Ljubomir Stanisic está de volta à televisão portuguesa.
SIC / Divulgação

Opinião. ‘Hell’s Kitchen’ é o regresso triunfante de Ljubomir Stanisic

O novo programa da SIC é um triunfo do entretenimento de domingo à noite.

O novo programa de Ljubomir Stanisic chegou este domingo (14) à SIC. A adaptação portuguesa do formato de Gordon Ramsey mostrou que os meses de antecipação valeram a pena. Hell’s Kitchen é um triunfo.

É um dos programas de culinária mais famosos de todo o mundo e, segundo alguns, o sucesso deve-se em grande parte ao seu apresentador e chef de cozinha, Gordon Ramsay. Em Portugal, o formato ficou nas mãos de Ljubomir Stanisic, após uma polémica transferência da TVI para a SIC, numa altura em que uma nova edição de Pesadelo na Cozinha parecia estar em pré-produção.

A adaptação nacional de Hell’s Kitchen foi fiel ao original em vários aspetos. Desde os grafismos, aos cenários, ao ritmo e até mesmo ao apresentador. Ljubomir Stanisic não é Gordon Ramsay nem tem de ser Gordon Ramsay. Já tem uma carreira solidificada e igualmente rica, com um estatuto reconhecido pelos portugueses e com um nome mais mediático do que quando apresentava o Pesadelo pela primeira vez. Apesar de funcionar como um elo entre o reality e o público, Ljubomir é uma personalidade televisiva totalmente distinta das demais. Não procura ser politicamente correto, não procura ser uma inspiração e está-se, em bom português, nas tintas. É o perfil adequado para uma cozinha dos infernos que pede rigor, rispidez e, acima de tudo, a exigência ao nível de um 100 Maneiras.

Ljubomir Stanisic está de volta à televisão portuguesa.
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Hell’s Kitchen é, sem qualquer dúvida, o programa de entretenimento mais interessante da SIC dos últimos anos, talvez até desde Peso Pesado. Nada contra aos formatos pela procura do amor, como Casados à Primeira Vista ou Quem Quer Namorar o Agricultor?, que têm o seu espaço numa grelha que procura ser diversificada e diferente do que estamos acostumados. O novo programa de Ljubomir na SIC é um reality-show por natureza e já conta com 19 temporadas no Estados Unidos, fora as inúmeras adaptações pelo mundo fora. Porém, devido à pandemia da Covid-19, a SIC eliminou a componente reality – mas nem por isso tivemos um resultado menos interessante.

Ao focar-se unicamente nas provas e na própria competição, deixando de lado os conflitos dos concorrentes que, naturalmente, não vão deixar de estar presentes, Hell’s Kitchen mostra-se um projeto sólido e com as arestas limadas, numa altura de ajustes no mundo da televisão internacionalmente. Não é mais um programa de talentos, não é mais um programa de amor ou de humor, é uma competição culinária. Não é nada de novo, com Masterchef ainda a ser refém das memórias, mas é uma lufada de ar fresco na televisão portuguesa – tal como All Together Now. Após um ano de Big Brother na TVI e de programas levados ao extremo na SIC, os domingos da televisão portuguesa mostram-se mais fortes do que nunca.

A RTP1 presenteia-nos uma deliciosa edição de The Voice Kids; a TVI mergulha no audacioso e fantástico mundo do espetáculo musical com All Together Now; e a SIC entra para o ringue com uma adaptação fiel, inovadora e refrescante de um dos mais adorados programas de culinária. A luta pelas audiências nunca foi tão comentada como nos últimos tempos, mas enquanto público, é saber aproveitar o que as estações nos oferecem, numa altura em que sim, precisamos de algo que seja mais leve, mais divertido e que nos faça esquecer os problemas do dia-a-dia.

Os concorrentes de Hells Kitchen são o ponto forte do novo programa da SIC.
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Ljubomir Stanisic, apesar da sua forte presença ao longo do episódio, não é o grande destaque do novo programa da SIC. O elenco de concorrentes, composto pelo mais diverso grupo de participantes, roubou as atenções. É o casting que vários programas da televisão portuguesa deveriam ter tido no passado. Há de tudo, mas acima de tudo, há pessoas. Hell’s Kitchen oferece-nos um grupo de concorrentes extremamente carismáticos e com personalidades cativantes. Existem colisões de personalidades sob pressão, existem talentos a florescer em tempo real e existem exemplos do porquê da representatividade ser tão importante para o sucesso de um programa. Traz-nos casa.

Importante de realçar é, obviamente, o maravilhoso trabalho executado pela SIC na construção do próprio Hell’s Kitchen. Os cenários, desde a cozinha ao restante, mas também às salas de convívio, são um trabalho grandioso, de grande investimento e um resultado de uma procura por fazer melhor e fazer diferente. A televisão portuguesa já não tem o dinheiro que tinha nos anos 90, mas ainda tem a vontade de fazer o melhor e marcar pela diferença.

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No entanto, é preciso destacar menos positivamente – e digo-o bem, por não ter sido propriamente um ponto negativo – a edição do primeiro episódio de Hell’s Kitchen. Apesar de estrategicamente delineado e com um desenvolver de ouro, o final da estreia deixa a sensação de defraudação. Após o intervalo que se desejava tratar-se apenas disso – um intervalo – o programa regressou para um final anunciado que não soava a final. Era esperada uma expulsão, um clímax da narrativa construída na estreia, mas não. O restaurante fechou as portas até ao próximo domingo e é necessário aderir à narrativa novelesca que a SIC preferiu para a sua versão de Hell’s Kitchen.

Nada de errado, mas enquanto telespectador, ficaria ainda mais cativado se tivesse tido uma experiência completa da cozinha dos infernos e saísse da estreia a sentir que conhecia o formato e que agora, mais do que antes, desejava mais. Ao terminar em gancho, o reality da SIC esmagou a expectativa futura que será esquecida pelo quotidiano, ainda que não se despeça da fé que fica para o que vem por aí.

Hells Kitchen recebeu o elenco de O Clube.
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Num elogio à SIC também pela autopromoção, é relevante referir a inteligência por detrás dos convidados especiais do programa. Vera Kolodzig, José Raposo, Carolina Torres, Ana Cristina De Oliveira e até Ljubomir Stanisic são alguns dos rostos que passaram por O Clube, a série da plataforma de streaming da SIC, a OPTO. Apesar de não ter sido referido durante o decorrer do episódio, é sem dúvida uma mensagem que passa para os mais atentos. Há uma coesão do universo SIC que se faz sentir nos pequenos detalhes.

Após meses de especulação e de expectativa pela chegada de Hell’s Kitchen a Portugal, o saldo final é mais do que positivo. A SIC oferece um formato rico, cativante, arrojado e fresco, numa experiência triunfante que mostra que a espera valeu a pena.

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