Óscares
Fotografias: Divulgação/D.R.

Óscares 2021. As nomeadas a Melhor Atriz ‘ao detalhe’

O Espalha-Factos preparou uma análise sobre cada nomeado das seis categorias mais importantes da noite

A cerimónia dos Óscares 2021 realiza-se este domingo, 25 de abril. No meio de circunstâncias muito diferentes a que estes prémios nos foram habituando, a festa do cinema realizar-se-á em três cidades diferentes (Los Angeles, Londres e Paris) pela primeira vez e, tal como tem acontecido nas edições passadas, esta também não terá um apresentador fixo. 

Sendo habitual, os nomeados foram escolhidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas com o intuito de premiar aqueles que foram os melhores no cinema durante 2020 e início de 2021.

O Espalha-Factos preparou uma análise sobre cada nomeado das seis categorias mais importantes da noite (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Atriz Secundária e Melhor Ator Secundário), dando a conhecer um pouco de cada um dos seus respectivos candidatos. Neste artigo examinamos os candidatos ao Óscar de Melhor Atriz, um dos prémios mais imprevisíveis da noite, tendo sido vencido por Renée Zellweger no ano passado.

Andra Day (The United States vs. Billie Holiday)

De há uns anos para cá que a categoria de Melhor Atriz conta sempre com uma nomeada que participou num filme que teve uma reação crítica pouco positiva. O caso do ano passado aconteceu com Renée Zellweger, que acabou por vencer, e a fava deste ano calhou a Andra Day pela sua interpretação de Billie Holiday, um nome reconhecível por todos.

Naquele que é o primeiro papel principal da cantora, Andra Day dominou por completo a personagem, quer seja com os seus maneirismos ou pela voz característica de Billie Holiday, dando um espetáculo de talento que, infelizmente, foi marcado pela confusão que é o produto final de The United States vs. Billie Holiday.

Andra Day acabou por vencer o Globo de Ouro para Melhor Atriz em Filme Dramático, de forma bastante surpreendente, contra as mesmas mulheres que tem pela frente nos Óscares mas não é crível que vença, sendo, a este ponto, a menos favorita de todas a arrecadar o prémio.

Viola Davis (Ma Rainey’s Black Bottom)

Viola Davis em Ma Rainey

Uma nomeação que não faz muito sentido, não por ter falhado na sua interpretação mas por aparecer pouco tempo e ser claramente uma personagem secundária, Viola Davis chega aos Óscares de 2021 com mais uma nomeação para Melhor Atriz, depois de ter vencido o Óscar de Melhor Atriz Secundária com Fences, em 2017, e ter sido nomeada em 2008 e 2011 por Doubt e The Help, respetivamente. 

Como qualquer filme de Viola Davis, Ma Rainey’s Black Bottom é carregado de emoção e tem uma aura pesada, desenrolando-se entre cenas com Chadwick Boseman e Viola Davis, com a última a ter muito pouco tempo de ecrã para justificar esta nomeação nesta categoria mas dando espetáculo, como também já é habitual nela. 

Uma nomeação para Melhor Atriz Secundária faria mais sentido, prémio que ganharia sem problemas, mas nesta categoria em particular tudo pode acontecer e é impossível prever o vencedor, mas a verdade é que as casas de apostas a apontam como a segunda favorita à vitória. 

Vanessa Kirby (Pieces of Woman)

Tal como Andra Day, a britânica Vanessa Kirby chega a esta cerimónia com o peso de estar inserida num filme onde as críticas foram bastante mistas, ainda que superiores àquelas recebidas por The United States vs. Billie Holiday

A atriz, que em tempos foi considerada como a principal favorita à vitória deste Óscar com bastante distância para a segunda classificada, carregou completamente Pieces of Woman às costas, sendo ela a razão pela qual esse filme ainda é falado hoje em dia. A performance foi cheia de emoção, triste, crua e devastadora e, como tal, o seu lugar aqui é mais que merecido. 

No meio disto tudo, é pena Pieces of Woman ter acabado esquecido no corredor da morte do cinema, visto que não é muito bom, mas ainda bem que todos os votantes da Academia ignoraram isso e deram a nomeação a Vanessa Kirby, ela que nos deu uma das melhores performances do ano. 

Frances McDormand (Nomadland)

Nomadland chega cheio de força para esta cerimónia dos Óscares, com muitas vitórias praticamente garantidas. No entanto, uma das poucas que não parece assim tão certa é a vitória de Frances McDormand no Óscar de Melhor Atriz, sendo até a mulher com a pior performance entre todo o lote de nomeados. 

Frances foi nomeada por seis vezes, vencendo por Fargo e Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, e logo aí tem o seu principal handicap: a Academia raramente dá um terceiro Óscar a quem quer que seja. A juntar a isso, a americana tem o pior desempenho da lista, ainda que continue a ser muito bom. Frances McDormand bem tenta passar emoções no vazio de ideias que é Nomadland e consegue suceder na maior parte das vezes, o que por si só já é uma proeza. 

Veremos se a Academia lhe vai dar o Óscar depois da sua vitória na cerimónia dos BAFTA ou se o único Óscar que vai levar para casa é para assinalar a vitória de Nomadland na categoria de Melhor Filme, já que ela é uma das produtoras do grande favorito à vitória.

Carey Mulligan (Promising Young Woman)

Desde a sua primeira nomeação, há 11 anos, que Carey Mulligan teve mais que um trabalho que justificaria uma nomeação para os Óscares. Chegou finalmente, depois da interpretação de Cassie em Promising Young Woman, e tem-lhe valido reconhecimento um pouco por todo o lado. 

Atravessando o ecrã com uma presença assinalável, um carisma enorme e entoando as falas de forma sarcástica e séria, Carey Mulligan deu uma das melhores performances da sua vida no muito laureado Promising Young Woman, um dos grandes favoritos à vitória de Melhor Filme. A britânica tem uma performance destruidora, levando toda a gente à sua frente e dando vida a uma personagem cheia de traumas. Por todos os motivos e mais alguns, é a melhor interpretação do ano por parte de uma atriz. 

Carey Mulligan é, neste momento, a favorita das casas de apostas a vencer o prémio, com uma ligeira vantagem sobre Viola Davis, e não seria nada surpreendente se o fizesse mesmo. Seria o primeiro Óscar da atriz, um galardão que já devia ter chegado há mais tempo.

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