WandaVision
Fotografia: Disney/Divulgação

Crítica. ‘WandaVision’ é uma lufada de ar fresco no universo Marvel

Ao fim de nove episódios, a porta de entrada à nova fase do Universo Cinematográfico da Marvel. WandaVision, a primeira série original da Marvel para a Disney+, chegou ao fim esta sexta-feira e encerra uma jornada que é, na verdade, apenas o início dos próximos capítulos da saga.

Depois do clímax de Vingadores: Endgame, o universo da Marvel está num processo de transição. É verdade que, após essa longa-metragem, foi lançada a sequela do Homem-Aranha, mas a ação desse filme acontece alguns meses após a batalha de Thanos, com a trama descentrada das consequências desse evento.

Dito isto, WandaVision é a primeira incursão da Marvel, sob a chancela da Disney, no formato série televisiva e tem a tarefa desafiante de continuar a história após a guerra entre Vingadores e Thanos. Será que a série é um prenúncio do que virá para o universo cinematográfico ou será uma dispendiosa perda de tempo para os fãs desta trupe de super-heróis?

Aviso: Este artigo contém spoilers para WandaVision

A premissa de WandaVision foca-se, inicialmente, no dia-a-dia de Wanda Maximoff com o synthezoid – um android do universo MarvelVision. O pano de fundo começa por ser as sitcoms norte-americanos dos últimos 60 anos – pelo que se podem esperar muitos clichês desse tipo de programa. Mas terá esta abordagem sido fundamentada?

Há um grande enfoque neste formato com o casal de super-heróis como principais protagonistas. Cada episódio está repleto de pormenores e referências que os fãs mais atentos irão certamente reparar. O genérico como paródia a séries como Malcolm in the MiddleA Vida é Injusta em português – ou o estilo mockumentary usado em The Office ou Uma Família Muito Moderna são apenas alguns dos exemplos mais evidentes desta homenagem à televisão no decorrer das últimas décadas.

Wandavision
Fotografia: Disney/Divulgação

Um simples detalhe como a mudança subtil de aspect ratio de ecrãs entre o mundo de sitcoms e o mundo real é um pormenor que acrescenta bastante à imersão de storytelling em WandaVision. The Mandalorian, outra série da Disney+, fez de uso dessa opção estilística no primeiro episódio da segunda temporada.

Apesar da grande ênfase dado às sitcoms, a série dá várias pistas que algo se passa neste mundo utópico, descobrindo-se, depois, que não passa de uma criação de Wanda. São várias as vezes que se quebra ‘a quarta parede’ e este aspeto faz lembrar alguns momentos constrangedores e de tensão em séries como A Quinta Dimensão ou Black Mirror.

Para quem que não gosta destes programas televisivos, esta opção pode ser um entrave para assistir em primeira instância. A questão das sitcoms foi utilizada para dar profundidade, numa fórmula que se vai aos poucos desfazendo, aos problemas existentes no relacionamento entre Wanda e Vision, interpretados por Elizabeth Olsen e Paul Bettany. Como espectadores, vemos a razão desta escolha justificada no argumento no oitavo episódio.

Uma cara conhecida – e um fantoche e uma vilã que na verdade não o é

Agatha Harkness, interpretada por Kathryn Hahn, é um dos ponto fortes da série. Em primeira instância, parece que é uma simples personagem secundária do mundo de “faz de conta” criada por Wanda; na verdade, é uma bruxa com poderes sobrenaturais. Agatha explica à iludida Wanda que é a Feiticeira EscarlateScarlet Witch no original -, designação oferecida a um ser único dentro deste universo.

WandaVision
Fotografia: Disney/Divulgação

É de contextualizar que, na banda desenhada, Wanda Maximoff é conhecida por este alter-ego. No entanto, o termo ainda não tinha sido utilizado nos filmes da Marvel, já que era propriedade associada aos X-Men, cujos direitos cinematográficos pertenciam antes à 20th Century Fox. Através da aquisição da Disney deste estúdio, esse problema deixou de existir e é, nesta série, que acontece a estreia oficial da alcunha de super-heroína de Wanda.

Esta aquisição permitiu também a participação da personagem Quicksilver do universo cinematográfico dos X-Men, interpretado pelo ator Evan Peters. A sua presença prenunciava que algo maior estava para vir no final da temporada. Porém, estando a avaliar exclusivamente o conteúdo da série sem saber o que irá acontecer no futuro, foi um tiro ao lado.

Fotografia. Evan Peters como Quicksilver / Divulgação Disney

No último episódio, descobre-se que é apenas de um peão utilizado pela antagonista. Por outras palavras, o uso desta personagem teve apenas um objetivo: fan service. Ao contrário da aparição uma certa personagem no final da segunda temporada de The Mandalorian, neste caso, o surgimento de Quicksilver acabou por ser mal aproveitado. Mas não sabemos o que pode ainda vir a acontecer, porque tudo pode mudar, especialmente com as portas possivelmente abertas para o multiverso.

Agatha, em si, foi uma surpresa pela positiva. Os vilões e o seu desenvolvimento enquanto personagens têm sido apontados como o elo mais fraco das longa-metragens da Marvel. Em WandaVisionAgatha é uma peça fundamental para a desconstrução de Wanda, com o objetivo que ela possa ressurgir como Feiticeira Escarlate, tal como se tratasse de uma ascensão da Fénix.

WandaVision
Agatha Harkness, interpretada por Kathryn Hahn. | Fotografia: Disney/Divulgação

Em contrapartida, pouco interessantes foram os segmentos do mundo real com o campo militar da S.W.O.R.D,, uma organização semelhante à SHIELD deste universo mas responsável por assuntos com entidades extraterrestres. O único ponto mais interessante dessa parte da história foi a origin story de Monica Rambeau, que no futuro certamente se irá tornar em Photon, interpretada pela atriz Teyonah Parris.

Avizinha-se que a personagem, que apareceu pela primeira vez numa versão infantil em Capitão Marvel, estará em destaque em futuros projetos deste universo cinematográfico, especialmente em filmes como Capitão Marvel 2 – assim nos leva a crer uma das cenas após os créditos. De resto, o elenco secundário de WandaVision – constituído por Jimmy Woo e Darcy Lewis – cumpriu, mas sem grande distinção.

E agora? Qual será o próximo passo da Marvel?

Existem cenas pós-créditos ambíguas, que, ao mesmo tempo, assumem um caráter premonitório sobre o rumo que o universo cinematográfico da Marvel poderá tomar. As portas do multiverso – várias realidades espalhadas no tempo e espaço – terão sido abertas. Tendo em conta que a sequela de Doutor Estranho tem como subtítulo The Multiverse of Madness, Wanda Maximoff deverá ter um papel determinante aí e dar continuidade à jornada que se iniciou em WandaVision.

É esperado que alguns dos elementos apresentados em WandaVision venham a ganhar preponderância e a ser desvendados por completo nas próximas séries e filmes do saga. A próxima etapa da fase quatro do universo cinematográfico da Marvel chega com a série O Falcão e o Soldado do Inverno, a chegar à plataforma de streaming da Disney no próximo dia 19 de março.

WandaVision
7.5
Mais Artigos
Bento Rodrigues conduziu o Primeiro Jornal no dia da leitura da decisão sobre a Operação Marquês.
Audiências. Operação Marquês dá melhor resultado do ano a ‘Primeiro Jornal’