Barbie
Ruth Handler, criadora da Barbie, em 1961 | Fotografia: Mattel

Barbie. 62 anos de sucesso da boneca mais conhecida do mundo

A boneca Barbie está de parabéns. Nascia a 9 de março de 1959, em Nova Iorque, não sendo expectável que tivesse o sucesso astronómico dos dias de hoje. De miúdos a graúdos, não há quem não reconheça a boneca originalmente loira e esguia, agora com novas versões inclusivas, que conta com 58 milhões de unidades vendidas anualmente (e 100 por minuto!), em 150 países ao redor do globo.

Barbie ou Lili?

Ao contrário do que se pode pensar, a ideia da Barbie não foi original dos seus criadores, na companhia de brinquedos Mattel. Na verdade, a sua criadora, Ruth Handler (na imagem de destaque), inspirou-se numa boneca alemã, Bild Lili, da qual teve conhecimento numa viagem à Europa.

Bild Lili começou a sua vida no final dos anos 40 como uma personagem de banda-desenhada, surgindo da mente do artista Reinhard Beuthien para a publicação de Hamburgo, Bild-Zeitung. Lili, como era conhecida, caracterizava-se por ser uma personagem brincalhona e provocadora, que queria seduzir pretendentes ricos.

Tornou-se tão popular que, em 1953, o jornal decidiu começar a produzir Lili enquanto boneca. No entanto, o seu público-alvo não eram as crianças: na Alemanha, Lili era considerada um símbolo sexual e maioritariamente adquirida para despedidas de solteiro ou para os homens pendurarem nos carros, vendida em bares e tabacarias. Apesar disto, vinha com uma novidade: tinha vários acessórios e roupas que se podiam comprar à parte, o que se tornou um ponto atrativo para as crianças.

Fotografia: Messy Nessy Chic

É neste contexto, mas com uma missão distinta, que a história da Barbie se inicia. Na época, as únicas bonecas que existiam retratavam bebés, como as Madame Alexander, não sendo mulheres adultas como a Barbie. Para além disto, as mais populares eram também de papel, pois esta era a única maneira de poder trocar-lhe as roupas – se quisessem uma boneca física com um outfit diferente, teriam de comprar uma nova.

Fotografia: Madame Alexander / Theriault’s

Ruth Handler observou a sua filha Barbara, e o modo como esta brincava. Chegou à conclusão de que as suas opções eram muito limitadas, já que apenas podia brincar e fingir ser uma mãe, ou uma figura maternal, enquanto o filho, Kenneth, tinha brinquedos que o permitiam fingir ser um médico ou astronauta. Então, dedicou-se à criação de uma boneca que mostrasse às meninas que podiam ser quem quisessem.

Assim, Ruth adquiriu três bonecas Lili quando visitou a Alemanha. Já de volta aos Estados Unidos da América, estudou-as e redesenhou-as, dando origem à Barbie. Apresentou a sua ideia ao marido Elliot Handler, fundador da Mattel, e a boneca veio ao mundo pela primeira vez a 9 de março de 1959, na feira de brinquedos de Nova Iorque. A Mattel adquiriu os direitos de Lili em 1964 e a produção da boneca alemã cessou.

 

Fotografia: Teen Vogue

As Barbies mais icónicas

A filosofia da Barbie era, então, que “através da boneca, as meninas pudessem ser o que quisessem ser”. Seguindo esta norma, ao longo dos anos, a Barbie representou mais de 180 carreiras e possuiu incontáveis roupas e acessórios.

No início dos anos 60, chegaram as primeiras carreiras de sempre: Editora de moda, enfermeira e executiva, com as roupas sempre caracterizadas pelo cor-de-rosa, a cor de eleição da boneca. Após centenas de cartas a pedir uma cara-metade para a Barbie, chegou, a 11 de março de 1961, Ken. O primeiro carro, um Austin-Healey, e a primeira casa chegaram em 1962, mesmo antes de as mulheres poderem abrir as suas próprias contas bancárias.

A Barbie foi também estrela de outras carreiras, tais como astronauta (em 1965, três anos antes da chegada do Homem à Lua), cirurgiã (1973), militar (1989), polícia (1993), bombeira (1995) e pivô de televisão (2010), entre muitas outras.

Diversidade e inclusão

Em 1968, surge Christie, uma das primeiras bonecas negras, amiga da Barbie. Esta introdução veio como reflexo da Lei dos Direitos Civis nos Estados Unidos, que passou a proibir a discriminação no acesso à habitação baseada na cor de pele, religião ou sexo.

Em 1980, a Mattel dá mais um grande passo, ao introduzir as primeiras Barbies negras e latinas, pois apesar de já existirem, nunca se chamavam efetivamente Barbie, eram sempre as suas amigas. Em 1981, celebrou-se as diferentes culturas e tradições do mundo, com a coleção Dolls of the World.

Mais recentemente, em 2019, a Mattel lançou uma coleção a representar grandes figuras femininas, entre elas tenista japonesa Naomi Osaka, a atriz americana Yara Shahidi e a modelo e ativista britânica Adwoa Aboah.

Uma das principais críticas de que a Barbie e a Mattel foram alvo foi o facto de representarem apenas uma tipologia: magra, sem qualquer tipo de falhas. Para além disto, foram desenvolvidos vários estudos relativamente à Barbie e à possibilidade de potenciar distúrbios alimentares, devido aos padrões que estabelecem, inalcançáveis para a maioria das raparigas.

Neste sentido, em 2016, a Barbie quebrou estereótipos, introduzindo três novas tipologias: alta, curvilínea e pequena. Esta inovação rendeu-lhe a capa da revista americana TIME, em janeiro do mesmo ano. Hoje, estão disponíveis múltiplas Barbie representativas de diversos tipos de corpo, cores de cabelo e cor da pele.

Barbie
Fotografia: Mattel

Barbie na cultura popular

Graças aos seus 62 anos de sucesso sem precedentes, a Barbie passou a ser uma referência não só na indústria dos brinquedos, mas também na sociedade e na cultura popular.

Em 2001, foi lançado o primeiro filme inspirado na boneca, Barbie em o Quebra-Nozes, no canal norte-americano CBS. No total, até à data, existem 38 filmes onde Barbie é a personagem principal, que originaram, depois, representações nas bonecas. Um destes casos é, por exemplo, o filme Barbie em A Princesa e a Aldeã, que contou com bonecas das protagonistas, dos seus namorados, um castelo, carruagens, e até os seus animais de estimação.

Em 2015, a Barbie lançou um canal no YouTube, onde publicava vlogs, dirigindo-se diretamente às raparigas. Nesta série de animação, discutia temas séries como o racismo, a depressão, o bullying, os benefícios da meditação, entre outros. Em 2018, Barbie Dreamhouse Adventures estreou na Netflix, onde podemos acompanhar a boneca e a sua família e amigos nas mais diversas aventuras.

Para além da representação na televisão, a Barbie estabeleceu-se na sociedade e como um marco na cultura popular. 62 anos depois, a boneca continua a ser tão relevante como era no início. Muito deve-se à iconicidade da marca em si, mas também à sua capacidade em adaptar-se aos tempos correntes.

Seguindo a filosofia de Ruth Handler, as meninas conseguirão, através da Barbie, ser o que quiserem desde que se identifiquem com o que veem, num trabalho contínuo para efetivar essa mudança e colmatar o que sempre deveria ter sido representado.

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