Contado Por Mulheres
Fotografias: Divulgação

‘Contado Por Mulheres’. Novo projeto da RTP traz dez telefilmes realizados por mulheres

O objetivo é “colmatar uma assimetria no acesso das mulheres realizadoras ao meio audiovisual”, numa iniciativa “inédita no audiovisual português”. Assim se apresenta Contado Por Mulheres, o novo projeto da RTP com a Ukbar Filmes que vai pôr na antena do primeiro canal dez telefilmes realizados por mulheres. As produções estreiam no último trimestre de 2021.

O anúncio foi realizado esta segunda-feira (8), Dia Internacional da Mulher. Em comunicado, a estação pública realça as disparidades no acesso ao meio entre as mulheres realizadoras, pondo Portugal em linha com o que “tem vindo a ser corrigido a nível europeu”.

O objetivo principal, além de pôr o olhar feminino em primeiro plano e “permitir novas qualificações e um mercado de trabalho inclusivo, é o de “enriquecer o mercado com obras audiovisuais dinâmicas”, realizadas por “dez realizadoras de várias gerações, que possuem um forte sentido narrativo, com uma grande experiência ora na representação ora na publicidade, e que têm merecido grande reconhecimento a nível nacional e internacional em várias áreas”.

Lê também: Contadoras de histórias. A resistência feminina no pequeno e no grande ecrã

Anabela Moreira (atriz), Ana Cunha (realizadora e atriz), Cristina Carvalhal (encenadora e atriz), Daniela Ruah (atriz e realizadora), Diana Antunes (realizadora), Fabiana Tavares (realizadora), Laura Seixas (realizadora), Maria João Luís (atriz e encenadora), Rita Barbosa (realizadora e artista) e Sofia Teixeira Gomes (produtora e anotadora) são as dez mulheres à frente das novas produções.

Além de uma produção que chega ao mercado nacional e internacional, o projeto Contado Por Mulheres pretende acompanhar as realizadoras num processo de internacionalização “com um personalizado mentoring” com vencedoras de prémios como os Óscares e responsáveis por séries e filmes da NetflixAmazonDisney+, explicam Pandora da Cunha Telles e Pablo Iraola, da Ukbar.

Filmes gravados no centro do país adaptam obras portuguesas

Os dez telefilmes vão ser gravados entre abril e agosto deste ano, em diversas regiões do centro do país. As também dez cidades foram escolhidas tendo em conta a riqueza da região em “detalhes, tradições, ditos, cantares, máscaras”, cuja densidade histórica e geográfica pretende atribuir uma maior “densidade narrativa” às criações.

A estação conta com o apoio das Câmaras Municipais das regiões selecionadas: Ovar, Guarda, Oliveira do Hospital, Cantanhede, Alcobaça, Miranda do Corvo, Covilhã, Torres Vedras, Tomar e Ferreira do Zêzere.

As histórias provêm de dez obras portuguesas do século XX, atribuídas a uma das realizadoras:

  • Anabela Moreira – Há-de Haver uma Lei, de Maria Archer (adaptado por Manuel do Ó Pereira)
  • Ana Cunha – A Traição do Padre Martinho, de Bernardo Santareno (adaptado por Cláudia Clemente)
  • Cristina Carvalhal – Os Armários Vazios, de Maria Judite de Carvalho (adaptado por Marta Pais Lopes)
  • Daniela Ruah – Os Vivos, o Morto e o Peixe Frito, de Ondjaki (adaptado por José Pinto Carneiro)
  • Diana Antunes – O Pio dos Mochos, inspirado na obra Contos Vermelhos, de Soeiro Pereira Gomes (adaptado por Raquel Palermo)
  • Fabiana Tavares – Quando o Diabo Reza, de Mário de Carvalho (adaptado por Vasco Monteiro)
  • Laura Seixas – Serpentina, de Mário Zambujal (adaptado por Rui Vilhena, João Duarte Silva e Vinicius Dias)
  • Maria João Luís – A Hora dos Lobos, inspirado na obra Alcateia, de Carlos de Oliveira (adaptado por Mário Cunha)
  • Rita Barbosa – Jogos de Enganos, inspirado na obra Pequenos Burgueses, de Carlos de Oliveira
  •  (adaptado por Martim Baginha Cardoso)
  • Sofia Teixeira Gomes – Vizinhas, inspirado no conto Vizinhas, de Teolinda Gersão (adaptado por Ana Brito e Cunha e Valéria Carvalho)

RTP pretende, ao gravar nestas cidades, fazer uma reconstrução histórica “com um grande valor de produção”. Para tal, as gravações vão dispor de meios técnicos avançados, como câmaras em 4K, targeting na construção de efeitos digitais e outras técnicas de produção digital. O olho está lá fora, com a pretensão destes telefilmes “serem exploráveis em grandes territórios e/ou em plataformas de streaming internacionais”.

Contado Por Mulheres, produção da RTP com a Ukbar, é também uma parceria com a produtora polaca Krakow Film Klaster, algo que, segundo a estação, “vai permitir a utilização de técnicas de produção digital, ainda inéditas em Portugal, tal como o acesso a um mercado de 80 milhões de pessoas”.

Para José Fragoso, diretor de programas da RTP1, este projeto reforça o papel do canal “enquanto principal motor da produção de ficção portuguesa de qualidade para televisão, permitindo envolver uma equipa criativa e de produção de mais de uma centena de pessoas – mesmo num momento adverso como o que vivemos”.

Mais Artigos
Catarina Furtado
Catarina Furtado procura histórias inspiradoras em novo programa da RTP