Eurovisão 2021
Galasy ZMesta seriam os representantes da Bielorrússia na Eurovisão 2021. | Fotografia: EBU/Divulgação

Eurovisão. Petição pede desclassificação do tema da Bielorrússia

O grupo é criticado por apoiar "abertamente a repressão violenta de protestos pacíficos na Bielorrússia"

Lê também: Eurovisão. UER responde a pedidos de desclassificação da Bielorrússia

Apresentado na passada terça-feira (9), o tema que representará a Bielorrússia na Eurovisão está a ser conotado como uma mensagem de apoio ao regime do presidente Lukashenko, que tem conhecido uma intensa contestação social desde meados no ano passado. No mundo digital, há já uma petição, que conta com mais de 2 000 assinaturas a pedir a retirada do país da edição deste ano da Eurovisão.

A revelação do grupo representante do país aconteceu na página do certame. Galasy ZMesta é um grupo formado há 10 anos, quando membros de uma banda de Baranovichi começaram a colaborar com outros elementos de uma comunidade de comediantes. Da paródia de canções, o recém-criado projeto passou a assumir as suas próprias composições. O grupo está agora a ser acusado de apoiar o regime ditatorial vigente no país. No próprio site da banda, referem: “Caros amigos! Quando ‘sob o molho’ da luta política tentam destruir o país que amamos e em que vivemos, não podemos ficar indiferentes…“.

Para além do grupo, a organização deu a conhecer igualmente também a respetiva canção. Ya Nauchu Tebya (Eu vou-te ensinar, em tradução livre) está a ser acusada de conter uma mensagem subliminar, pró-governo, o que, segundo as regras da Eurovisão, não é permitido. “Vou-te ensinar a dançar uma melodia/Vou-te ensinar a morder a isca/Vou-te ensinar como andar ao longo da linha“, em tradução livre, são versos da canção, cuja tradução em inglês tem estado a ser amplamente partilhada nas redes sociais.

Eurovisão
VAL, que representariam o país em 2020, participaram em protestos contra o regime. Imagem: EBU/Divulgação

O vídeo oficial do tema, publicado no canal de YouTube da Eurovisão, conta com 42 mil ‘não gostos’ em oposição aos 6 mil e 400 ‘gostos’. No feed do vídeo, sucedem-se as reações negativas por parte dos utilizadores. “Vamos bater o recorde da canção eurovisiva com mais ‘não gostos’ de sempre” é o primeiro comentário, em destaque, a que se seguem outros, no mesmo tom: “A frase que está a faltar: ‘Eu vou-te ensinar a amar a tropa de choque!’” e ” Vocês da EBU leram as letras, gozaram com o protesto bielorrusso e basicamente humilharam os bielorrussos?” são alguns exemplos.

Organização garante que irá averiguar

A Fundação Bielorrussa para a Solidariedade Cultural, fundada em outubro para dar apoio à comunidade cultural no país, endereçou, no início de janeiro, uma carta à EBU – União Europeia de Radiodifusão, responsável pela Eurovisão, a pedir a retirada do país da edição deste ano do formato, devido às “contínuas tensões políticas no país“, como lista o ESCXTRAEm resposta, a organização declinou o pedido, sublinhando que a Eurovisãoé uma competição musical sem agenda política“: “Resistimos de forma consistente e vigorosa às tentativas de instrumentalizar este evento cultural para fins políticos“, pontua a nota.

No mesmo dia em que o tema da Bielorrússia foi anunciado, surgiu uma petição na internet a pedir a desclassificação do país da Eurovisão deste ano. “A Televisão Pública da Bielorrússia decidiu eleger a banda Galasy ZMesta, que apoia abertamente a repressão violenta de protestos pacíficos na Bielorrússia. Eles participaram em manifestações de apoio a Lukashenko e ridicularizaram os representantes do movimento pela democracia“, lê-se no texto que acompanha a petição, que contava, esta quinta-feira (11), com mais de duas mil assinaturas.

A propósito da polémica, a organização do concurso garantiu, esta quarta-feira (10), que verificará o cumprimento das regras quanto à canção selecionada. “Cada música enviada para o concurso é cuidadosamente estudada para garantir que esteja de acordo com as regras do concurso”, disseram responsáveis do formato à Euroradio.

Defendendo que “é responsabilidade da União Europeia de Radiodifusão agir de acordo com as regras do Festival Eurovisão da Canção“, o site Eurovoix anunciou que deixará de fazer a cobertura da participação bielorrussa no formato “até que alguma ação seja tomada“. A página apela ainda a outros jornalistas e órgãos de informação que se juntem ao boicote.

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A governar a Bielorrússia há 26 anos de uma forma ditatorial, o presidente Lukashenko assistiu, no passado verão, ao eclodir de uma contestação sem precedentes, após ter sido reeleito, nas eleições de 9 de agosto, com 80% dos votos. Tanto a candidata da oposição, Svetlana Tikhanouskaia, como a própria União Europeia não reconheceram os resultados, clamando pela divulgação dos números reais. A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que as eleições “não foram livres nem justas“, citada pelo jornal Público.

Durante várias semanas, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra o regime. O governo reagiu com canhões de água e gás lacrimogéneo, pelo menos 6.700 manifestantes foram presos e várias pessoas foram mortas, dá conta o DW Brasil.

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