Cristina ComVida
TVI/Divulgação

Opinião. ‘Cristina ComVida’: a versão compacta de um formato conhecido

Na gaveta desde 2014Cristina ComVida estreou na antena da TVI esta segunda-feira (29). O formato corresponde ao original que acabou por resultar no bem-sucedido O Programa da Cristina, programa diário que foi emitido pela SIC nas manhãs entre janeiro de 2019 e julho de 2020.

O programa marca o regresso de Cristina Ferreira às emissões diárias desde a saída de Carnaxide, em julho de 2020. A estação havia prometido um formato “onde a ficção se mistura com a realidade“, um espaço para receber “as grandes figuras da atualidade – atores, músicos, jornalistas, artistas, escritores, políticos, desportistas, entre tantos outros“.

Na primeira emissão, Cristina recebeu um leque alargado de convidados. Toy surgiu logo ao início, uma presença quase inesperada naquela casa. Célia e Telmo, casal saído da primeira edição do Big Brother em solo nacional, que se realizou na casa que serve agora de estúdio, foram os primeiros convidados. Pelo meio, surgiu a mais recente contratação de Queluz de Baixo, Rúben Pacheco Correia, que se encarregou de preparar o jantar.

Cristina ComVida
Cristina recebeu os irmãos Antonino e Pedro de Sousa. | Fotografia: Divulgação/TVI

Depois, a apresentadora conversou com Antonino e Pedro de Sousa, dois jovens irmãos que são padres. Foi na cozinha que Cristina recebeudepois  Miguel Moura, que participou em All Together Now. O jovem foi surpreendido por Pedro Abrunhosa, autor do tema que interpretou no concurso musical, tendo os dois cantado em conjunto Para os Braços da Minha Mãe. No final, juntaram-se todos na cozinha, enquanto o chefe Rúben serviu o jantar.

Pela descrição, poder-se-ia pensar que se trata, afinal, de um talk-show que ocupa todo o daytime, como acontecia com Dia de Cristina. Mas não, Cristina ComVida tem a duração de uma hora, acontecendo tudo, portanto, de uma forma muito condensada. Esta estratégia tem pontos positivos e negativos. Há que dizer que o facto de acontecer muita coisa em pouco tempo, por um lado, não deixa que o formato se torne fastidioso e cansativo como os talk-shows podem acabar por ser: não há aqui tempos mortos, há sempre algo a acontecer.

Mas essa mesma construção, por outro lado, pode acabar por tornar o programa muito confuso e sem um fio condutor: deixa de haver uma conversa devidamente articulada e consolidada para se cumprir um guião muito preenchido de acontecimentos. Aquela televisão natural, espontânea, das conversas e das emoções a que Cristina Ferreira sempre nos habituou vacila aqui perante o propósito de se querer fazer muita coisa em pouco tempo. Há segmentos mais consolidados ao longo de todo o programa, como a conversa com Miguel Moura e Pedro Abrunhosa hoje foi, mas outras intervenções fazem pensar se isto não se trata de uma espécie de sitcom.

Eduardo Madeira surge várias vezes ao longo de todo o programa, desempenhando vários papéis. A sua função não é aqui do ‘vizinho‘ que recebia convidados e chegava também a fazer a articulação entre segmentos, noutro lado. O ator aparece a quebrar conteúdo e com intervenções pouco essenciais. Os momentos de humor são demasiado esforçados, tirando-lhes uma naturalidade que deviam ter. O mesmo acontece como outros momentos, como quando a apresentadora vai ao quarto descalçar os sapatos: qual é o interesse, ao nível de conteúdo, disto?

Cristina ComVida
Eduardo Madeira desempenha vários papéis no programa. | Fotografia: Reprodução/TVI

O cenário é um dos pontos positivos do formato. A casa que foi utilizada em vários reality shows da TVI serve agora de palco do novo programa, permitindo aos intervenientes explorarem por completo todas as divisões da casa que já tem também um património emocional associado e que foi recordado nesta primeira emissão. De resto, nota-se que Cristina pretende trazer a este programa aquele tipo de televisão casa de família – é uma casa que está sempre a receber gente, com muita azáfama e onde, no fim, todos se reúnem à mesa.

Cristina ComVida acaba por ser, na sua essência, aquele formato que esteve em exibição durante cerca de ano e meio na antena da SIC. A diferença fundamental é que tudo aqui acontece de uma forma muito condensada. Para o bem e para o mal.

Mais Artigos
Audiências Cristina ComVida
Audiências. ‘Cristina ComVida’ perde para ‘A Bíblia’