‘3,14‘, nova faixa de GSON com Slow J e Sam The Kid

3,14 é o nome do novo single de GSON, juntando Slow J e Sam The Kid, para formar um trio inédito e potentíssimo para esta música, que conta com produção e mistura de Charlie Beats.

Obviamente que, com a presença destes três pesos pesados do hip-hop português, a expectativa é grande para ‘3,14‘. As expectativas, no entanto, são correspondidas. A química entre os três artistas é inegáveis, e cada um faz o seu papel da melhor forma que sabem – STK e Slow J trazem barras e flows excelentes, e as histórias que vão contando complementam perfeitamente a história de GSON, que acaba a voar no hook principal para nos fazer render à sua voz. O próprio instrumental de Charlie Beats carrega em si uma grande emoção que se adequa perfeitamente às histórias que estes três Grandes contam. Um sucesso absoluto que não desaponta em nenhum momento.

Bateu Matou apresenta duplo single: Clichê‘ com Papillon e ‘Subi Subi‘ com Irma

Bateu Matou está de regresso com duas novas faixas: ‘Clichê‘, com Papillon, e o seu lado B, ‘Subi Subi‘, que conta com a participação de Irma. É uma antecipação do que será o disco de estreia do trio composto por Ivo CostaRIOTQuim Albergaria.

Em ‘Clichê‘, somos presenteados com um banger absoluto para a pista de dança, onde Papillon nos impressiona com o quão bem se adapta a este tipo de registo. O instrumental é poderoso, com a sua junção entre instrumentação orgânica e eletrónica, contendo grandes influências de ritmos africanos (que esperar quando tens RIOT envolvido?). A melhor forma de descrever esta faixa acaba por ser parafraseando-a: “Tá a bater bué“. Acreditem: está mesmo.

E se ‘Clichê‘ é mais um club banger do que outra coisa, ‘Subi Subi‘ acaba por soar mais suave, mais próxima de uma pop do que da eletrónica. É uma faixa espaçosa, com o seu nível de pujança à mesma no batuque bem presente ao longo da faixa, e onde Irma serve como a convidada perfeita para este tipo de instrumental, complementando bem os hooks que vão sendo servidos ao longo da faixa.

mossas é o novo EP de Churky

mossas é o nome do novo EP de Churky, nome pelo qual se apresenta o compositor, cantor e guitarrista Diogo Rico Rodrigues. O trabalho é constituído por faixas que o artista escreveu ao longo do último ano, tendo sido gravadas no mês de janeiro deste ano.

Aquilo que começou como um “um trabalho 100% voz-viola“, eventualmente expandiu-se com a adição de outras camadas, na forma de percussão, sintetizadores e de gravações ambiente que ajudam a que este EP tenha um som bastante primaveril. A voz doce de Churky vai-nos guiando por estas cinco faixas e complementa bem os instrumentais criados pelo artista.

Depois de É, lançado em 2019, mossas soa a uma ponte do artista para o que irá trazer no seu próximo grande projeto. Apesar de apresentar algumas semelhanças em termos de sonoridade com o projeto anterior, mossas é mais cinematográfico nas suas texturas, e apresenta uma evolução também a nível lírico para o artista de Alcobaça.

Capitão Fausto celebra cinco anos de Capitão Fausto Têm os Dias Contados com um miminho para os fãs

Cinco anos após a edição do aclamado (e já muito influente) Capitão Fausto Têm os Dias Contados, os Capitão Fausto disponibilizam As Maquetes dos Dias Contados, uma compilação de dezenas de demos que a banda encontrou desse período.

Associada a estas maquetes encontra-se uma narração que conta a história do processo de composição e produção das canções do trabalho. Um miminho que os fãs muito acérrimos da banda com certeza irão amar com a toda a sua energia, e dá-nos também a possibilidade de entender um pouco melhor o processo criativo daquele que foi um dos discos mais marcantes da música portuguesa da década passada.

Davide Lobão leva-nos até ao ‘Museu‘, o seu novo single

Museu é o novo tema de Davide Lobão (de O Bisonte e Granada). É o segundo lançamento do ano para o artista e, depois de colaborar com Raez em Roma, junta-se agora a Beiro para completar mais este passo no seu regresso à música em nome próprio.

O artista descreve esta nova faixa como um “espaço de observação, contemplação e de uma procura que nos diz mais respeito a nós próprios do que às obras que são propostas.” E para criar esse espaço de observação e contemplação, somos presentados com um instrumental algo espaçoso, que retira influências ao hip-hop e à eletrónica. Este instrumental acaba a servir bem a entrega emocional que Davide coloca nos seus vocais, nos quais apresenta um registo algo diferente do que nos tem habituado, e que acaba por soar bastante interessante e, também, intenso.

Diogo Piçarra junta-se a Bispo para criar ‘Monarquia

‘Monarquia’ é o nome do single que junta BispoDiogo Piçarra. A faixa é descrita como o “culminar de quase cinco anos de amizade” entre os dois artistas, e que ‘Monarquia‘ é a “música certa” para ser lançada em conjunto.

Contando com produção de D’ay e frankieontheguitar, ‘Monarquia‘ é uma faixa que reflete bem o estilo dos dois artistas e a sua química. Por um lado, temos a voz de Piçarra, que sobressai num instrumental que soa algo triste e distante, influenciado pelo R&B. E esse instrumental, por outro lado, acaba a assentar que nem uma luva no flow e jogo de palavras de Bispo. Uma faixa que irá satisfazer os fãs de ambos os artistas, com toda a certeza.

Francisca Gomes começa o caminho para o seu novo EP com ‘Vem Meu Bem

Vem Meu Bem‘ é o nome do novo single da cantora, compositora e guitarrista Francisca Gomes. Contando com produção de João Só, este tema fará parte do seu EP Era Uma Vez, que será lançado no próximo mês de setembro.

Francisca Gomes revela-se neste seu novo registo. A ex-concorrente do The Voice Portugal cria uma faixa cativante e orelhuda, onde as influências da tropicália sobressaem para se juntar à sua pop leve e refrescante. Há várias camadas a descobrir, seja um pequeno riff de guitarra elétrica ou um sintetizador que está ali para refrescar a palete sonora da faixa.

E o que une tudo isto é a voz singular e bela de Francisca que, nas palavras de João Só, “tem tanto de frágil como de cativante.” Até setembro, serão revelados os restantes temas que irão constituir o EP de estreia da artista. Estaremos atentos!

Queda Livre‘ é o segundo avanço do EP de estreia de Francisco Fontes

Queda Livre é o nome do novo single de Francisco Fontes (Zaratan). É o segundo avanço para o EP de estreia do artista da Nazaré, intitulado de Gravidade, que será lançado no próximo mês de maio.

Surgindo apenas acompanhado do arranhar de uma acústica e de teclas, Francisco traz-nos uma faixa intimista e bonita que ecoa insegurança e tristeza na sua entrega e instrumental. A sua voz soa-nos próxima mas carrega em si uma timidez exacerbada pelo arranhar triste da sua guitarra e pelas teclas sempre presentes em ‘Queda Livre‘.

Acordado ou a Sonhar é a pop sofisticada de Jasmim em todo o seu esplendor

Jasmim
Fotografia: Divulgação/Vera Marmelo

Acordado ou a Sonhar é o novo disco de Jasmim, nome artístico pelo qual se apresenta Martim Braz Teixeira. Corresponde ao segundo longa-duração do cantor, depois de Culto da Brisa, lançado em 2019. O artista conta com o apoio da sua banda, constituída por Bia Diniz, Humberto Dias e Violeta, para construir as faixas do disco, produzido por Miguel Vilhena e que conta ainda com colaborações de Catarina Falcão, Catarina Olaio Marques, Ana Carolina Rodrigues, João Heliodoro e Cire.

Neste seu novo disco, Jasmim faz-nos flutuar com a sua sophisti-pop. As suas composições, muito bem conseguidas, partilham de um certo minimalismo que consegue sobressair mesmo nas músicas com instrumentais mais grandiosos e expansivos, e muita da culpa disto vem da produção de Vilhena e da entrega vocal do artista. Martim é um belíssimo vocalista, e sabe como utilizar esses seus atributos para aumentar o sentimento destas músicas. Sentimos uma nostalgia romântica, bem espelhada nas letras do trabalho, mas também uma certa aura de esperança que surge ao longo de todo o projeto.

Em Acordado ou a Sonhar, Jasmim confirma todo o potencial que havia mostrado em Culto da Brisa. Consegue expandir a sua musicalidade e, ao mesmo tempo, criar faixas que têm tanto de belas como memoráveis.

Nayr Faquirá junta-se a Valete para ‘Não Penses Nisso

Depois de SeNayr Faquirá está de regresso com um novo single, Não Penses Nisso. Contando com colaboração de Valete, este novo tema antecipa o EP de estreia da artista, com data de lançamento marcada para o próximo dia 30 de abril.

Contando com uma grande influência de R&B, neo-soul, e, claro, do hip-hop, ‘Não Penses Nisso‘ é uma faixa onde a voz carismática de Nayr Faquirá nos faz vibrar, e onde Valete se apresenta num registo que não o víamos há já algum tempo, contribuindo para a criação de um refrão memorável e orelhudo. Existe uma química entre ambos que é vastamente inegável ao longo da faixa, complementando-se as suas vozes para criar este banger suave, groovy e cheio de soul.

Suricata‘ abre-nos o apetite para o primeiro longa-duração dos MALABOOS

Suricata é o nome do novo single dos MALABOOS, trio constituído por Diogo Silva (guitarra e voz), Ivo Correia (bateria) e Rui Jorge (baixo). A faixa fará parte do primeiro longa-duração do grupo, intitulado de Nada Cénico, a ser lançado no próximo dia 7 de maio.

Este instrumental possui uma composição exímia, com as suas constante mudanças de ritmos a fazerem-se sentir, fazendo lembrar algumas bandas de midwest emo ou post-hardcore do final dos anos 90. É uma faixa onde a guitarra tem um papel importante, mas é o baixo e a bateria que são os elementos principais, marcando o ritmo às mudanças que vão surgindo.

Sendo ‘Suricata‘ a faixa que fecha Nada Cénico, só podemos olhar com elevada curiosidade para o que o resto do disco nos trará.

Shades é o EP de estreia cheio de groovesoul dos Mandakaru

Shades é o EP de estreia de Mandakaru, grupo constituído por Francis (vocais), Luís Leonor (guitarra), Tiago Guerra (baixo), João Guimarães (bateria) e Miguel Moura (teclas). O grupo conta que este projeto nasceu durante um ensaio, em que “as diversas influências dos membros da banda começaram a fundir-se numa maneira mais groovy e soulful de fazer música.

Mandakaru
Fotografia: Divulgação

Groovy soulful é uma boa descrição da música que podemos encontrar em Shades. O neo-soul do grupo é embebido por camadas de sintetizadores psicadélicos que fazem lembrar algumas das infusões que artistas como Kali Uchis têm praticado dentro do género. Os instrumentais são bem conseguidos e desenvolvidos, e Francis revela-se como uma vocalista com alma, assentando que nem uma luva deste tipo de instrumentais. Um EP muito interessante que nos leva a pensar que os Mandakaru têm mais para oferecer no futuro, e que os amantes do género fariam bem em tê-los debaixo de olho.

Luís Trigacheiro, vencedor do The Voice Portugal, estreia-se com Meu Nome É Saudade

Meu Nome é Saudade’ é o single de estreia de Luís Trigacheiro, o vencedor da da oitava edição do The Voice Portugal.

Descrita como “uma espécie de cartão de visita de Trigacheiro e do seu Alentejo“, ‘Meu Nome É Saudade‘ é uma faixa que retira influências à música tradicional portuguesa (em particular, ao cante alentejano) e ao fado para apresentar um bocadinho de quem é Luís. Esta ideia é partilhada pelo artista, que conta que cresceu “a cantar entre amigos, e esta canção também é isso. Foi escrita por bons amigos meus e é como se estivesse a cantá-la no lugar onde sempre nos encontramos.” O instrumental é nostálgico e permite que a entrega carregada de emoção de Luís sobressaia, carregando em si um amor pelas suas raízes que se faz notar bastante ao longo da música.

Pedro Mafama abre um novo ciclo com ‘Estaleiro

Estaleiro é o single que marca o arranque do caminho para aquele que será o disco de estreia de Pedro Mafama. Intitulado Por Este Rio Abaixo, o longa-duração sairá ainda durante o que resta do primeiro semestre de 2021.

Sobre esta faixa memorável, Mafama refere que esta é um “buzinão de um navio que avisa que vai partir, rumo a um disco novo e a uma nova fase da vida. É um desejo de andar para a frente, ancorado em memórias de uma fase da minha vida em que passava os dias a vaguear pela cidade, sem rumo nem futuro, a olhar a vista do Castelo e de uma Lisboa em decadência, sentado nos miradouros da Graça onde cresci, com sonhos altos mas uma força de execução quase nula.

Contando com produção de Beatoven e Pedro da Linha, ‘Estaleiro‘ é uma faixa povoada de baterias digitais gigantes capazes de fazer estremecer qualquer rua, não importa o quão segura esteja. As guitarras que vão surgindo retiram influências à música árabe, e os sintetizadores tornam a música espaçosa, dando o espaço necessário para Mafama brilhar com os seus vocais manipulados.

Sarnadas faz-nos levitar com The Humm, a segunda parte do projeto de música ambiente do artista

Sarnadas
Fotografia: Divulgação

The Humm é a segunda parte do projeto de música ambiente de João Sarnadas (Coelho Radioactivo), que aqui se apresenta apenas como Sarnadas. A primeira parte do projeto, The Hum, tinha sido lançado em setembro do ano passado.

Se The Hum era povoado por texturas mais negras, a puxar mais ao droneThe Humm aproxima-se mais do lado ambiente puro, com as suas texturas mais etéreas e celestiais, como se “do despertar do que de um sonho lúcido” se tratasse. Bastante cinematográfico e espaçoso, The Humm é um disco belo à sua maneira, pronto para ser disfrutado durante uma sessão de leitura ou apenas para a panorâmica de fundo para um dia chuvoso e nublado.

Tomás Adrião apresenta pop bem construída em Perdoa Se Há Em Mim Pressa Para Ser Feliz

Tomás Adrião à escuta
Fotografia: Divulgação

Tomás Adrião revela (finalmente) o seu disco de estreia. Depois de um longo compasso de espera e de cinco singles, Perdoa Se Há Em Mim Pressa Para Ser Feliz é finalmente revelado ao mundo. O disco conta com colaborações com artistas como Elisa, Cláudia Pascoal e LEFT., tendo a produção do disco tendo ficado a cargo, em grande parte, deste último e de SUAVEYOUKNOW.

Tomás trabalhou ainda com autores como Tainá, Mikkel Solnado ou Marisa Liz para conceber as faixas deste seu primeiro trabalho. A pop de Tomás vai beber a vários sítios – ao indie, ao rock, à bossa nova e ao fado, por exemplo – para criar uma sonoridade muito própria que acaba por estar bem equilibrada entre momentos mais introspetivos, com os seus arranjos a puxar mais para o lado emocional, e outros mais divertidos, onde a instrumentação orgânica do trabalho brilha.

E qualquer que seja o lado em que estejamos deste trabalho, há a garantia de refrões orelhudos e da presença constante da suave e bela voz de Tomás. Perdoa Se Há Em Mim Pressa Para Ser Feliz pode ter sido um processo demorado mas a espera valeu a pena, e confirma Tomás como um dos principais nomes a ter em conta para o futuro da pop portuguesa.

Valter Lobo abre o caminho para o seu próximo disco com ‘Fado Novo

Fado Novo é o primeiro single de avanço do novo disco de Valter Lobo, Primeira parte de um assalto. Produzido por Pedro Sousa Moreira, será o segundo longa-duração do artista depois de Mediterrâneo, lançado em 2016, um disco que tem ganho cada vez mais carinho entre o público português.

Contando com colaboração de Jorge Moura na guitarra elétrica, ‘Fado Novo‘ é uma faixa emocionante, onde a voz de Valter brilha, apresentando uma entrega influenciada pelo nosso fado. O instrumental, influenciado pelo folkslowcore, é um belo crescente constante até atingir o seu clímax, em que a voz de Valter e as guitarras se apresentam no seu pico de libertação de emoção.

Fado Novo‘ é uma belíssimo primeiro olhar para este novo disco de Valter Lobo, que cada vez mais se antecipa como um dos mais aguardados do ano para os fãs de música portuguesa.

A meditação guiada, carregada de psicadélicos, dos Unsafe Space Garden

Unsafe Space Garden
Fotografia: Divulgação

Bro, You Got Something In Your Eye – A Guided Meditation é o nome do novo disco dos Unsafe Space Garden, projeto musical liderado por Nuno Duarte (guitarras e vocais), acompanhado por Alexandra Saldanha (sintetizadores e vocais), João Silvestre (baixo), Rui Pacheco (guitarras) e Pedro Oliveira (baterias). O disco conta com a colaboração extra de vários outros músicos e indivíduos para ser concretizado.

O sucessor de Guilty Pleasures, disco do ano passado, vê o grupo elevar-se de um trio para um quinteto, o que resulta numa expansão da sonoridade do projeto. Bro, You Got Something In Your Eye – A Guided Meditation é um trabalho extremamente eclético com várias influências: do folk ao krautrock, do rock psicadélico à própria eletrónica. A junção destes géneros todos neste caldeirão de neopsicadélico faz com que o disco tenha um toque bastante progressivo e experimental durante toda a sua duração, aumentado ainda mais pelas dinâmicas caóticas (no bom sentido) que o grupo vai criando nas faixas.

Há trocas rápidas e intensas entre estilos e sonoridades dentro do disco mas, de uma forma quase mágica, o grupo consegue fazer este caos funcionar. Este segundo longa-duração do grupo é toda uma experiência transcendental guiada pela sua música e letra – que varia entre devaneios filosóficos e meditativos até ao humor –  e que, nas palavras dos próprios, “não é para ser (simplesmente) escutado ou estudado, é para ser vivenciado“. Eles têm toda a razão.

YINIH estreia-se com ‘Sound Out The Bell’

Sound Out The Bell’ é o single de estreia de YINIH, o nome artístico pelo qual se apresenta a cantora e compositora Inês Andrade. Nesta sua primeira carta de apresentação ao mundo, Inês revela-se como uma vocalista carismática e exímia, pronta a demonstrar todo o seu alcance vocal. O instrumental é povoado por sintetizadores escuros e retira influências à soul, ao R&B e à pop.

Há baterias gigantes e dinâmicas que ajudam a manter a groove da faixa em toda sua extensão, apimentada por pequenos detalhes, sejam estes guitarras escondidas no fundo ou camadas de sintetizadores, que ajudam a criar uma atmosfera massiva para que Inês brilhe. O refrão é orelhudo e pujante, surgindo quase como um grito libertador no meio da escuridão que paira sobre ‘Sound Out The Bell‘. Este é o primeiro avanço do seu EP de estreia, que deverá de ser lançado ainda durante este ano.

 

 

Mais Artigos
Maria João Abreu
A Serra. Personagem de Maria João Abreu já tem final definido