Festa do Avante
Fotografia: Festa do Avante / Facebook

Festa do Avante volta em setembro. E os festivais de verão?

O evento regressa à Quinta da Atalaia

O Partido Comunista Português (PCP) confirmou esta sexta (16), através do jornal Avante, a realização da 45.ª Festa do Avante para os dias 3, 4 e 5 de setembro.

As datas haviam sido previamente avançadas em outubro do ano passado e foram agora oficialmente confirmadas pelos comunistas. O evento regressa à Quinta da Atalaia, “num espaço ao ar livre com mais de 30 hectares, 300 mil metros quadrados” e com o respeito por “todas as normas e recomendações de segurança sanitária”.

Para a edição deste ano, e à semelhança de 2020, a organização volta mais uma vez a privilegiar os espetáculos de artistas portugueses, bem como de estrangeiros que estejam radicados em Portugal e ainda de originários de países africanos de língua portuguesa. “Não é pos­sível à Festa do Avante! e ao Par­tido que a pro­move man­terem-se indiferentes ao mo­mento de es­pe­cial di­fi­cul­dade que os ar­tistas, téc­nicos, pro­gra­ma­dores, agentes e todos, mas mesmo todos os que con­tri­buem para que um es­pec­tá­culo se re­a­lize, estão a passar”, lê-se na publicação.

Esta será a segunda vez que o PCP avança com o festival político-cultural em pandemia. No ano anterior, o festival necessitou de um parecer positivo da Direção-Geral de Saúde (DGS), cujas recomendações permitiam 16.563 pessoas por dia, no máximo, no recinto. A venda de bebidas alcoólicas foi proibida a partir das 20h, com exceção na zona de restauração. Era ainda mencionado o dever de manter a distância de dois metros, que a circulação fosse realizada em sentido único e que os espaços dos espetáculos estivessem organizados em plateia, com lugares sentados.

No jornal Avante!, os comunistas adiantaram o Concurso de Bandas JCP, aberto a músicos e bandas profissionais e amadores, de todas as correntes musicais, que apresentem temas originais. Para lá dos vários espetáculos de teatro e cinema ao ar livre, mostras de gastronomia, exposições diversas, debates e ações políticas, a organização garante o regresso de um espetáculo de música sinfónica.

Os festivais adiados, que se mantêm ou que esperam por diretivas

O festival North Music Festival, que habitualmente é um dos primeiros eventos musicais de grande dimensão a acontecer todos os anos, anunciou quinta (15) que decorrerá mesmo em 2021 na Alfândega do Porto. A promotora optou por adiar o festival, inicialmente previsto para maio, para os dias 30 de setembro e 1 e 2 de outubro. Neste sentido, confirmou ainda a manutenção dos cabeças de cartaz internacionais já anunciados no ano passado: Deftones, Waterboys e The Script.

Em sentido contrário estão os festivais NOS Primavera Sound, Rock in Rio Lisboa, Gouveia Art Rock, ID No Limits e EDP Cool Jazz, todos eles adiados para 2022. Os dois primeiros anunciaram mesmo a decisão com apenas dois dias de diferença, ainda em março. “Tomámos esta tão dolorosa decisão devido às incertezas que rodeiam a realização de grandes espetáculos nas datas originais do NOS Primavera Sound – 10 a 12 de junho -, que adicionadas às restrições que existem atualmente, fazem com que não seja possível trabalhar com normalidade na preparação do festival nem assegurar a sua realização”, afirmava a organização. A novas datas de 9, 10, 11 e 12 de junho de 2022 deverão voltar a levar milhares de festivaleiros ao Parque da Cidade, no Porto.

NOS Primavera Sound
O NOS Primavera Sound tinha como cabeças de cartaz Tame Impala, Tyler, The Creator e Gorillaz. Fotografia: Pedro Mkk

Já o Rock in Rio Lisboa, de grandes dimensões, foi rápido a cancelar a edição deste ano, já que os trabalhos deveriam ter começado logo em finais de fevereiro ou inícios de março. “Por esta altura, estaríamos a preparar a entrada de materiais e fornecedores no Parque da Bela Vista para dar início à construção de mais uma Cidade do Rock”, explicava Roberta Medina, vice-presidente do evento, que agora se realiza nos dias 18, 19, 25 e 26 de junho de 2022.

Ainda sem dias concretos, o EDP Cool Jazz está agendado para julho do próximo ano. Já o ID No Limits acontece a 25 e 26 de fevereiro e o Gouveia Art Rock a 23, 24 e 25 de abril de 2022. Apenas relativamente a estes espetáculos, os festivaleiros perdem, pelo menos para já, a oportunidade de ver nomes como Tame Impala, Foo Fighters, Doja Cat ou Black Eyed Peas. Também o Boom Festival foi adiado para julho de 2022.

Os restantes festivais estão ainda dependentes de novas diretrizes do Governo, nomeadamente à espera que sejam agendados os eventos teste-piloto, que permitirão atestar a sua viabilidade. Por exemplo, o MEO Marés Vivas já vendeu mais de 20 mil bilhetes e mantém as datas para julho deste ano, ao passo que o Vodafone Paredes de Coura começou efetivamente a ser montado para se realizar em agosto. No entanto, tudo permanece em aberto, seja para estes dois festivais, como para todos os outros que continuam maioritariamente em silêncio, ainda com todas as suas datas intactas, tais como o NOS Alive, o EDP Vilar de Mouros ou o MEO Sudoeste.

Devolução de bilhetes

A principal expectativa dos promotores dos principais festivais de verão é que os eventos teste-piloto, aprovados no início deste mês em Conselho de Ministros, permitam atestar a viabilidade destes grandes eventos culturais. Esta é, de resto, uma opção já estudada, ainda no ano passado, em cidades como Londres ou Barcelona. Os eventos seriam uma espécie de bolhas livres de contágio, onde assistir a música ao vivo se tornaria seguro.

Segundo o comunicado que seguiu o Conselho de Ministros, “no caso de espetáculos inicialmente agendados para o ano de 2020 e que ocorram apenas em 2022, prevê-se que os consumidores possam pedir a devolução do preço dos bilhetes, no prazo de 14 dias úteis a contar da data prevista para a realização do evento no ano de 2021”.

No caso de o consumidor não pedir a devolução dos seus bilhetes, “considera-se que aceita o reagendamento do espetáculo para o ano de 2022”. O mesmo acontece com os vales emitidos com validade até ao final do ano de 2021, “que passam a ser válidos até final do ano de 2022”.

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