Love and Monsters
Fotografia: Netflix

Crítica. ‘Love and Monsters’ é apocalipticamente encantador

O filme pós-apocalíptico, protagonizado por Dylan O'Brien, estreou na Netflix a 14 de Abril

Love and Monsters estreou na Netflix no dia 14 de abril. O filme de 2020, protagonizado por Dylan O’Brien, já tinha sido lançado em alguns cinemas e em video on demand em outubro do ano passado, mas chegou apenas agora à plataforma de streaming.

Love and Monsters passa-se num mundo pós-apocalíptico em que toda a superfície terrestre foi tomada por monstros, insetos que se tornaram gigantes depois de levarem com químicos provenientes da explosão de um meteorito. A população que sobreviveu às mudanças vive debaixo da terra, em bunkers que chamam de colónias.

A história é protagonizada por Joel (O’Brien), um rapaz sem muito jeito para sobreviver no novo mundo e que nunca sai da sua colónia. As suas maiores contribuições para a sua comunidade são cozinhar e conseguir sintonizar o rádio. E é assim que Joel acaba por conseguir entrar em contacto com Aimee (Jessica Henwick), a sua namorada antes do apocalipse, que está numa colónia a 130 quilómetros de Joel. Movido pela vontade de voltar a estar com ela, Joel decide percorrer o caminho até lá – algo nunca antes feito. 

AVISO: Este artigo contém spoilers

Companheiros de viagem

Um dos pontos mais fortes deste filme são os companheiros que Joel encontra pelo caminho. Sendo alguém que não saía da colónia por ser desajeitado e pela sua tendência para paralisar, Joel precisa de alguma ajuda para chegar ao seu destino. Começa por se cruzar com uma das melhores personagens do filme, Boy, um cão que ficou sem donos. Depois de Boy o ajudar a escapar ao primeiro monstro com que se cruza, viajam juntos na demanda de Joel -sim, este é um daqueles filmes fofinhos em que o cão é o melhor amigo do homem mas, por muito clichê que seja, continua a ter o efeito encantador desejado.

Mais tarde, Joel conhece Clyde (Michael Rooker), um homem mais velho que acompanha Minnow (Ariana Greenblatt), uma criança que ficou sem pais. Juntos, ensinam a Joel todos os truques de sobrevivência e tudo o que sabem sobre o mundo em que vivem. Joel encontra também uma MAV1S funcional, um robô que ele nunca tinha visto ligado e que é quase uma metáfora para o que tinha estado a perder fechado na colónia.

São os companheiros de viagem de Joel que trazem outra vida à primeira parte do filme. Acompanhamos o desenvolvimento de Joel enquanto este aprende a lidar com o novo mundo, e é surpreendentemente bem-sucedido. O que podia muito bem ter sido uma hora aborrecida de uma personagem a correr e a fugir de monstros, sozinho, acaba por ser uma hora de momentos divertidos e até queridos, como quando os papéis se invertem e é Joel que tem de salvar Boy de um monstro, mostrando que se afeiçoou bastante ao cão.

A colónia de Aimee

Contra todas as expectativas, Joel consegue chegar à colónia de Aimee – e é aí que percebemos que este filme não é simplesmente sobre perseguir o amor, até porque, quando os dois se encontram, ainda há meia hora de filme por ver. 

 

Love and Monsters
Fotografia: Netflix

O desenvolvimento da relação entre Aimee e Joel é francamente refrescante e, de certo modo, inesperado. Joel parte nesta viagem nunca antes feita para se reunir com a namorada, o que acaba por não resultar da forma esperada. Ainda assim, o desfecho faz bastante sentido, tendo em conta que o filme é, sobretudo, sobre a jornada de descoberta e crescimento de Joel. E é também este desfecho que evita este filme de cair no mais profundo clichê, pois nem tudo corre como planeado e não há um casal feliz no final, mas sim duas pessoas que mudaram e que conseguem reconhecê-lp.

A prova final

Mas Joel não é a única pessoa que chegou à colónia de Aimee recentemente. Vários sobreviventes estão de visita e convencem toda a colónia a embarcar num navio e deixar a vida debaixo de terra. No entanto, é tudo um engodo para lhes poderem roubar comida – o que serve quase de punchline para uma piada recorrente no filme – e condenarem a colónia à morte. É aqui que Joel demonstra tudo o que aprendeu, ao ter de salvar todos de um monstro dominado pelos sobreviventes. 

 

Love and Monsters
Fotografia: Netflix

 

Mas apesar de ser um momento importante, no qual Joel prova não só que consegue fazer mais do que achava, como também que nem todos os monstros são maus, sabe a pouco. Depois de tudo o que a personagem passou para chegar à colónia, o confronto final parece demasiado simples e o vilão, fraco demais. Ainda assim, e apesar de parecer até que a dificuldade dos desafios enfrentados diminui, é bom ver o que o protagonista aprendeu e compreende agora que nem todos os monstros que encontrarem vão ser necessariamente maus e perigosos.

Os efeitos especiais

Como é de esperar, um filme sobre um mundo pós-apocalíptico que envolva monstros tem de caprichar nos efeitos especiais. Love and Monsters está nomeado para o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, uma nomeação que é merecida. Os monstros, que consistem em insetos e animais gigantes, são bastante bem representados e até, tanto quanto possível, realistas. Uma das lições mais importantes que Joel aprende consiste em ver as intenções de um monstro nos seus olhos, um efeito super bem conseguido e consistentemente visível em todos os que aparecem ao longo do filme. No fundo, os efeitos vêm, como é suposto, consolidar a história e ajudar a envolver ainda mais o espectador.

Uma utopia pós-apocalíptica?

A história de Joel acaba por servir de inspiração a outros, que seguem o seu exemplo e começam a abandonar as colónias. A mensagem “se eu consigo, vocês também” acaba por se espalhar e inspirar todos os sobreviventes a quererem mais do que aquilo com que se têm conformado. É claramente uma mensagem utópica, mas serve, também, quase como uma crítica ao comodismo e um incentivo a sonhar mais alto.

Love and Monsters nunca seria um candidato a melhor filme do ano nem será uma obra cinematográfica para a história. Mas é um filme com encanto e com uma mensagem de esperança, algo que será sempre bem recebido, especialmente nos tempos que vivemos.

 

 

Love and Monsters
Love and Monsters
7.5
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