Óscares

Óscares 2021. Surpresas e ausências na lista de nomeados

As nomeações para a próxima cerimónia dos Óscares foram anunciadas e, para surpresa de muitos, mostrou uma das listas de nomeados muito apoiada pelo público na generalidade, algo que contrasta com o que tem vindo a acontecer nos últimos anos.

No entanto, apesar da boa receção das escolhas da Academia, continuam a existir várias surpresas entre os vários apontados aos vários prémios, assim como vários esquecimentos difíceis de compreender. O Espalha-Factos preparou uma lista dessas mesmas surpresas e de alguns ignorados na hora de premiar os melhores do ano passado no que a cinema diz respeito.

Surpresas

Lakeith Stanfield (Melhor Ator Secundário)

Lakeith Stanfield em 'Judas and The Black Messiah'
Lakeith Stanfield em ‘Judas and The Black Messiah’

A nomeação de Lakeith Stanfield surge como uma surpresa para todos, até mesmo para os maiores fãs de Judas and The Black Messiah, filme onde divide o estrelato com o também nomeado Daniel Kaluuya. Para percebermos bem o quão surpreendente isto foi, temos de recuar a fevereiro, quando a promoção ao filme começou. Nesta altura, Lakeith estava a ser publicitado como um nome a ter em conta na categoria de Melhor Ator e não como Melhor Ator Secundário, acabando a ser nomeado para a segunda categoria juntamente com o seu parceiro Daniel Kaluuya, algo que não é comum. Afinal de contas, quem é o ator principal de Judas and The Black Messiah? Não se sabe nem nunca se saberá, mas é gratificante ver Lakeith Stanfield a ter alguma atenção depois de tantos anos cheios de papéis icónicos e diferentes. Não ganhará, certamente, mas a nomeação ninguém lhe tira. 

Paul Raci (Melhor Ator Secundário)

Outra das grandes surpresas entre todos os anunciados foi Paul Raci, um nome pouco conhecido entre o público mas que nos ofereceu um dos retratos mais tocantes e humanos de todo o ano passado. Sound of Metal tem fama (e com razão) de ser genuíno em todos os aspetos e para isso muito podemos agradecer ao ator de 72 anos, que não se deixou intimidar pela poderosa performance de Riz Ahmed, nomeado para Melhor Ator, e tocou no coração de qualquer um que tenha assistido ao filme. Uma nomeação mais que merecida mas que ninguém estava à espera. 

Thomas Vinterberg (Melhor Realizador)

Talvez a maior surpresa destes Óscares. Thomas Vinterberg deu-nos Another Round em 2020, um filme com um estilo muito próprio e seguindo várias convenções que não são muito normais em Hollywood, e roubou o lugar quase certo de Aaron Sorkin na grelha dos nomeados para Melhor Realizador. Se merece ou não, fica à opinião de cada um, mas a verdade é que esta nomeação era algo que até o mais sonhador não esperaria, dando a ideia que a Academia está cada vez mais atenta aos filmes feitos fora dos Estados Unidos. 

Sound of Metal (Melhor Filme, Melhor Argumento Original, Melhor Edição)

Riz Ahmed em ‘Sound of Metal’

Sound of Metal estreou num longínquo setembro de 2019 e as reações foram contidas. Dizia-se que era tocante e humano mas que se ficava por aí, algo que mudou quando foi lançado de forma geral em dezembro passado. Dizia-se que podíamos ter aqui algo especial, um daqueles filmes que fica na mente de qualquer um durante imenso tempo. A verdade é que isso se confirmou e, em março de 2021, vimos Sound of Metal ser nomeado para seis estatuetas, para surpresa de muitos. A nomeação de Riz Ahmed era mais que esperada (num ano sem Chadwick Boseman seria o vencedor quase certo) mas ninguém esperaria uma nomeação a dois dos mais importantes prémios da noite (Melhor Filme e Melhor Argumento Original) e muito menos a Melhor Edição que, apesar de ser superior àquela feita na maioria dos filmes, é o ponto mais fraco do filme. Uma enorme surpresa mas uma muito agradável. 

Ausências

Jodie Foster (Melhor Atriz Secundária)

Tahar Rahim e Jodie Foster em 'The Mauritanian'
Tahar Rahim e Jodie Foster em ‘The Mauritanian’

Uma veterana no que à arte do cinema diz respeito, Jodie Foster e o seu filme, The Mauritanian, passaram despercebidos por todos mas isso não a impediu de arrecadar um Golden Globe há bem pouco tempo. É com grande surpresa que o seu nome não foi mencionado no anúncio dos nomeados e fica a ideia que não seria assim tão difícil inseri-la ali no meio, dado que Glenn Close, dona de uma das piores performances do ano (até foi nomeada a um Razzie), ocupou um espaço que não mereceu. É uma pena para Jodie Foster, que protagonizou a advogada Nancy Hollander, mostrando-se elétrica no meio de toda a calma exigida para um filme importante como The Mauritanian, bastante ignorado nas nomeações para os próximos Óscares. 

Jessie Buckley (Melhor Atriz) 

Mais uma vez, Hollywood esqueceu-se de Jessie Buckley. Se I’m Thinking of Ending Things teve o sucesso que teve, muito do crédito tem de ser entregue à atriz irlandesa. Tal como foi dito na nossa análise dos Golden Globes, Jessie deu nas vistas pelas suas pequenas nuances no meio da chuva de perguntas que é I’m Thinking of Ending Things, elevando o filme para outro patamar devido ao seu trabalho. De facto é uma pena que não seja o tipo de filme premiado mas também dá a ideia que a Netflix, produtora do projeto, não promoveu a película como devia ser e acabou esquecida. Uma pena para todos os envolvidos, especialmente para Jessie Buckley. 

Never Rarely Sometimes Always (Melhor Filme, Melhor Argumento Original, Melhor Atriz, Melhor Realizadora) 

Sidney Flanigan em 'Never Rarely Sometimes Always"
Sidney Flanigan em ‘Never Rarely Sometimes Always’

É realmente frustrante a falta de atenção que o mais recente filme de Eliza Hittman tem recebido durante a época de premiações. É sabido que muitas pessoas que votam para os Óscares são mais idosas, conservadoras, antiquadas e algo retrógradas, mas também é sabido que a Academia, ao contrário dos Golden Globes, costuma dar atenção a filmes como este (sendo Juno um grande exemplo) portanto, é uma grande pena que Never Rarely Sometimes Always tenha zero nomeações. No entanto, o reconhecimento como um dos filmes mais importantes de 2020, tanto em termos qualitativos como em termos sociais, é algo que ninguém lhe pode tirar.

TENET (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Edição, Melhor Banda Sonora Original)

Uma das maiores surpresas é a falta de reconhecimento de TENET em várias categorias destes Óscares. O ambicioso projeto de Christopher Nolan foi um dos mais prejudicados pela pandemia em vários aspetos. Teve uma performance modesta nas bilheteiras, a crítica do público não foi a melhor, mas também não foi a pior (condizente com qualquer projeto do realizador britânico) e acabou no esquecimento ainda antes de acabarmos 2020. Enquanto que uma nomeação para Melhor Filme pode ser considerada exagerada mas não descabida, uma nomeação para Melhor Realizador devia ser algo certo para um filme do calibre de TENET. Mais certo ainda deveriam ser as nomeações para Jennifer Lame, no departamento da edição, e Ludwig Goransson, compositor da bombástica banda sonora do filme, naqueles que são dois dos pontos altos da película de Nolan, mas que acabaram por não acontecer. 

 

A cerimónia dos Óscares realiza-se no dia 25 de Abril de 2021 e ainda não é sabido se terá qualquer tipo de transmissão nos canais portugueses.

 

 

 

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