Genera+ion
Fotografia: HBO/Divulgação

Crítica. ‘Genera+ion’ é um barco à deriva num mar de ideias

A nova série da HBO promete muito, mas acaba por falhar como retrato realista dos desafios da Geração Z.

A mais recente aposta da HBO para a sua grelha de ficção é Genera+ion, uma série que prometia abordar os temas com que a Geração Z se debate diariamente da melhor maneira. Mas será que o consegue? O Espalha-Factos viu os primeiros quatro episódios e diz-te porque a prometedora série não vai ao encontro do que promete, mas acaba por ser divertida em alguns pontos. 

Num primeiro momento, a série parece ser enérgica, prometendo divertimento até ao final do episódio, mas tudo o que se desenrola depois disso é, simplesmente… chato. A panóplia de personagens que nos vão sendo apresentadas, com especial destaque para Chester, Nathan e Greta, têm direito a letras enormes que atravessam o ecrã de forma barulhenta, mas o impacto fica-se mesmo por aí. Cada um deles é mais vazio que o outro, e quando não são vazios são desinteressantes ou, então, irritantes.

Tal como as personagens, a história de cada personagem não é muito diferente, e nem as habilidades dos próprios atores conseguem mudar isso. Para lá da situação que abre todos os episódios, tudo o resto parece um pouco sem importância. Talvez o propósito da série seja mesmo o de mostrar que, no meio de tantas dificuldades, toda a Geração Z é apenas barulhenta e irritante, o que duvido. No entanto, a série não se preocupa muito em mudar essa aparência. 

O segundo episódio é, talvez, o auge de todas as coisas más desta série. Certo que é algo hiperbólico dizê-lo, a verdade é que, pelo que foi possível ver até agora, realmente parece ser. As personagens que pareciam simplesmente desinteressantes, tornam-se, neste episódio, verdadeiramente irritantes e, para isso, muito contribuiu a escrita da série.

Nem todas as coisas feitas para televisão ou cinema têm que ser realistas, mas a verdade é que Genera+ion promoveu-se como tal. Por isso, é legítimo julgar que nenhum diálogo existente nesta série parecer plausível. No segundo episódio, julgaram boa ideia juntar uma boa parte das personagens principais (se é que as podemos chamar disso a este ponto) numa sala, por alguma razão que nunca chega a ser muito percetível. O resultado não podia ser pior: todas as personagens da série a quem, até aqui, até poderíamos ter  dado o benefício da dúvida, tornam-se simplesmente desagradáveis de ouvir, e é um martírio acabar o episódio. 

Apesar de Zelda Barnz ter 19 anos e ser uma das escritoras da série, juntamente com o seu pai Daniel Barnz, parece nunca ter ouvido um jovem falar na sua vida. Mais uma vez, fica a pergunta: será que ela estará a tentar criticar a sua própria geração? Nunca saberemos. Mas a impressão que fica é que ambos viram Euphoria e decidiram tentar fazer a sua versão – mas sem o estilo ou a escrita que distinguem a premiada série.

A verdade é que nem tudo é mau aqui. Genera+ion chega a mostrar ter ideias interessantes quanto ao desenrolar da narrativa no primeiro episódio, com um estilo muito Pulp Fiction, mas que desaparece nos episódios seguintes. No entanto, é de assinalar que a história tem algum potencial para um desfecho engraçado.

Outro dos pontos positivos da série é a cinematografia, muito à base de luzes néon e planos do pôr do sol. Básico, mas resulta bem, neste caso. Para além disso, a banda sonora é orelhuda e deixa qualquer um a bater o pé. Troye Sivan, Jessie Ware, Lady Gaga, Bonobo ou Khruangbin são alguns dos artistas que podemos ouvir nos primeiros episódios, sempre nos momentos certos, o que é agradável. 

De certo que Genera+ion nunca prometeu ser a produção mais inovadora de sempre, mas a verdade é que falha até nas coisas mais básicas, mesmo faltando lançar alguns episódios e descobrir como irá ser concluída esta história. Os três primeiros episódios já estão disponíveis na HBO Portugal.

 

 

 

 

 

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