Por todo o mundo, músicos protestam contra o Spotify

Músicos manifestam-se em frente a 31 escritórios do Spotify

Músicos de todo o mundo protestaram, esta terça (15) contra o Spotify. Por várias cidades do globo, 31 escritórios do Spotify foram surpreendidos por protestantes do setor da música.

Os músicos manifestaram o seu desagrado perante a forma como o serviço streaming os tem vindo a tratar. As manifestações tomaram lugar em dez cidades dos Estados Unidos, bem como em cidades europeias, como Madrid, Londres ou Amsterdão, além de em vários países da América Latina, na Ásia, Canadá e na Austrália.

Os protestos foram organizados pelo Sindicato dos Músicos e Trabalhadores Associados (UMAW). Em outubro de 2020, a UMAW desenvolveu a campanha ‘Justice at Spotify‘. A petição, já com mais de 28 000 assinaturas, aponta um número de exigências a ser feitas ao Spotify. Uma delas consiste em que, fundamentalmente, a plataforma aumente a sua média de streaming de 0.0038 dólares, para pelo menos um cêntimo por streaming para todos os artistas. Outras reivindicações passam por mais transparência nos contratos, o fim da payola, e que o Spotify deixe de processar os artistas.

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“Há muito que o Spotify maltrata os trabalhadores da música, mas a pandemia veio realçar esta exploração”, adianta Mary Regalado, uma das organizadoras da UMAW. “Durante a pandemia, a empresa triplicou os seus lucros, mas não pagou nem mais um tostão aos artistas. Por todo o mundo, os músicos estão desempregados, enquanto os gigantes da tecnologia que dominam a indústria amealham milhões. O trabalho musical é trabalho, e pedimos para ser pagos justamente.”

Outro organizador da iniciativa, Zack Nestel-Patt, disse “O Spotify opera internacionalmente, então se os músicos vão exigir mais, nós temos de nos organizar internacionalmente também,” numa declaração prestada. “O Spotify está a ameaçar a subsistência dos músicos em todo o lado, e já está mais do que na hora de nos levantarmos juntos para exigir mais.” 

Os músicos uniram-se, por toda a parte, prometendo continuar a lutar pela reivindicação dos seus direitos. Estes protestos dão-se numa altura de particular tensão, durante uma pandemia e de confinamentos impostos pelos governos, em que o Spotify atingiu novos recordes de utilizadores ativos.

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