Diana Nicolau
Fotografia: Marcelo Tabach/Divulgação

Diana Nicolau regressa à ficção: um percurso que vai das novelas ao voluntariado

Diana Nicolau volta ao pequeno ecrã depois de uma pausa de seis anos das novelas, desta vez na próxima aposta da TVI na ficção nacional. O último projeto na televisão em que participou foi a novela Mar Salgado, na SIC.

A atriz revelou que está há “duas semanas” na TVI, onde irá participar na nova novela Para Sempre. A revelação aconteceu em conversa com Rui Maria Pêgo e Ana Martins no Era só o que Faltava, programa da Rádio Comercial.

No regresso à ficção, o Espalha-Factos passa em revista o percurso da atriz, que vai da representação ao voluntariado.

“Não gosto de rotinas”

Diana nasceu e cresceu em Alcobaça até se ter mudado para Lisboa, aos 15 anos, para estudar na Escola Profissional de Teatro de Cascais. O seu primeiro projeto em televisão foi na Ilha dos Amores, passando depois pelos Morangos com Açúcar como Sónia e na novela Deixa que te Leve, na TVI.

O bom das novelas é que, quer adores quer odeies, sabes que tem um início, meio e fim“, afirmou em entrevista no podcast Maluco Beleza com Rui Unas. Acredita que, se tivesse um “trabalho das 9h às 17h” daria “em maluca“.

Não consegue escolher entre definir-se como atriz ou viajante. Mantém um canal de YouTube desde 2019 em que documenta as viagens pelo mundo. Já fez um interrail, esteve na Amazónia e fez voluntariado no Quénia. Este último, conta, foi uma experiência de quatro meses que demorou “dois anos a processar“.

“As crianças não queriam saber da Lua”

Ligada a associações de voluntariado desde os 15 anos, chegou ao Quénia em 2015 a partir do projeto de voluntariado Roaract, que descreveu como “uma espécie de escola de liderança mas vocacionada para o serviço à comunidade“. O projeto angariava dinheiro a partir de Portugal para enviar parra o Quénia, apoiando o ensino de crianças quenianas.

Para ver com os seus próprios olhos como a sua ajuda estava a ter efeito, chegou à “maior favela da África Oriental“, em Nairobi. Depois de angariar 10 mil euros para pagar as despesas de um aluno para estudar, apoiou crianças que viviam “em condições de grande promiscuidade“. “Uma família inteira dormia no mesmo colchão” então, para uma criança de 15 anos era “normal ter os pais em intimidades ao seu lado e irmãos a abusar das irmãs“.

Tomou conta de duas crianças cujo pai não tinha condições para os manter. Todas as noites, contava-lhes histórias e tentava que tomassem atenção às estrelas e à Lua. A Lua, contou, era o seu “único ponto de referência” num universo totalmente diferente do que deixara em Portugal. Sem perceber como é que as crianças não lhe prestavam atenção, perguntou-lhes o motivo e estas responderam: “Nós não prestamos atenção porque não sabemos o que vamos comer amanhã“.

Diana Nicolau
Diana Nicolau no Quénia | Fotografia: D.R.

Entre o “ir e voltar”

Depois de abandonar a associação à qual estava ligada quando chegou ao Quénia, conheceu Diana Vasconcelos, fundadora do projeto Há Ir e Voltar. Também ela voluntária, conseguiu angariar 30 mil euros através do Facebook para construir e equipar uma escola. Terminada a missão, voltou um mês depois para encontrar a escola tomada pela polícia nacional e os equipamentos vendidos.

As duas Dianas, unidas pelo nome e pela missão, voltaram a abraçar a tarefa e reconstruiram outra escola, cujas obras foram dirigidas por Diana Nicolau. Sozinha, mulher, branca e com um metro e meio, Diana teve medo de que os trabalhadores e habitantes não a respeitassem. “É uma sociedade muito patriarcal. As mulheres e as crianças valem zero“, contou a Rui Unas.

Quatro anos depois, Diana aventurou-se pela América do Sul. Durante os oito meses passados, passou pelo coração da Amazónia. Para se afastar dos grandes grupos turísticos, entrou na floresta através do Equador com um rapaz que conheceu no início da viagem. Entre plantas venenosas e ruídos de animais, andou cinco horas no primeiro dia de viagem em plena selva. Para acamparem, conseguiu fazer uma fogueira com a lã que trazia na mochila, “a única coisa seca” que podia arder. Montaram armadilhas de modo a caçar animais, a única fonte de alimento para além de cogumelos e comidas que levaram consigo.

Diana Nicolau na América do Sul
Diana Nicolau na América do Sul | Fotografia: D.R.

“Então mas tu ainda és atriz?”

Depois da sua pausa na representação para viajar pelo mundo, Diana sentiu a necessidade de responder às perguntas que a incomodavam. Há um ano criou a empresa Totopaxi com a irmã, que vendem capas para capacetes e bicicletas. Com a pandemia de covid-19, o projeto virou-se para a comercialização de máscaras reutilizáveis.

Apesar do seu grande amor pelo teatro, Diana não sente a necessidade de fazer isso até morrer, apenas pede por uma carreira criativa. Aos 34 anos, confessa que um dia bom para si é um dia em que “fez muita coisa”, refere em entrevista à Universidade Autónoma.

Eu tenho uma sede muito grande por coisas diferentes e acho que, no fundo, se analisar bem, foi isso também que me fez querer ser atriz, ou seja, fazer várias coisas, representar vários papéis, viver vidas diferentes, contar histórias distintas e defender causas diferentes. Acho que isso se aplica muito àquilo que sou. Há muitas coisas que estão nesta cabeça que têm de sair“, diz.

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