Óscares 2021. Os nomeados a Melhor Realizador ‘ao detalhe’

O Espalha-Factos preparou uma análise sobre cada nomeado das seis categorias mais importantes da noite

A cerimónia dos Óscares 2021 realiza-se este domingo, 25 de abril. No meio de circunstâncias muito diferentes a que estes prémios nos foram habituando, a festa do cinema realizar-se-á em três cidades diferentes (Los Angeles, Londres e Paris) pela primeira vez e, tal como tem acontecido nas edições passadas, esta também não terá um apresentador fixo. 

Como acontece todos os anos, os nomeados são escolhidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas com o intuito de premiar aqueles que foram os melhores no cinema durante 2020 e início de 2021.

O Espalha-Factos preparou uma análise sobre cada nomeado das seis categorias mais importantes da noite (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Atriz Secundária e Melhor Ator Secundário), dando a conhecer um pouco de cada um dos seus respetivos candidatos. Neste artigo examinamos os candidatos ao Óscar de Melhor Realizador, um dos prémios mais cobiçados da noite, tendo sido vencido por Bong Joon-Ho no ano passado.

Thomas Vinterberg (Another Round)

Um desconhecido do grande público e dos fãs de cinema mais mainstream, Thomas Vinterberg foi uma das nomeações mais surpreendentes de todo o lote, dado que era algo que ninguém esperava que acontecesse.

Nomeado pelo filme Another Round, um estudo do efeito do álcool nas pessoas, o realizador dinamarquês é um dos fundadores, juntamente com Lars Von Trier, do movimento cinemático Dogma 95, que dita simplificar a produção de filmes, algo que vai contra boa parte das regras tradicionais dos filmes de Hollywood, e que não é bem vista por toda a gente. Por isso mesmo, a surpresa da sua nomeação foi enorme.

Não deverá vencer, nem deverá estar perto de o fazer, mas a sua presença aqui, por tudo o que significa, poderá significar uma constante abertura da Academia a novos estilos e formas de fazer filmes, algo que tem acontecido ao longo dos últimos anos.

David Fincher (Mank)

Um nome que dispensa qualquer tipo de apresentações, David Fincher chega a esta cerimónia depois dos seus filmes terem obtido mais de 40 nomeações para Óscares, entre elas estão três de Melhor Realizador para o americano.

Mank, o filme que realizou, é o mais nomeado em toda a edição dos Óscares com dez nomeações mas, apesar disso, é expectável que saia de mãos a abanar. David Fincher já teve esforços melhores, cinematograficamente falando, ainda que Mank não esteja sequer perto de ser um mau filme mas acaba por ser uma desilusão dado o potencial do projeto.

Ainda não deverá ser desta que Fincher conquista um dos poucos prémios que lhe faltam no seu museu pessoal, mas veremos se isso não acontece no próximo filme, outro cujo potencial não falta.

Lee Isaac Chung (Minari)

Outro nome relativamente desconhecido do grande público e um estreante no que a Óscares diz respeito, Lee Isaac Chung chega a esta cerimónia com Minari, um projeto extremamente pessoal para si e que acabou por salvar a sua carreira.

Em meados de 2018, o realizador americano com origens sul-coreanas ponderou deixar o mundo do cinema porque não se sentia motivado, mas decidiu dar mais uma oportunidade à sua carreira. O resultado foi o que se viu, com Minari a arrebatar os críticos um pouco por todo o mundo.

A abordagem do realizador é muito pessoal, sentimental e emocional, sendo um dos filmes mais tocantes entre todos os que estão nomeados. Num mundo normal, o Óscar seria seu. Como a Academia é tudo menos normal, deverá perder para Chloé Zhao, contudo o futuro parece muito risonho para o realizador.

Emerald Fennell (Promising Young Woman)

Numa categoria cheia de estreantes e nomes desconhecidos para quem não está muito por dentro do mundo do cinema, Emerald Fennell é mais uma cara nova nesta cerimónia depois de ter realizado o muito laureado Promising Young Woman.

Uma atriz, escritora e realizadora, Emerald apareceu em filmes como The Danish Girl e Anna Karenina e foi parte importante na série The Crown, sendo também uma das escritoras principais da série Killing Eve. O filme Promising Young Woman foi o que se seguiu, conseguindo quatro nomeações para Óscares.

A realizadora é a primeira mulher britânica a ser nomeada nesta categoria, realizando Promising Young Woman com a determinação e coragem de quem já faz isto há décadas. Ainda que o ponto alto principal do filme seja a atuação de Carey Mulligan, o filme acabaria perdido não fosse a realização de Emerald Fennell, que garantiu o seu lugar nesta categoria com muito mérito.

Chloé Zhao (Nomadland) 

Tudo o que foi escrito acima acaba por não interessar porque, tal como a maioria das categorias em que alguém pertencente a Nomadland está nomeado, é mais um prémio sem história. Chloé Zhao e o seu filme tem dominado por completo esta época de prémios, tendo conseguido (até agora) 96 vitórias entre 153 nomeações, onde a maioria ainda nem sequer foi anunciada.

Se merece ou não, fica à consideração de cada um. Nomadland é uma verdadeira aventura filosófica para alguns, enquanto para outros é um deserto de ideias, vazio e até contraditório. Chloé Zhao, mesmo sem ter grande habilidade para o storytelling neste filme, conseguiu construir um filme que está a ter um sucesso que não se esperava, e vai ser a vencedora deste prémio sem qualquer tipo de dúvida.

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