Vento Norte
Créditos: Hugo Delgado | Recados do Mundo Filmes

‘Vento Norte’. Entre a pré-ditadura e os loucos anos 20, conhece a nova série da RTP

A produção tem estreia marcada para dia 14 de abril

Entre a intriga e o drama, Vento Norte é a próxima aposta de ficção nacional da RTP. O romance histórico, que reproduz um Portugal à beira da ditadura em plenos ‘loucos anos 20’, estreia na próxima quinta-feira, a 14 de abril.

Enquadrada no género de série de época, já algo habitual nas produções da estação pública, Vento Norte está dividido em dez episódios e conta com realização de João Cayatte, que partilha toda a idealização do projeto com Lacerda Matos e Almeno Gonçalves. Já o elenco está repleto de 66 nomes, entre os quais Joana de Verona, Sisley Dias, Iris Cayatte, António Melo, Ana Zanatti e Rodrigo Tomás.

A trama desenrola-se em redor da história dos Mello, uma família aristocrata do Minho, em princípios do século XX, mas também dos seus criados. Todos juntos, num pós Primeira Guerra Mundial, vivem as suas vidas ao mesmo tempo que assistem ao desenrolar dos acontecimentos entre 1919 e que vão culminar no golpe de 28 de maio de 1926, que institui a Ditadura Militar e, mais tarde, o Estado Novo.

É neste cenário, num país de brandos costumes com segredos e jogadas políticas, que amores impossíveis e paixões arrebatadoras dão cor ao ecrã. Uma quase dicotomia entre o Portugal que se aproxima de uma ditadura e aquela que ficou conhecida como a época de maior efervescência do século passado.

Tudo isto se passa em Braga que, “com as suas contradições, trabalhadores agrários, operários da indústria têxtil, prostitutas, padres e a pequena burguesia, circundam as histórias das personagens centrais” e remetem o público para o mundo dos Mello, aqui representado no Solar dos Biscainhos. Também a vila raiana de Arcos de Valdevez e a freguesia de Lago, Amares, dão palco a alguns dos momentos mais intensos e emocionantes da história.

Os Mello e restantes protagonistas

Vento Norte conta com dois núcleos coesos e relativamente próximos entre si. São eles os empregados e respetiva família: Joana (Eva Barros), Arminda (Margarida Carpinteiro), Virgínia (Ana Catarina Afonso), João Ferro (António Melo), Josefina Ferro (Teresa Faria), Albertina Ferro (Iris Cayatte) e Maria Ferro (Sílvia Chiola), mas sobretudo os Mello. Conhece os cinco elementos desta família:

Afonso Mello – Almeno Gonçalves

Vento Norte
Fotografia: Divulgação/RTP

Afonso Mello é apresentado como sendo um homem ligado à monarquia. O patriarca da família, que havia feito parte do governo de João Franco como deputado em Lisboa, está ligado aos principais empresários da sua região, que fizeram a transição para o novo regime. Por isso mesmo, assume uma postura de profundo respeito e atenção para a região e para o rumo que esta toma, olhando com desconfiança para o que se passa na capital.

É com esta premissa que se vê como parte integrante da conspiração que do Norte do país levará os portugueses a um Golpe que instaurará a Ditadura Militar e, posteriormente, o Estado Novo. Para si, a participação nacional na Primeira Grande Guerra, que levou à morte de muitos combatentes, foi um claro exemplo de tudo aquilo que está errado na República. A situação do país em 1919 fá-lo ansiar pela mudança, mas esconde um grande segredo.

Isabel Mello – Natália Luiza

Vento Norte
Fotografia: Divulgação/RTP

Contrariamente ao marido Afonso, extremamente conservador, que conheceu em Lisboa, Isabel Mello destaca-se por ser uma mulher liberal, moderna e ligada às correntes artísticas da capital.

Por essa razão, a vida em Braga não a preenche. O excesso de religião, de padres e de missas oprime-a, o que a faz raramente deixar o Solar dos Biscainhos para se deslocar à cidade. Muito avançada intelectualmente para a época, ainda mais para um meio menos citadino, Isabel tem já uma visão de futuro para os direitos das mulheres. É ainda o grande apoio para os seus três filhos, Tomaz, Ricardo e Margarida.

Tomaz Mello – Sisley Dias

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Fotografia: Divulgação/RTP

“Não faça essa cara, meu pai. Eu ainda não estou morto”, diz ao regressar a casa. Com 28 anos, Tomaz Mello é o filho mais velho do casal Afonso e Isabel. Contra a vontade de Afonso, partiu para a Primeira Guerra e de lá voltou com sequelas provocadas pelos gases tóxicos das batalhas.

Ainda assim, o seu regresso é muito esperado por toda a família, em especial pelo seu pai, que vê o herdeiro da sua  fortuna e propriedades como um homem destruído. Nutre uma grande paixão pela empregada Joana.

Ricardo Mello – Rodrigo Tomás

Vento Norte
Fotografia: Divulgação/RTP

Apesar de ser o mais novo de três irmãos, aparentemente pouco absorveu com a sua convivência, uma vez que tem uma postura muito diferente destes. Ricardo Mello nunca gostou de estudar e, tal como o seu pai, é conservador, sendo que apresenta ainda uma forte ligação à igreja.

Apesar de alguma parecença com o pai no que aos costumes diz respeito, não deixa de receber dele pouca empatia pela sua maior paixão, o futebol. Afonso detesta que o filho se dedique a um “desporto de brutos” e proíbe-o mesmo de jogar. Para o jovem, que conseguiu escapar à guerra, o desporto não só uma forma de estar com os amigos, como também de se afastar do pai. Tem uma relação muito mais próxima com os empregados do que com os pais.

Margarida Mello – Patrícia Pinheiro

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Fotografia: Divulgação/RTP

Filha do meio, uma rapariga entre dois rapazes, Margarida Mello nunca gostou de Braga. Escolheu deixar a cidade e viver na Lapa, em Lisboa, em casa da avó D. Teresa (Ana Zanatti), que teria a função de tomar conta dela e garantir que seguia um rumo educativo de acordo com os padrões clássicos e religiosos de uma família do Norte.

Contudo, Margarida é uma jovem rebelde e rapidamente fica imersa na cultura urbana de uma capital que se está a despertar da Revolução Republicana e cheia de vida. Tal como a mãe, é sensível às questões culturais, apresentado neste caso um fascínio pelo cinema. Tem ainda um vício em lhe trará consequências na vida e, após o retorno do seu irmão e a sua incapacidade física para dar continuidade ao nome da família, é chamada de novo a Braga.

O elenco conta ainda com outras personagens como Mariana (Joana de Verona), a filha bastarda de Afonso, Apolónio (Rúben Rios), um jovem com ligações aos anarquistas e comunistas galegos, ou Gomes da Costa (José Martins), chefe do Golpe Militar de 28 de maio que partiu de Braga.

Vento Norte é baseado em factos verídicos e tem estreia marcada para dia 14 de abril, pelas 21h, na RTP1.

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