Festival da Canção
Pedro Pina/RTP

Festival da Canção: Em frente aos televisores, os fãs também fazem parte da festa

Festival da Canção 2021 chega ao fim na noite deste sábado (6) com a apuração do novo representante português na Eurovisão, seguindo-se à vitória de Elisa com ‘Medo de Sentir’ em 2020. Depois de um ano atípico, em que o certame internacional não aconteceu pela primeira vez em 65 anos de história, os Países Baixos preparam-se para receber a Eurovisão, em maio, tendo vários cenários em equação.

Este ano, a apuração nacional tem como mote #OFestivaléNosso, uma hashtag que pretende congregar todos aqueles que fazem parte desta aventura: “os músicos concorrentes e os profissionais da RTP“, “aqueles que seguem as carreiras dos autores e intérpretes que este ano vão passar pelo Festival” e “os que, ano após ano seguem atentamente a história em permanente construção deste programa e os muitos mais que, invariavelmente, fazem deste um dos momentos mais importantes da oferta televisiva da RTP“, sublinha a estação.

Seguindo este mesmo mote, o Espalha-Factos ouviu os testemunhos daqueles que fazem deste evento um marco no seu calendário: os fãs do Festival.

O início da ligação ao Festival

2010 foi o ano que marcou o início da ligação do jovem Diogo Resgate, de 21 anos, ao Festival. A primeira edição a que assistiu fez logo com que ficasse “encantado com o espetáculo e com a competição“. “A partir daí, o festival passou a fazer parte da minha vida diária“, assume.

Um dos momentos mais marcantes, para si, foi “o segundo lugar da Catarina Pereira em 2014“, ano em que venceu Suzy, com o tema ‘Quero Ser Tua’, que viria a representar o país em Copenhaga, na Dinamarca. “Também muito importante foi a vitória do Salvador Sobral, que pela primeira vez nos fez sonhar com uma vitória na Eurovisão, algo que acabou por acontecer“, acrescenta.

O festival está comigo e com a minha família desde sempre. É uma memória muito presente“, resume Márcia Santana, de 29 anos. A administradora do TUGAvision, um grupo de fãs da Eurovisão na rede social Facebook, assume que, por ser aí muito jovem, “não compreendia muito bem a dimensão do concurso“, tendo começado “a seguir assiduamente desde 2007“.

Um dos momentos que destaca “é a vitória da Vânia Fernandes no Festival da Canção em 2008“. “Todo o percurso que fez até à Eurovisão, onde nos representou tão bem e conseguiu o primeiro apuramento português para a final é, sem dúvida, das memórias mais valiosas que guardo“, afirma.

Mais novo nestas aventuras festivaleiras é Francisco Cerol. Apesar de já ver desde que era mais novo, o jovem, de 22 anos, refere que só começou a acompanhar o Festival da Canção mais atentamente em 2017, quando o grupo Viva La Diva, composto por elementos de Alcobaça – a sua terra natal -, participou. “Lembro-me remotamente da Vânia Fernandes quando era mais novo, mas a melhor recordação que tenho foi quando o Conan Osíris venceu em 2019, com ‘Telemóveis’, sendo que, até ao momento, é a minha canção favorita da história do Festival“, destaca.

A primeira memória de Pedro Damasceno Lopes remonta a 2008. “A partir daí, continuei a acompanhar o Festival da Canção, mas considero que desde 2012 me foquei muito mais em tudo o que acontece antes e depois, e no processo rumo à Eurovisão. Em 2014 já me considerava fã do evento e um seguidor cada vez mais atento“, conta, destacando que, com a entrada no site ESC 38N, em 2017, “esta relação continuou a crescer“.

O jovem, de 23 anos, marcou presença na final do Festival, em 2017, no Coliseu dos Recreios, considerando “marcante ter tido a oportunidade de escutar ‘Amar Pelos Dois’ ao vivo, muito antes de se ter tornado na canção que hoje é, reconhecida por muita gente, e nos mais variados lugares“. Para além deste momento, destaca a abertura protagonizada por Filomena Cautela, Vasco Palmeirim e Inês Lopes Gonçalves, na final de 2019. “Sinais lúcidos de uma aprendizagem forte retida pela RTP pós-Eurovisão 2018, e que dão uma qualidade bastante forte ao espetáculo, aproximando-o de outras produções televisivas de excelência“, pontua.

A “cada ano tem havido mais variedade”

Depois de duas semifinais, a edição deste ano do Festival da Canção chega ao fim este sábado (6) com a apuração do representante português na Eurovisão. Vinte temas estavam, inicialmente, a concurso, tendo transitado dez para a final, resultantes da ponderação 50/50 entre a escolha do júri e o voto do público.

Para o jovem Francisco, a presente edição do formato “tem bastante variedade e qualidade em várias vertentes“. “Acho que este ano o Festival deu um notável salto qualitativo. O ano passado foi mais fraco, na minha opinião“, considera Diogo Resgate, frisando que “há várias músicas com potencial de representar Portugal na Eurovisão“.

Na mesma linha de pensamento, Pedro antevê “até ser difícil prever o vencedor da seletiva“. Considerando que “a edição desde ano não tem propriamente músicas más“, Márcia Santana deixa um reparo quanto à variedade de géneros existentes: “Temos muitas canções calmas, e poucas canções Pop“.

Salvador Sobral - Festival da Canção 2017
Salvador Sobral venceu a apuração nacional, em 2017, com a composição da irmã Luísa. Imagem: RTP/Divulgação

Depois de ter estado ausente da Eurovisão em 2016, Portugal voltou à competição em 2017, apresentando um renovado Festival da Canção. Nesse ano, a estação convidou 16 compositores de vários géneros, entre os quais constava Luísa Sobral, a autora de ‘Amar Pelos Dois‘, que viria a vencer o certame internacional, nesse mesmo ano, em Kiev, na Ucrânia.

Sou daqueles que agradece a reformulação e a nova roupagem dada ao FC, visível a partir de 2017, num trabalho responsável em parte pela equipa de Inovação da RTP“, afirma Pedro Damasceno Lopes, que considera muito importante “a responsabilidade de mostrar a competição como uma boa montra de ótimos artistas, inclusivamente mais atrativa para nomes que antes jamais poderíamos imaginar na competição“.

Creio que o ‘cúmulo’ do ‘Festival da Canção’ se deu em 2015, quando não havia praticamente nenhuma música de qualidade. Agora valoriza-se o esforço da RTP em preparar uma festa de músicas, com novos talentos e outros já consagrados, que possam apresentar a sua música“, aponta Diogo Resgate. Também Francisco vê a evolução do Festivalcom bons olhos“: “Cada ano tem havido mais variedade, e artistas de todo o tipo têm tido voz no Festival“.

Márcia considera que, “embora o festival tenha melhorado a qualidade das canções“, “essa qualidade não é reconhecida fora de portas“: “desde a vitória do Salvador, essa ‘evolução’ não se reflete em resultados na Eurovisão“. “E isso é algo que a mim me preocupa porque, no final do dia, isto é uma competição“, realça, considerando o atual formato do festival “demasiado elitista“.

As preocupações da fã não são cenário único. “A competição está num patamar muito interessante, e apenas espero que os resultados menos positivos de Portugal no ESC não venham deitar este crescimento por terra“, ressalta o também redator Pedro, indo ao encontro da visão de Diogo: “O festival ganhou uma nova roupagem e é assim que deve continuar“.

Em 2021, espera-se uma Eurovisão “com um grande espírito de celebração”

2020 foi um ano atípico, que ficará também marcado na história da Eurovisão. Pela primeira vez em 65 anos, a competição não se realizou. Roterdão, que seria palco do certame em 2020, prepara-se agora para acolher a edição de 2021 do Festival Eurovisão da Canção, com a organização a antever que os artistas possam atuar no local. Para já, ainda não é certo se não haverá público ao vivo ou se será permitida uma audiência reduzida.

Para o fã Diogo, “a essência da Eurovisão vai lá estar“, apesar de “faltar o glamour de uma passadeira vermelha como existe todos os anos, bem como todas as festas associadas à semana eurovisiva“. “Creio que a Eurovisão vai continuar com a mesma magia, pelo menos para quem como eu ama este certame“, considera.

Podermos ver o retorno da Eurovisão vai ser capaz de se sobrepor a qualquer índice distinto que possamos encontrar“, sublinha Pedro. Para o jovem, “o espírito dos artistas (alguns vindos de 2020) vai certamente estar centrado na enorme vontade de mostrar este regresso da música“, esperando “um evento forte, competitivo e com um grande espírito de celebração“.

Francisco tem acompanhado a escolha dos intérpretes e respetivas canções nos outros países e antevê uma edição “bastante forte“: “talvez em parte por muitos artistas do ano passado participarem de novo este ano (já que não tiveram a oportunidade de o fazer em 2020 devido à pandemia), e, consequentemente, terem tido bastante tempo para pensar e escolher uma canção que se adequasse ao máximo ao estilo de cada um“.

Márcia mostra-se “recetiva a tudo o que irá acontecer este ano“, frisando que “a expetativa gera inevitável desilusão na grande maioria dos casos“. “Como fã incondicional desta competição, sinto-me profundamente grata à EBU [União Europeia de Radiodifusão], e a toda a organização por nos proporcionar a competição de volta ‘no matter what’, como eles próprios disseram“, remata.

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