Fotografia: Pari Dukovic

The Weeknd. De anónimo a superestrela em dez anos

Abel Tesfaye, ou The Weeknd, como é mais conhecido, celebra este domingo (21) dez anos de carreira. Começando o seu percurso na música enquanto anónimo, o cantor canadense é dono de uma das vozes – e caras – mais conhecidas do mundo da música nos dias de hoje.

No aniversário de carreira, o Espalha-Factos passa em revista os momentos e sucessos do cantor.

O Abel antes de The Weeknd

Nascido no bairro de Scarborough, Toronto, de pais emigrantes, Abel Tesfaye era, pelas suas palavras, “um menino da mamã”. Quieto e tímido, foi criado pela mãe e pela avó, nascidas na Etiópia, numa casa em que o pai não estava presente. Quando tinha 17 anos, foi expulso do seu liceu e integrou outra escola, mais severa, na ponta oposta da cidade. Após seis meses, decidiu desistir. O facto de ter desistido da escola, que não aconselha, mas que afirma fazer parte da sua história, proporcionou o início da sua carreira no mundo da música.

Juntamente com o melhor amigo La Mar Taylor, saiu de casa e mudou-se para o bairro de Parkdale, também em Toronto. Sem qualquer tipo de supervisão parental, os amigos puderam fazer de tudo, desde frequentar festas, sobreviver à base de comida que roubavam e gastar o pouco dinheiro que tinham em álcool e drogas pesadas.

Foi também nesta altura que Tesfaye decidiu perseguir o seu sonho: a música. Formou um duo de hip-hop chamado Bulleez N Nerdz, onde atuava sobre o nome de Kin Kane. Mais tarde, juntou-se à equipa de produção The Noise, onde escrevia canções para grandes nomes da época, como Timberlake, Chris Brown e Drake, que conheceu por volta de 2009. No entanto, a sua grande estreia aconteceu em outubro de 2010.

Bulleez N Nerds| Fotografia: Nixxon via Complex

A época de House of Balloons e das mixtapes

Em 2010, Tesfaye conheceu o produtor canadense Jeremy Rose, numa festa. Rose tocou o instrumental de ‘What You Need’, no qual tinha estado a trabalhar, e Tesfaye fez um freestyle, improvisando ao ritmo da faixa. Da colaboração entre os dois nasceram outras duas músicas, ‘Loft Music’ e ‘The Morning’. Assim, nasce o projeto de R&B obscuro The Weeknd, nome criado devido ao facto do jovem canadiano ter saído de casa a um fim de semana (weekend, em inglês) e nunca mais ter regressado.

As três músicas foram partilhadas no YouTube, num canal sob o nome artístico. As capas das faixas eram constituídas por fotografias de mulheres a preto e branco, por vezes nuas e em contexto de festa. O artista justifica esta decisão, agora, ao dizer que não gostava da maneira como ficava em fotografias. Lentamente, as visualizações começaram a aumentar, tanto que chegaram ao agente de Drake, que divulgou as músicas.

Capa da mixtape House of Balloons

A 21 de março de 2011, a mixtape House of Balloons foi lançada no site oficial do cantor. Uma das músicas, Wicked Games, chamou a atenção do próprio Drake, que tweetou parte da letra da canção, impulsionando os seus seguidores a ouvir o novo trabalho de Tesfaye.

Sendo um dos maiores artistas da década, é difícil imaginar que houve um período de tempo em que ninguém o conhecia, mas, na verdade, o mistério que o rodeava aumentou a sua popularidade. Perguntavam-se quem era a cara por trás da voz, se era uma banda, se apenas uma pessoa. Tanto que, o seu primeiro concerto, em julho de 2011, no Mod Club em Toronto, esgotou e foi um sucesso tremendo, sendo bastante elogiado.

Em agosto do mesmo ano, lançou a mixtape seguinte, Thursday. Conta com nove faixas, tal como House of Balloons (cuja versão original Tesfaye lançou pela primeira vez no Spotify, este domingo), entre elas ‘The Zone’, uma colaboração com Drake. Em dezembro, surgiu a última peça da tríade, Echoes of Silence, uma mixtape que marcou o terceiro lançamento do cantor em apenas nove meses.

As três mixtapes, que tratavam temas como drogas, sexo, festas e hábitos pouco saudáveis, foram altamente aclamadas e resultaram na coletânea musical Trilogy, um dos álbuns mais icónicos do cantor, constituído pelas 27 músicas, com três adições. Este lançamento data de setembro de 2012, altura em que Tesfaye assinou com a Republic Records, tornando a sua própria editora discográfica, XO Records, uma subsidiária da mesma.

Ainda durante o ano de 2012, The Weeknd começou a percorrer o mundo em digressão. Após uma série de concertos esgotados nos Estados Unidos, começando pelo mega-festival Coachella, rumou à Europa, onde se apresentou, entre outros, no Primavera Sound, em Portugal, e no festival Wireless, em Londres, juntamente com o rapper Drake.

O rumo a um som mais convencional

Em maio de 2013, Tesfaye lançou a faixa Kissland, que daria nome ao seu segundo álbum, em setembro do mesmo ano. O disco não teve uma receção tão estrondosa como a das suas mixtapes, ou a coletânea Trilogy, e foi descrito pela Pitchfork como sendo “singular”, “isolado” e “sem inovações alucinantes”. Segundo o próprio Abel, Kissland representaum lugar aterrorizante e desconhecido”, no qual nunca esteve, onde se vive um ambiente de medo, “como um filme de terror” (ao contrário de House of Balloons que “simboliza Toronto” e é um mundo que criou).

Estreou no segundo lugar do top 200 da Billboard e, na primeira semana, vendou 95 mil unidades, não sendo tão bem-sucedido quanto se esperava. Deste modo, Tesfaye começou a rumar para um som mais convencional, que se saísse melhor na indústria.

Através da sua editora, Republic Records, conseguiu em 2014 o seu primeiro grande hit no estilo pop, através da colaboração com Ariana Grande, ‘Love Me Harder’, uma favorita dos fãs.

The Weeknd e Ariana Grande a atuar no programa Saturday Night Live| Fotografia: Dana Edelson/NBC

Um mês antes, de setembro a outubro de 2014, embarcou na sua primeira tour própria, a King of The Fall Tour. Em agosto do mesmo ano lançou o single ‘Often’, que previa o lançamento de um novo álbum. De seguida, lançou o single ‘Earned It’, para o filme 50 Sombras de Grey, cujas temáticas sobre sexo, dor e prazer iam de encontro com o estilo do cantor. Já em 2013 tinha contribuído para a banda sonora de Jogos da Fome, com o tema Devil May Cry’.

Em agosto de 2015 o seu terceiro álbum, Beauty Behind The Madness, foi lançado, após os novos singles ‘The Hills’ e Can’t Feel My Face’, terem estreado em maio e junho, respetivamente, marcando as primeiras faixas do artista a atingirem a posição de topo da Billboard.

Contando com colaborações de artistas de renome, como Ed Sheeran e Lana del Rey, o álbum vendeu quase meio milhão de unidades na sua primeira semana. Promoveu-o com vários concertos em festivais, incluindo o americano Lollapalooza, e com mais uma tour nos Estados Unidos.

2016 foi um ano entusiasmante para Tesfaye, que foi convidado do programa Saturday Night Live e colaborou com vários artistas, entre os quais Beyoncé, Kanye West e Travis Scott. No mesmo ano, cortou o seu já icónico cabelo e anunciou um novo álbum, com lançamento em novembro: Starboy. Desta era surgiu um novo som, diferenciado do que Tesfaye tinha vindo a apresentar. Segundo a Pitchfork, “com Beauty Behind the Madness, Abel Tesfaye alcançou o estrelato pop sem comprometer sua visão. No seu seguimento pouco inspirado, Starboy, parece perder de vista essa visão quase que inteiramente”.

Foi um álbum marcado pelas suas colaborações com o duo Daft Punk, Kendrick Lamar, Future e Lana del Rey, num curto interlúdio. Estreou no topo da tabela da Billboard, com 400 mil unidades vendidas na primeira semana. O ano de 2016 de Tesfaye ficou ainda assinalado pela atuação no desfile anual da marca Victoria’s Secret.

The Weeknd e a dupla Daft Punk | Fotografia: Christopher Polk/Getty Images for NARAS

O regresso às origens 

The Weeknd volta a produzir música em 2018, com ‘Pray for Me’ em colaboração com Kendrick Lamar, para a banda sonora da produção Black Panther. Em março, lança um EP de sete músicas, My Dear Melancholy, marcado por uma mistura dos sons mais obscuros das suas mixtapes e a nova sonoridade pop dos dois álbuns mais recentes. ‘Call Out My Name’ foi o single, sendo a maior estreia de 2018 no Spotify, com 3,5 milhões de streams na plataforma nas primeiras 24 horas após o lançamento.

Em junho, anuncia o seu novo programa de rádio para a Beats 1, Memento Mori. Já no início de 2019, colaborou novamente com o produtor francês Gesaffelstein com ‘Lost in Fire’ e em abril, com SZA e Travis Scott, na faixa ‘Power Is Power’. Em agosto, estreou-se no grande ecrã, ao participar no filme Uncut Gems, produzido por Josh e Benny Safdie.

No entanto, foi apenas no outono que retomou com lançamentos a solo. Chegava, em novembro, o sucesso sem precedentes ‘Blinding Lights’, um dos singles do seu quarto álbum de estúdio, seguindo-lhe ‘Heartless’, no mesmo mês. Em fevereiro, Tesfaye anuncia o álbum, com data prevista para 20 de março: After Hours.

The Weeknd After Hours
Fotografia: The Weeknd

Constituído por 14 faixas, a sonoridade de After Hours é reminiscente aos projetos antigos de Tesfaye. Retratando comportamentos hedonistas e indiferentes, a sua escuridão é notória desde faixas como ‘Alone Again’ até ‘Until I Bleed Out’. De acordo com a Pitchfork, o cantor “entrega a sua visão de longo prazo, alavancando um vilão que odeia a si mesmo numa narrativa cinematográfica irresistível com uma colisão satisfatória de new wave, dream pop e R&B”. Desde que foi lançado é residente no top 200 da Billboard, tendo-se estreado na primeira posição do mesmo.

O sucesso da era After Hours

A partir do lançamento de After Hours, a última era – por enquanto – de Abel Tesfaye, a sua carreira tem vindo a progredir cada vez mais. Para além do sucesso sem precedentes do álbum, que liderou várias tabelas e continua a fazer sucesso um ano depois, coescreveu e participou num episódio da série de animação American Dad, enquanto ele próprio, que estreou em maio de 2020. Continuou com colaborações, com o falecido rapper Juice Wrld, Calvin Harris e Ariana Grande, até com Maluma, num remix do sucesso ‘Hawái’.

The Weeknd na série ‘American Dad’ | Fotografia: TBS/AmericanDad!

Recentemente, foi protagonista numa polémica envolvendo os prémios Grammy, após não ter recebido nomeações para o álbum After Hours, ainda que tivesse sido um dos mais aclamados do ano. Boicotou, assim, os prémios, impedindo a sua editora de submeter músicas para a premiação.

A 7 de fevereiro de 2021 atuou no intervalo mais famoso do mundo, o do Super Bowl, tendo gasto cerca de 5 milhões de dólares do seu próprio bolso para proporcionar aos espectadores uma “experiência cinematográfica”.

Fotografia: Mike Ehrmann

Em dez anos de carreira, é possível reconhecer The Weeknd como um dos maiores e mais aclamados artistas da atualidade. Passou de ser um jovem tímido a fazer freestyles em festas para uma cara internacionalmente idolatrada, protagonizando os maiores espetáculos e sucessos musicais da década.

Permanentemente com novos conceitos, ideias e projetos, o canadiano de 31 anos reiventa-se a cada nova etapa, prometendo uma continuação de carreira que antecipa o seu estatuto de estrela.

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