Cristina Ferreira
Fotografia: TVI

Cristina Ferreira: “Nunca me senti besta, mas o meu percurso tem sido bestial”

Cristina Ferreira esteve esta sexta-feira (26) no programa Goucha para falar sobre o seu novo formato Cristina ComVida e aproveitou a presença para esclarecer algumas críticas de que tem sido alvo numa longa entrevista no programa das tardes da TVI.

O novo programa da diretora de entretenimento e ficção do canal estreia esta segunda-feira (29), às 19h, este que é um projeto que “estava na gaveta. É um projeto que levei para o outro lado, mas não é igual – este sim é ‘aquele projeto'”, admite Cristina em conversa com Manuel Luís Goucha.

“É a Cristina de sempre, com tudo aquilo que viveu”. A apresentadora faz questão de sublinhar o orgulho que tem nas suas raízes e reconhece que “é lá que tenho o apoio principal para aguentar tudo aquilo que esta vida nos impõe”.

“Tive de retirar algum afeto do meu trabalho”

A conversa prossegue num tom mais intimista e que nos mostra um lado mais frágil de Cristina Ferreira. “Para sobreviveres, tens de te tornar mais racional, mais dura, mais fria e isso é o contrário do que eu sou. Tive de retirar algum afeto do meu trabalho”.

Quando questionada sobre o que a vida lhe retirou em termos de carácter, a apresentadora não hesita ao responder que a falta de liberdade é o que mais a afeta. Ninguém tem ideia do que é sermos conhecidos, as mensagens de carinho são extraordinárias mas há aqui alguma coisa nossa que nunca mais é só nossa”.

Seis meses depois da polémica transferência da SIC para a TVI, Cristina falou ainda da importância e dimensão das suas atuais funções em Queluz de Baixo: “Tenho de ser muito dura, tenho de tomar decisões a cada cinco minutos da minha vida”. A apresentadora admite que “se aqui estou e sou diretora e administradora, tenho que tomar decisões. Eu posso gostar muito de ti, mas se para a empresa já não fores válido, eu vou ter que te dizer que já não és válido para a empresa e isso dói-me muito”.

A todos aqueles que trabalham consigo, Cristina faz questão de dizer: “não esperem de mim a líder que constantemente está a dar palmadinhas nas costas e mandar mensagens porque eu não sou assim. Agora podem ter certeza: eu sei tudo de vocês e eu estou atenta a todos”.

No momento em que Manuel Luís Goucha pergunta se lhe é difícil a sobrevivência enquanto diretora, a resposta é imediata. “Muito mais difícil [porque sou mulher]. Apesar de sentir que recebe mais críticas devido ao seu género, Cristina diz-se orgulhosa da sua posição de poder, mencionando Daniel Oliveira, diretor de programas da SIC ao comparar o que é dito de cada um:

“Tenho muito orgulho de nas duas principais estações televisivas rivais existirem dois miúdos – eu e o Daniel temos mais ou menos a mesma idade. Que estão a tomar conta de uma estação de televisão. O Daniel entrou para a televisão com 17 anos a querer conquistar este lugar. Tu viste alguma vez alguém dizer que ele é ganancioso e que quer poder?”

A diretora faz questão de relembrar que tudo o que alcançou foi por mérito: “Eu sou a parola da Malveira e a saloia. O termo saloia, do qual me orgulho muito, foi muitas vezes usado dezenas de vezes de forma negativa”. Cristina Ferreira frisou ainda que sempre fez o que o seu coração mandou e vai continuar a fazê-lo. “Eu nunca me senti besta, mas também não sei se sou bestial. Mas o meu percurso tem sido bestial”.

As saídas da TVI e os “amigos”

Relativamente às recentes saídas da TVI, mais especificamente as de Fátima Lopes e Isabel Silva, a diretora de entretenimento e ficção reforça que “não falei uma única vez sobre valores com a Fátima Lopes. Queria muito ver a Fátima a brilhar”. Quanto a Isabel Silva, Cristina revela que a apresentadora “queria voar” para outros projetos, tendo sido essa a única razão da sua saída da estação.

Em rescaldo aos comentários sobre as saídas, onde foi também mencionada a de Leonor Poeiras – anterior à chegada de Cristina à TVI -, Cristina responde às acusações de apenas contratar amigos para funções no canal: “estamos a falar de quem? Estamos a falar de que amigos? Estamos a falar de profissionais de televisão. A única pessoa que não fazia parte do canal chama-se Helena Coelho (…). De resto eu mexi em quem?”. A diretora acrescenta que chegou ao canal “com uma intenção. De dar a todos os que já cá estavam – e alguns não seriam escolhas minhas, mas ninguém vai embora. Comigo ninguém vai embora”.

Quando Goucha lança a pergunta “arrependes-te de alguma coisa durante estes seis meses [na TVI]?”, a apresentadora confessa já ter falhado por decisões que não foram suas. “O bom e o mau cai em cima de mim, porque sou eu que assino a ficha técnica”, diz.

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