James Arthur
Fotografia: Sony Music/Divulgação

James Arthur. Novo single do cantor é “mais coeso, harmonioso e pessoal”

‘Medicine’ é o novo single do cantor britânico James Arthur. Lançado esta sexta-feira (5), o tema marca uma nova fase na carreira do artista, que apresentou o tema à imprensa internacional num meet and greet à distância, onde o Espalha-Factos esteve presente.

O tema surge depois de uma breve promoção no TikTok e marca um regresso aguardado. O músico inglês conquistou os fãs pelo com Impossible, em 2013, depois de ter ganho o The X Factor no Reino Unido. Mas a sua carreira conta com outros sucessos, como Say You Won’t Le Go, Naked, e Rewrite the Stars, com Anne-Marie, para o musical O Grande Showman.

Depois de um 2020 passado a compor num estúdio em casa, onde “até se ouvem passarinhos a cantar“, Arthur pretende agora retornar à forma com um disco “muito mais pessoal“. Confinado, 2020 serviu para se “olhar ao espelho” e refletir sobre as “coisas que eu não gosto e as que me fazem feliz, e como é possível simplificar as coisas“. A reflexão levou-o a construir um estúdio em casa, como fizeram muitos outros músicos, onde compôs um novo álbum, ainda sem título divulgado. “Fazer um álbum para os meus fãs foi a minha motivação“, explica James Arthur, sobre o disco que “queria fazer há muito tempo“.

Este novo projeto do músico será o primeiro a não ser lançado pela Sony e pela Syco, editora de Simon Cowell, já que o músico assinou pela Columbia Records britânica no início deste ano. O álbum foi anunciado via Twitter, em junho de 2020.

Entre as gravações, o músico correu e caminhou, para estar em forma para outra das paixões, o futebol: “tenho de estar em forma para conseguir correr 90 minutos num jogo“. Para além de ser adepto do Middlesbrough F.C., Arthur é também adepto do lema “corpo são, mente sã” e encoraja os fãs a fazerem “uma longa caminhada, durante este novo confinamento, porque isso ajudou-me também a nível mental“.

No entanto, mesmo seguindo esta filosofia, a vida de James Arthur estava longe de ser pacífica em janeiro do ano passado. O seu horário não tinha intervalos para caminhadas ao ar livre, já que o músico teve de ser hospitalizado em Madrid para remover a vesícula. Durante essa mesma passagem pela capital espanhola, James Arthur teve um ataque de pânico “brutal“, que levou o músico a abrandar o seu ritmo de vida.

Foi a primeira vez em que me senti mal fisicamente, por causa do stress e da ansiedade. Se não tivesse parado, acho que morria. A primeira parte do meu 2020 foi passada a recuperar do que se passou em Madrid, para poder fazer a minha tour nas arenas“, diz.

O músico refere-se aos concertos nas arenas de Dublin, Cardiff, Londres, Birmingham, Newcastle, Manchester e Leeds. “Mas depois chegou um vírus horrível, chamado corona, que nos meteu todos em casa. Todo o trabalho que fiz no início do ano, serviu-me de pouco, porque voltei à primeira base, mas consegui sobreviver. Ao ser criativo, ao cuidar de mim, ao fazer exercício, coisas básicas, mas que, para mim, fizeram toda a diferença“, acrescentou.

James Arthur
Fotografia: Sony Music/Divulgação

Foi assim, ao “olhar-se ao espelho” e com “coisas básicas“, que acabam por fazer “toda a diferença“, que James Arthur escreveu ‘Medicine’ e todo um novo álbum. “Não me apercebi do quão pessoal este álbum realmente é, só a meio das gravações é que tive uma ideia. Eu até falo das coisas mais negras, dos tempos mais negros, consegue-se mesmo perceber aonde é que eu estava“. Comparado com outros álbuns, Arthur ficou surpreendido com o resultado de ‘Medicine‘, porque “a primeira música é sempre uma porcaria“. No entanto, desta vez, mostrou-lhe um caminho para escrever outras músicas.

Este novo álbum fala sobre um gajo que está a refletir sobre tudo o que se passou nestes últimos anos da sua vida, especialmente aquele momento mais negro da minha vida. ‘Medicine’ é a música perfeita para arrancar com as coisas em que estive a trabalhar, porque é uma música positiva e inspiradora. Para mim, foi reunir o que havia de positivo na minha vida, nestes tempos tão negros. Quero que as pessoas se perguntem ‘Qual é o meu ‘Medicine’ (remédio)?’

A música entra em temas profundos, como o suicídio, no verso “When I’m feeling suicidal/ You don’t let me spiral” (“Quando eu me sinto suicida/ Tu não me deixas entrar em espiral“). Com “tu“, Arthur refere-se à namorada Jessica Grist, uma das bailarinas de The X Factor quando o músico era concorrente.

A minha companheira é um dos meus grandes apoios, ela está sempre lá, e ajuda-me a não entrar nessa ‘espiral’ que eu falei, porque eu tenho tendência a fazer isso. Acho que é algo comum em pessoas criativas, como eu. Quando as coisas não me estão a correr bem, tenho essa tendência de olhar para trás e não para a frente. É assim que eu sou, mas ela está sempre, sempre lá para mim, para me ajudar“.

Este vai ser um álbum coeso e harmonioso

Desde o começo da promoção que James Arthur carateriza o novo projeto como “um álbum coeso e harmonioso“. No passado, o músico “vagueava por muitos estúdios e trabalha com muitas pessoas“, o que nem sempre era benéfico para si.

Este é o meu quarto álbum e queria estar confortável a fazer a minha música, portanto, gravar isto em casa ajudou-me, porque consegui mostrar um lado mais vulnerável, algo que não conseguiria fazer se mantivesse o processo do costume“, explica. Este novo álbum de “vem todo do mesmo sítio“, tanto física como emocionalmente. “As pessoas vão gostar muito do som deste álbum, porque vem todo do mesmo sítio“.

Felizmente, os vizinhos do músico estão distantes o suficiente para não se sentirem incomodados com a música, refere o cantor em tom de brincadeira. Mas James Arthur teve de fazer pausas, por causa de “crianças a berrar, constantemente, enquanto eu tentava gravar vozes“. No entanto, o ambiente também trouxe surpresas agradáveis, como “pássaros a cantar” durante as gravações.

Ao contrário dos outros álbuns do artista, este novo disco é conduzido pela sua guitarra, ao invés do piano. “Há piano lá no meio, mas os instrumentos principais são guitarra elétrica e acústica, algo muito fiel a quem eu sou, porque o meu passado passou muito pelo rock. Digamos que é algo do género: pop misturado com grunge misturado com trap à Post Malone. Talvez seja esta a melhor descrição“.

James Arthur
Fotografia: Sony Music/Divulgação

O encontrar de um caminho na música

No passado, foi difícil para James Arhtur decidir que género de música é que queria seguir, pois é fã “de música, de todo o tipo de música, por isso é que quero fazer todo o tipo de música. Agora, olhando para o panorama musical e mundial da música, sinto que o rock está a ressurgir, em conjunto com o trap, com artistas como Machine Gun Kelly, Post Malone, Yungblud e Travis Scott. Quando olho para essa ‘paisagem’, vejo uma oportunidade para fazer parte deste movimento, com estes tipos, porque é-me fácil entrar neste registo“.

No entanto, embora se sinta como um dos pares destes artistas, James Arthur lembra-se de onde começou, antes do The X Factor, quando era “mais um gajo numa banda“.

Se eu me esquecesse que já fui só mais um gajo numa banda, provavelmente, não tinha chegado tão longe. Vou sempre ver-me assim, por isso é que nunca deixei que ninguém me inflamasse o ego. Por isso é que tenho muitos momentos de introspeção, para conseguir perceber quem é que sou e aonde é que eu estou. E isso é porque eu já estive naquela posição de ter que tocar em ‘pubs’, para públicos com duas pessoas e um cão, como costumamos dizer, em Inglaterra. Isso vai estar sempre comigo, porque assim sinto que estou sempre a progredir“.

Os frutos do sucesso de James Arthur

Por causa do sucesso de ‘Say You Won’t Let Go‘, durante dois anos, James Arthur tentou replicar a música. “Estava a tentar simular o sucesso e a fórmula, o que me levou pelo caminho errado, foi por isso que não vendi tanto nessa altura, como devia ter vendido. Então parei de fazer isso e voltei a fazer o que gosto, o que amo, estou muito feliz com as minhas músicas novas“.

Contudo, o músico fez uso da sua fama e do seu sucesso no passado para se aventurar no TikTok, uma das aplicações mais famosas e descarregadas do mundo, para promover ‘Medicine‘. James Arthur reconhece que a aplicação começa a ter uma influência importante na indústria musical e conseguiu estabelecer uma linha de trabalho com os administradores da empresa para poder promover os seus novos temas. “Eles pegaram na música (‘Medicine’) e tornaram aquilo numa cena viral, o que é muito bom, porque assim eu preocupo-me com a música e eles com a promoção. Por isso é que eu gosto do ‘TikTok’, é acessível para o consumidor“.

#ismymedicine ficou viral no TikTok, com vídeos de fãs a dançar ao som de ‘Medicine’ com as suas caras metade. “Vi um vídeo de um casal velhote que me emocionou“, diz James Arthur. “Quero ver mais vídeos, nós temos mais surpresas a caminho, também“.

‘Medicine’ já está disponível nas plataformas de streaming e no YouTube.

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