Salvador Sobral
Fotografia: Divulgação/Caroline Deruas

À Escuta. Salvador Sobral, Samuel Úria e Moullinex são os destaques desta semana

Em mais um capítulo que se fecha na música portuguesa, o À Escuta desta semana, rubrica do Espalha-Factos que divulga as novidades da música portuguesa, confere destaque ao primeiro avanço do novo disco de Salvador Sobral, ao regresso às origens de Samuel Úria e ao novo single de Moullinex, que conta com colaboração de Selma Uamusse.

Esta semana, há ainda, espaço para explorar os novos trabalhos de BernardoCaptain Boy e a estreia em longa-duração dos Perpétua e dos Septeto Interregional. No campo dos singles, joga-se com o revisitar de ‘Vinte Vinte’ por parte de Ana MouraBrankoConan Osíris, a estreia de bunny kills bunny e de FeMa, o regresso de Davide Lobão aos lançamentos, e novos singles de Hause Plantshimalion, vaarwell Vasco Completo.

‘sangue do meu sangue’  é o primeiro avanço do próximo disco de Salvador Sobral

Salvador Sobral está de regresso com o primeiro single do seu novo trabalho, bpm. sangue do meu sangue’ é o título desta faixa e conta com colaboração na letra e música por parte de Leo Aldrey.

sangue do meu sangue’ é, até à data, um dos mais belo arranjos que Salvador Sobral teve possibilidade de apresentar ao mundo. O desenvolvimento do instrumental é belíssimo. O piano enquadra-se perfeitamente na lírica que Salvador vai interpretando de forma mágica, e as notas vão simplesmente surgindo de forma quase natural. Toda a faixa tem esse toque: parece surgir de forma quase natural e, mesmo assim, consegue surpreender. O climáx de ‘sangue do meu sangue’, com as suas guitarras barulhentas e catárticas, é um momento de total surpresa quando surge, mas que faz todo o sentido. E, ainda antes de terminar, a música consegue acalmar-nos e trazer de volta à paz e tranquilidade daquele belo piano.

bpm assinala a primeira vez que Salvador Sobral se aventura na edição de um disco composto inteiramente por originais de sua autoria, em parceria com Leo Aldrey. O disco tem data de lançamento marcada para o próximo dia 28 de maio.

Só Samuel Úria e a sua fiel guitarra em Canções do Pós-Guerra – Solo

Samuel Úria
Fotografia: Divulgação

Canções do Pós-Guerra – Solo é o novo EP de Samuel Úria, onde este apresenta seis registos seus a solo. É só Samuel Úria e um instrumento a brilhar nas mãos de um dos mais belos cantautores contemporâneos da música portuguesa. O EP é constituído por três faixas do seu disco do ano passado, Canções do Pós-Guerra – ‘Guerra e Paz’, ‘Fica aquém‘ e ‘A contenção‘ – mas também por duas músicas que Úria compôs e escreveu para outros artistas – ‘Cantiga de Abrigo’ (composta para Ana Moura) e ‘Sinais’ (escrita com e para os Clã) – e pela versão do artista de ‘Conforme’, de Márcia.

O artista justifica a inclusão destes seis temas da seguinte forma: “A escolha dos temas não esconde grande segredo (e ainda menos me esconde)”, refere. “Como mote, atiro-me a 3 versões de canções do meu último disco. Mas desta missa isso é só metade: para além dos exemplares dum repertório recente, há outras tantas versões – uma canção que fiz para outra artista, uma canção cuja letra escrevi para outra banda, e ainda uma canção que gostaria de ter sido eu a fazer”, explica o cantautor.

De acordo com Samuel Úria, o que liga estes temas todos é a “melancolia real dos primeiros dias de 2021”. E esta melancolia está bem presente neste pequeno trabalho. Ouvimos Samuel da forma mais crua, tal e qual como iniciou a sua carreira. Só ele e a sua guitarra. E é do mais belo e aconchegador que podemos pedir, com toda a certeza.

Moullinex e Selma Uamusse fazem-nos vibrar com ‘Ngoma Nwana’

Ngoma Nwana’ é o último single que Moullinex apresenta antes do lançamento do seu próximo longa-duração, Requiem for Empathy. A faixa conta com colaboração de Selma Uamusse, que a canta em changana.

“Esta nova faixa comemora a longa relação, tanto profissional como de amizade, entre os dois artistas ao unirem forças numa faixa memorável e hipnotizante”, onde a eletrónica de Moullinex se junta aos ritmos moçambicanos que Selma traz à mesa. A música contém uso de instrumentos tradicionais da música moçambicana, como a timbila e a mbira.

Os sintetizadores etéreos de Moullinex sobrevoam a faixa, e a voz de Selma Uamusse encaixam na perfeição. Os ritmos africanos estão altamente presentes, especialmente na percussão, e a forma como o produtor consegue explorar a timbila e a mbira é digna da música ser muito mais que uma homenagem ao passado da cantora. É a junção de dois mundos que, à partida, não teriam simbiose possível, mas que Moullinex junta para um banger que nos faz querer dançar sempre que possível. E não é assim que é suposto ser o mundo?

Requiem for Empathy  tem data de lançamento marcada para o próximo dia 30 de abril.

Ana Moura, Branko e Conan Osíris revisitam ‘Vinte Vinte (Pranto)’

Ana Moura com Conan Osiris
Fotografia: Divulgação

No início de 2020, Ana MouraBrankoConan Osíris juntaram-se para criar Vinte Vinte’, um tema “que falava de morte e de renascimento, de esperança e de sentimentos fundos, daqueles que todos já arrancámos às entranhas”.

Agora, em 2021, o trio voltou a juntar-se para lançar uma versão da faixa, intitulada de ‘Vinte Vinte (Pranto)’, que pretende ser “uma homenagem a todas as pessoas que viveram a escuridão que 2020 trouxe”. ‘Vinte Vinte (Pranto)’ soa grandiosa, cheia de esperança na sua batida memorável, dando o palco perfeito para as vozes de Ana Moura e Conan Osíris brilharem – cada uma à sua maneira. O fado e a eletrónica encontram-se aqui, e é um casamento que junta o passado e o futuro num só. Esperemos que a esperança de ‘Vinte Vinte (Pranto)’ esteja viva e de boa saúde, que bem precisamos.

Wasn’t There, Someone Told Me é o novo EP eclético de Bernardo

Bernardo - Wasn't There, Someone Told Me
Fotografia: Bandcamp/Bernardo

Wasn’t There, Someone Told Me é o novo EP de Bernardo, nome pelo qual se dá a conhecer a cantautora e instrumentalista Sónia Bernardo. É o sucessor do EP de 2019, Panic Prayers, trabalho que a colocou como uma das artistas mais excitantes a emergir no underground londrino. O EP conta com produção de Dave Maclean (Django Django).

Em Wasn’t There, Someone Told Me, Bernardo volta a fazer da sua voz a sua maior arma, colocando-a no centro das atenções. Os instrumentais que rodeiam a bela voz de Bernardo soam a uma evolução do trabalho apresentado em Panic Prayers. Os instrumentais ficam (ainda) mais aventurosos e a palavra eclético pode ser muito bem usada para descrever a amplitude musical que Bernardo apresenta neste seu novo trabalho.

Além do neo-soul que pauta a música do artista, existem outras influências que se podem ouvir neste novo trabalho. As guitarras retiram influências ao psicadélico e à baggy, e conseguem criar grooves, sensuais e dançáveis, que assentam perfeitamente na entrega vocal de Bernardo. As linhas de baixo são pulsantes, carregando influências de post-punk britânico e de algum funk, e até há toques de bossa nova que se fazem notar ao longo do trabalho, que confirma Bernardo como uma das artistas com mais potencial a emergir no neo-soul atual.

brave new world’ é a estreia de bunny kills bunny

brave new world’ é o single de estreia de bunny kills bunny, duo constituído pelo casal Ricardo Coelho (Loto, Cavaliers of Fun) e Joana Pena. O projeto surgiu “como a resposta criativa a uma quarentena forçada”, na qual o casal, “recém noivo”, começou a gravar música para passar o tempo. “Foram de certa forma terapêuticas, pois ajudaram a lidar com o caos mental e com o desconforto de uma situação inédita e estranha”, conta a banda.

bunny kills bunny
Fotografia: Divulgação

Marcada pelo seu uso de drum machines e jogo de sintetizadores, ‘brave new world’ é uma faixa de synth-pop dançável e orelhuda. A junção entre as drum machines e os sintetizadores, etéreos e nostálgicos, mas extremamente divertidos, invoca influências da synth-pop dos anos 80 – em particular, os New Order, ali algures entre Low-Life e Brotherhood, dois dos discos mais bem conseguidos do género – mas também da atual.

No entanto, influências contemporâneas também são detetáveis neste single. A eletrónica pujante dos Hot Chip ou a construção melódica dos Metronomy são dois exemplos mais concretos que se pode rapidamente detetar aqui. Uma das componentes mais memoráveis de ‘brave new world’ é a química existente entre a voz de Ricardo e Joana. Incorpora-se muito bem no instrumental, e em certos momentos, faz lembrar uma outra banda que ecoa muita desta mesma nostalgia quase romântica que os bunny kills bunny apresentam – os Best Youth. ‘brave new world faz parte do EP de estreia do grupo, a sair ainda em 2021.

A gentileza de Captain Boy em Música de Meias

Música de Meias é o novo EP de Captain Boy, o alter-ego do músico e compositor Pedro Ribeiro. É o primeiro lançamento do artista desde do longa-duração Memories and Bad Photographs, lançado em 2019. O EP conta com colaboração de Rapaz ImprovisadoTYROLYROYosune em três das quatro faixas, respetivamente, que constituem este trabalho.

folk de Captain Boy é o principal ingrediente que constitui Música de Meias. As cantigas de Pedro são embelezadas pela sua entrega total a estas, onde os instrumentais se misturam entre o folk, o rock com um toque glam que vai surgindo ao longo do trabalho. Uma audição gentil e bem conseguida que revela bem a musicalidade do artista.

Davide Lobão junta-se a Raez para criar ‘Roma’

Roma’ é o novo single que marca o regresso de Davide Lobão (O Bisonte, Granada) aos lançamentos. A faixa conta com colaboração do produtor e músico da Monster JinxRaez, e tinha sido composta originalmente para o disco de estreia de Davide Lobão, Na Volta.

Carregando um instrumental potentíssimo, marcado por um refrão explosivo onde a guitarra estridente e a voz de Raez se encontram em uníssono. A bateria, ligeiramente lo-fi, vai marcando o ritmo dos versos, a par de um sintetizador extremamente minimalista, e as linhas de baixo, suaves e suficientes, vão preparando a explosão que surge sempre quando o refrão regressa aos nossos ouvidos.

‘Darkest Night‘ é o single de estreia de FeMa, com colaboração de Anya

Darkest Night’ é o single de estreia de FeMa, nome pelo qual se apresenta o cantor e instrumentalista Diogo Félix.

A faixa conta com colaboração de Anya nos vocais para criar um dueto suave e hipnotizante com FeMa. O instrumental, que retira influências ao downtempo, à vaporwave e ao bedroom pop, assenta numa batida escura e carregada de nostalgia. Este instrumental acaba por fazer sobressair as vozes de FeMa e de Anya em conjunto, que vão cantando sobre um amor perdido no passado, e que vive apenas na memória e na passagem do tempo dos intervenientes.

Summer Salt’ é o novo avanço de Film For Color Photos EP

Summer Salt’ é o segundo avanço do EP de estreia de Hause Plants, o projeto a solo de Guilherme Machado Correia (Ditch Days).

A nova faixa do projeto prossegue a estética apresentada nos lançamentos anteriores. ‘Summer Salt’ é uma faixa onde o reverb é rei e senhor da paisagem sonora, envolvendo todo o instrumental em uma nostalgia jovial. As guitarras balanceiam-se entre melosas e estridentes, influenciadas pela junção entre o jangle pop e o shoegaze que bandas como Alvvays ou DIIV têm incorporado na sua sonoridade.

Em ‘Summer Salt’, as linhas de baixos são saltitantes, e em junção com a bateria bastante punk, acrescentam uma dinâmica de ritmo que complementa muito bem as guitarras que vão ocupando muito do espaço da música. No meio de tudo isto, a voz de Guilherme arranja espaço para surgir, jovial, quase a conseguir-nos fazer ter esperança para o futuro que aí vem.

E é num futuro próximo que o EP de estreia de Hause Plants será lançado. Film For Color Photos EP tem data de lançamento marcada para o próximo mês de maio.

himalion continua a levar-nos à descoberta de BLOOMING, disco de estreia do projeto

Volta-do-Mar’ é o nome do novo avanço de BLOOMING, disco de estreia de himalion, projeto musical de Diogo Sarabando.

Marcada pelo folk primaveril do artista, ‘Volta-do-Mar’ evolui em torno de uma guitarra elétrica gentil, que vai pautando o ritmo da música. A rodear as guitarras, o baixo e a bateria minimalistas vão surgindo, havendo também espaço para sintetizadores etéreos e para a sempre bela adição dos instrumentos de sopro. Há momentos muito belos ao longo do desenvolvimento da faixa, onde a voz de Diogo vai cantando como se estivesse a observar o mar. Surge calma e serena, e vai aquecendo o coração sempre que surge, como se de uma onda a bater na praia distante se tratasse. É a faixa perfeita ouvir no término no dia enquanto se dá aquele passeio higiénico ao longo das salinas da Ria de Aveiro.

BLOOMING tem data de lançamento marcada para o próximo mês de maio.

O encontro de vários caminhos musicais no disco de estreia de Septeto Interregional

Septeto Interregional - Septeto Interregional
Fotografia: Divulgação

Os Septeto Interregional estreiam-se com o seu disco homónimo. O grupo é formado por Ariana Casellas (Sereias), Mr. Gallini (Stone Dead), Rafael Ferreira (Glockenwise), Rodrigo Carvalho (Solar Corona), Violeta Azevedo (Savage Ohms) e Zézé Cordeiro (Equations) e nasceu de um desafio proposto pelo Musicbox à Lovers & Lollypops.

Septeto Interregional revela-se como um projeto onde várias sonoridades se encontram. Há toques de jazz, de post-punk, de eletrónica, de folk e, claro, de rock, que se encontram para uma experiência dissonante e eletrizante. As influências de grupos como Talking Heads ou, mais recentemente, de Squid ou Black Country, New Road, revelam-se rapidamente na construção progressiva das faixas, que voam entre serem dançáveis mas também hipnotizantes. Septeto Interregional é um disco muitíssimo interessante, e é um que cresce a cada nova audição, ao apanhar os seus pequenos elementos que vamos detetando à medida que exploramos cada vez mais este trabalho.

O indie pop fofinho brilha na estreia dos Perpétua com Esperar Pra Ver

Perpétua
Fotografia: Divulgação/Bernardo Limas

Esperar Pra Ver é o nome do disco de estreia dos Perpétua, grupo aveirense constituído por Beatriz Capote (voz e teclados), Diogo Rocha (guitarra), Rúben Teixeira (bateria e coros) e Xavier Sousa (baixo e coros).

De acordo com o grupo, este trabalho começou “a ser pensado no momento da formação da banda”. “Com algumas ideias já existentes, era claro que a sonoridade a seguir se situaria no âmbito daquilo a que atualmente se chama música indie”, revela a formação. E é precisamente na estética indie atual, com a sua atmosfera coberta de reverb, que Esperar Pra Ver ganha grande parte da sua forma. As guitarras são extremamente melosas, as linhas de baixo vêm carregadas de ritmo, e a bateria ganha pujança suficiente para manter a groove em algures entre o melancólico e dançável. E não esqueçamos os sintetizadores, algo sonhadores, que complementam toda a estética do trabalho.

Contando com uma vibe suburbana que paira sobre o trabalho, Esperar Pra Ver bebe de várias influências além do indie atual. Há músicas onde a influência do dream pop surge mais, com as suas melodias delicadas, e outras onde os tons mais expressivos do psicadélico vem ao de cima. E no meio disto tudo, rompe a voz suave e algo tímida de Beatriz, capaz de criar refrões e melodias orelhudas.

Esperar Pra Ver é um disco de estreia muito fofinho que revela um grupo com potencial a explorar, e estejamos desejosos para descobrir o que mais poderá vir dos Perpétua no futuro.

tomorrow‘ é o novo single dos vaarwell

tomorrowé o novo single de vaarwell, duo constituído por Margarida FalcãoRicardo Nagy. A faixa irá fazer parte do novo EP do duo lisboeta, que agora se encontra a viver em Londres, que será lançado ainda este ano.

A faixa é marcada por texturas escuras, criadas por sintetizadores etéreos e distantes, que mistura influências de R&B com indie pop. A voz de Margarida vai-nos guiando pelos versos minimalistas e atmosféricos, que eventualmente se expandem num refrão orelhudo, que conta com vários hooks vibrantes. ‘tomorrow’ é sobre “tentar ajudar alguém de quem gostamos a ultrapassar tempos mais duros de alguma maneira possível”, explicou o duo nas redes sociais.

Lullaby for the Inebriate’ é o primeiro passo para o disco de estreia de Vasco Completo

Lullaby for the Inebriate’ é o nome do novo single do produtor e instrumentalista Vasco Completo. É o primeiro avanço do seu disco de estreia, intitulado de Wormhole.

Pescando influências à eletrónica, ao downtempo, ao triphop e ao R&B, ‘Lullaby for the Inebriate’ é uma faixa que tem tanto de desorientador como de aconchegante. Os sintetizadores são etéreos e belos, e vão pautando o ritmo da faixa. A groove até pode soar simples, fácil de desfrutar, mas é mais complexa do que o ouvido apenas ouve. As linhas de baixo misturam-se muito bem com os sintetizadores para criar a groove, e as texturas de guitarra intermitentes conferem à música toda uma outra personalidade e dinâmica que acresce o seu valor. E até há um solozinho de guitarra para apreciar, e que é tão bem-vindo quando surge.

De destacar, também, o jogo de samples apresentado pelo produtor. Mais uma vez, é exímio. A voz manipulada de Carolina Caldeira dá à faixa um toque futurista extra, e acaba a ser uma forma de juntar a nostalgia que aqui se pode ouvir a um futuro não muito distante. Wormhole tem data de lançamento marcada para o próximo dia 15 de abril.

à escuta Salvador à escuta Salvador à escuta Salvador à escuta Salvador à escuta Salvador à escuta Salvador à escuta Salvador à escuta Salvador à escuta Salvador à escuta Salvador

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Simone de Beauvoir
Simone de Beauvoir. O legado de uma pensadora feminista