Circo
Fotografia: Kausik Paul / Pexels

Dia Mundial do Circo. Presidente da República nota dificuldades e espera regresso “em breve”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assinalou este sábado (17) o Dia Mundial do Circo, ao reconhecer “todas as dificuldades” dos artistas e desejando um regresso “em breve” da atividade.

Em nota publicada no site da Presidência, o chefe de Estado “associa-se a todos os trabalhadores, empresas e artistas de circo, com a esperança de que seja possível o regresso dos espetáculos depois de uma paragem forçada no ano passado, já longa, e que tanto tem desafiado as famílias ligadas a esta atividade”.

Mostrando-se “consciente” das dificuldades que os profissionais ligados à arte circense enfrentam, Marcelo Rebelo de Sousa destaca a expressão artística “como património cultural e afetivo do nosso país, e deseja que os circos portugueses possam em breve voltar ao contacto com o público que tanto os acarinha”.

O circo como “parente pobre da Cultura”

No próximo dia 19, segunda-feira, cinemas, teatros e salas de espetáculo voltam a abrir portas, naquele que é um novo e necessário fôlego para o setor da Cultura, um dos mais afetados deste o início da pandemia. No entanto, o circo continua com dificuldades e muitos artistas vêem-se obrigados a mudar de vida para sobreviver.

“Para viver, somos motoristas de pesados, serralheiros, pintores, eletricistas, fazemos os biscates que podemos para ganhar algum dinheiro. As mulheres estão a cozinhar em lares. Somos polivalentes, no circo fazemos de tudo, e é isso que tem ajudado”, relatou Flávio Zeferino Silva, hoje condutor de camiões de logística, outrora domador e apresentador em pista, ao Dinheiro-Vivo.

Na mesma reportagem, Carlos Carvalho, líder da Associação Portuguesa dos Empresários e Artistas de Circo, é rápido a contrariar a ideia do Governo de que “ninguém fica para trás nos apoios”. “No circo, 90% das pessoas foram esquecidas”, garantia, ao mesmo tempo que depositava alguma esperança no programa Garantir Cultura, anunciado pela Ministra da Cultura Graça Fonseca, ainda em março.

Através das redes socias, o Circo Victor Hugo Cardinali, o maior do país com mais de 30 anos de história, fez questão de assinalar o Dia Mundial do Circo com um ponto de situação do setor. “Estamos a viver dias negros pelos quais nunca imaginávamos passar, mas a esperança de voltar a erguer as tendas e de ligar as luzes da pista é maior e temos a certeza que em breve melhores dias virão”, pode ler-se.

O grupo vai mais longe e afirma que o circo “continua a ser considerado o parente pobre da Cultura, e nem nestas alturas negras conseguimos alguma atitude positiva por parte do nosso Governo”. Finalmente, é feito o pedido a todos os seguidores para que se mantenham em segurança, e que regressem ao circo assim que seja possível.

Existem 21 animais exóticos em Portugal

De acordo com dados divulgados este mês pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), relativos a 2021, nove entidades circenses registadas têm à sua guarda 81 animais em Portugal, dos quais 21 são exóticos.

O número total destes animais desce em um elemento relativamente a 2020, uma vez que um tigre morreu. Desta forma, contam-se então dois elefantes, dois leões, seis tigres, três crocodilos e oito cobras. Todos os promotores de circo são obrigados a registar os animais e a manter um registo devidamente documentado.

De realçar que em outubro de 2018 a Assembleia da República aprovou em votação global final o diploma que põe fim ao uso permanente de animais no circo, como macacos, leões, elefantes, tigres, ursos, focas, crocodilos, pinguins, hipopótamos, rinocerontes, serpentes ou avestruzes.

Desde 2019, com a promulgação do diploma por parte do Presidente da República, que os animais têm de estar registados num cadastro nacional e apenas podem ser usados no circo num período transitório de seis anos. Posteriormente, compete ainda ao Governo criar um programa de entrega voluntária de animais de circo e financiar a reconversão e qualificação profissional de domadores e tratadores que trabalhassem com as respetivas espécies.

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