RTP
Fotografia: Pantalha/RTP

RTP. Administração quer chegar aos jovens com conteúdos multiplataforma, mais cultura e desporto

Os novos administradores da emissora pública reabrem também a possibilidade de se criar uma RTP4.

A nova administração da RTP tem como principal objetivo a dinamização de conteúdos multiplataforma na estação durante os próximos três anos. Nas prioridades estão ainda chegar aos jovens, o desenvolvimento digital, maior rigor na informação e a possibilidade de reformulação de canais temáticos, consta do Plano Estratégico para o triénio 2021-2023 apresentado por Nicolau SantosHugo Figueiredo, com o qual se candidataram à administração.

O documento, a que o jornal Expresso teve acesso, relata os objetivos dos administradores, escolhidos no final do mês passado pelo Conselho Geral Independente (CGI) da emissora. Os objetivos apresentados pretendem reforçar a RTP como “o alfa e o ómega da rádio, televisão e do digital em Portugal”, com especial foco na promoção de “projetos, plataformas, experiências” junto de um público mais jovem, um esforço que tem ficado em segundo plano para vários operadores de media. Para tal, pretende-se “alocar equipas, meios e recursos para iniciar o desenvolvimento multiplataforma dos conteúdos para os jovens”.

Maior aposta nas plataformas digitais: RTP PlayRTP Desporto RTP Palco

Um dos principais eixos para esta revitalização consiste em potenciar conteúdos multiplataforma, que consideram não ser “compatível com a alocação exclusiva de orçamentos a canais”. É preciso, por isso, “criar maior transversalidade e flexibilidade nas decisões” para que os conteúdos dos vários canais sejam criados ou adquiridos de raiz a pensar nesta dinâmica: “por exemplo, que seja possível ver ou recuperar episódios de uma série completa no RTP Play, quando no canal TV é exibido apenas um episódio por semana; ou ainda, adquirir direitos desportivos para canal aberto de uma seleção nacional e simultaneamente negociar os restantes jogos desse evento para a plataforma digital.

RTP
Fotografia: RTP

Estas plataformas digitais e com conteúdos em streaming da RTP necessitam, para os administradores, de “novas funcionalidades, a melhoria contínua da usabilidade e a negociação de inclusão nativa nas plataformas dos operadores de cabo”. Devem também ser “ampliadas” as formas de distribuição OTT (over the top, com o utilizador a assistir diretamente na plataforma sem intermediários) dos conteúdos disponibilizados, “uma tendência que se encontra em marcha em vários operadores da EBU [União Europeia de Radiodifusão]”.

No caso do desporto, a aba RTP Desporto, que tem quatro canais preparados para a transmissão integral de competições em paralelo com a emissão tradicional, deve, além de receber transmissões em articulação com os canais televisivos, diversificar o conteúdo apresentado, com aposta num maior número de modalidades, desporto feminino e “fazer acordos com as federações para a transmissão do máximo número de eventos”.

Já o espaço digital para a cultura ao vivo, a RTP Palco, pode apostar em produção própria e “estabelecer parcerias para aumento de arquivo”. A plataforma, lançada em abril do ano passado, oferece centenas de horas de espetáculos, concertos, entrevistas, documentários e os bastidores de áreas como o teatro, ópera, declamação, performance ou o novo circo.

Primeiro e segundo canal com reforço de conteúdo

Para a RTP1, canal “generalista e familiar”, o objetivo é apostar em ainda mais filmes, séries e documentários originais, assim como programas de humor e outros pensados para ver em família. O primeiro canal “deve igualmente continuar a apostar nos grandes eventos musicais, desportivos, culturais e políticos”, com apostas em produtos como concursos de cultura geral, novos formatos de talentos, programas de divulgação de tradições e a transmissão dos grandes eventos do desporto.

Filomena Cautela Quem Quer Ser Milionário
Fotografia: RTP

RTP2 deve reforçar a sua já marcada componente cultural, com “mais cultura e produção própria”.

Reabre-se a possibilidade de uma RTP4

Em menção aos canais temáticos, Nicolau Santos e Hugo Figueiredo não apresentam uma proposta concreta para a RTP Memória, mas interrogam a possibilidade de transformar este canal numa RTP4, a funcionar em articulação com o conteúdo cultural da RTP2.

A ideia tinha sido inicialmente manifestada por Nuno Artur Silva, atual Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, em 2018, à data administrador na estação. A ideia do ex-gestor, que não arrancou, passava por transformar a Memória na 4, um canal dedicado à programação infantil “com conteúdos portugueses, tão necessários para colocar na RTP Internacional, para as segundas gerações de emigrantes”.

Os atuais administradores referem que esta é uma questão “a revisitar no âmbito do novo contrato de concessão”.

Uma informação mais credível e fidedigna

A informação da RTP deve passar a ser “mais ágil, inovadora e de confiança”, além de sóbria e credível. Os administradores visionam uma liderança da agenda mediática, “com 30% do tempo dos seus profissionais destinado a produzir notícias, reportagens, entrevistas e investigações próprias”, e um estrito cumprimento do código deontológico.

Este campo, que recusa “a informação-espetáculo”, quer-se também mais diverso: falar “para públicos muito diversos e para todas as faixas etárias”, e representar “mais mulheres, mais raças, mais géneros, um leque muito mais diversificado de protagonistas”.

A modernização das infraestruturas e equipamentos

Além de uma modernização das plataformas digitais e dos conteúdos, os administradores querem que os estúdios e equipamentos fora de Lisboa sejam renovados à imagem da sede. A prioridade está nos Centros Regionais dos Açores (CRA) e da Madeira (CRM), para os quais se “tem de garantir” que “dispõem dos recursos técnicos e humanos para produzirem e distribuírem não só os canais locais, mas alimentarem outros canais com os seus conteúdos” regionais. O CRM, especialmente, necessita “urgentemente” de requalificação técnica.

Em foco fica, também, o Centro de Produção do Norte (CPN), situado em Vila Nova de Gaia. A segunda base da estação precisa, segundo Nicolau Santos e Hugo Figueiredo, de requalificação a nível dos meios técnicos e da “ampliação do parque produtivo de televisão”.

RTP1 RTP
Centro de Produção do Norte da RTP, em Vila Nova de Gaia | Fotografia: Sofia Matos Silva/EF

O Plano Estratégico para o triénio 2021-2023, que ressalta ainda uma abordagem de “valorização profissional, clarificação das carreiras, de forma aberta, transparente e horizontal”, não apresenta as formas através das quais as propostas serão financiadas. Diz-se apenas que o investimento será “adequado aos desafios identificados, avaliando sempre a relação custo-benefício”.

RTP fechou 2020 com lucro de 3,08 milhões de euros, um valor que triplica face aos resultados de 2019, onde o resultado líquido tinha sido de cerca de 903 mil euros.

Ouve também: Ana Guedes Rodrigues na RTP3: “é um grande desafio” mas “não podia estar a correr melhor”

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Vento Norte, série de horário nobre da RTP1. Na cena, Almeno Gonçalves.
‘Vento Norte’. Um regresso que abala uma família e o país