O Incrível Homem Bomba

Entrevista. O Incrível Homem Bomba: “Temos de chegar a toda a gente para crescermos como banda e como pessoas”

O Incrível Homem Bomba começou em 2010, como um projeto a solo de Pedro Martins, que agora é o vocalista da banda. Pouco tempo depois, em 2012, ganhou a forma de banda, com Bruno Carreira Cruz, guitarrista, Pedro Ferreira, baixista, José Alvarez Moreira, teclista, e Filipe Fernandes, também conhecido como Alemão, na bateria. Em 2014, lançaram o seu primeiro EP … porque o mundo não é quadrado, e quatro anos mais, em 2018, o álbum Mutação. Recentemente, lançaram o single Estrada, que antecede o lançamento do próximo EP. O Espalha-Factos esteve à conversa com os membros da banda.

A entrevista decorreu via ZOOM e a conversa foi evoluindo aos poucos, à medida que os elementos da banda iam chegando e alongavam as respostas uns dos outros. Num tom descontraído, os elementos de O Incrível Homem Bomba foram contando as suas histórias e viagens, numa conversa que juntou passado e futuro, como compõe as suas músicas e o que esperar para o concerto virtual no Hard Rock Café, no Porto, a primeira atuação sem público da banda.

Como é que surgiu O Incrível Homem Bomba?

Pedro Martins: Ora, isto remonta a dez anos atrás, a 2010. Basicamente, isto começa comigo: eu é que era O Incrível Homem Bomba. Tinha uma cena a solo, mas tocar sozinho não é a mesma coisa, não dá aquela pica. Então, depois respondi a um anúncio, na Blitz, conheci o Bruno, o Pedro, e, mais à frente um bocadito, quando foi preciso arranjar um nome para a nossa banda, fomos buscar o nome que eu já usava.

Pedro Ferreira: Ele encontrou-nos no OLX [risos].

Pedro Martins: A banda foi feita na altura com outros elementos. O Pedro, na altura, ainda chegou a fazer uns testes, mas depois foi despedido [risos]. Entretanto, foi respescado e veio. O Alemão depois também saiu, tivemos outros bateristas.

Alemão: Sim, depois, em 2014, voltei a entrar.

Pedro Martins: Os únicos elementos que estiveram sempre presentes foram o Zé e o Bruno, que começou comigo.

Pedro Ferreira: Desde então que a amizade foi criada e elaborada, o que faz com estejamos já há dez anos juntos e que consigamos trabalhar, insistir e lutar para fazer algo na música, que cada vez mais é um mercado difícil.

Como é que são O Incrível Homem Bomba no estúdio, ou seja, como é que compõe as vossas músicas?

Pedro Ferreira: Nós ainda somos da velha guarda, a música faz-se no estúdio. Somos muito de ensaios, de jams, as músicas saem com a jam que é feita, repescar coisas que já tentamos fazer há uns anos atrás na sala de ensaios. Por exemplo, vamos lançar agora um novo EP, com músicas que foram feitas recentemente, uma ou outra que já tem história para trás e que chegamos à conclusão que era a altura ideal para serem lançadas. Ou seja, se formos ao nosso “baú”, somos capazes de ter umas trinta, ou quarenta, músicas que ainda não foram editadas. Ou ideias. Vamos fazendo as coisas na sala de ensaios, trabalhando, e, depois, quando conseguirmos encontrar algo que fica bem no EP, então, lançamos. São muitos ensaios.

Alemão: A parte de estúdio, para nós, é a mais “seca” de todas, porque é aquela fase em que temos de ter a música bem trabalhada, para tentar reproduzir da melhor forma possível. Da mesma forma, o processo de masterização também é um bocado mais cansativo e desgastante, no sentido em que há sempre ideias que estão constantemente a mudar. A melhor parte é criar algo, quando estamos na sala a tocar, porque estamos muito mais libertos, descontraídos e, conforme o espírito, vão-nos sair sons diferentes, que pode variar de um ensaio para o outro. Podemos estar a fazer uma cena pesada, logo depois uma cena em acústico, uma coisa assim… Há bandas que se seguem sempre pela mesma linha, tentam não fugir muito daquela margem, mas nós não. Tocamos seguindo a nossa vontade e o nosso gosto.

Pedro Ferreira: No EP e no Mutação, há momentos mais brutos, com mais raiva, porque foi a sensação que tivemos no momento em que estávamos a compor. Estávamos em baixo, emocionalmente, devido a frustrações e adversidades que íamos tendo e isso materializou-se nas músicas, na forma como estão. Aí falamos de amor…

Pedro Martins: Sim, basicamente, de relações.

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Atualmente, muitos músicos preferem gravar no computador. Acham que a vossa maneira de fazer música se está a perder?

Pedro Martins: Eu espero que não [risos]

Pedro Ferreira: Nós sentimos que não é a nossa maneira de compor. Já tentamos gravar em casa uma cena na guitarra, depois gravar o baixo, etc. Mas chegamos à conclusão que não funciona. Só conseguimos criar juntos, para fazer uma jam, porque ouvimos um riff e depois entra o Pedro com a letra.

Alemão: Até podes estar inspirado, mas estás sozinho, não tens retorno, nem vai puxar muito por ti.

Pedro Martins: E falta-te a crítica. Se eu estiver a ouvir alguma coisa que não gosto no baixo, o Pedro olha para a minha cara e percebe logo [risos] Em casa, tens outra liberdade, mas, para nós, nunca foi esse o objetivo.

Alemão: Nós somos muito sociais, todos. Gostamos de estar juntos. Essa energia reflete-se nos concertos. Gostamos de tocar ao vivo, com gente, porque aí reflete-se o que nós somos: o contacto com o outro.

Pedro Ferreira: É a química. Funcionamos muito pela química.

Alemão: Exato, preferimos juntarmo-nos e fazer qualquer coisa do que estar cada um na sua casa.

Essa forma de trabalhar ouve-se nas vossas canções.

Pedro Ferreira: Sim. Olha, o caso da “Estrada“. Essa música, em termos de composição, saiu tudo na hora. Estava eu e o Alemão a ensaiar, criamos aqui a maquete inicial, entretanto, chegou o Bruno, que chegou agora [risos] e colocou a guitarra, chegou o Pedro, um bocadinho mais tarde, meteu a letra e a música ficou pronta. Depois, como é óbvio, tivemos de estar a ensaiar mais um bocado, limar as arestas, definir passagens, mas a própria criação foi fruto de estarmos juntos. Compomos nessa ótica.

Conseguiram trabalhar em músicas novas, ou foi um período de hibernação?

Alemão: Se pesarmos os meses que se passaram, com aquilo que produzimos, posso dizer que sim, estivemos bastante parados. Nós gostamos de trabalhar juntos. Acabamos por fazer um vídeo, em que cada um fez a sua parte em casa, que até foi uma cover dos Xutos e Pontapés.

Bruno: Mas é engraçado falares nisto, porque nós até tivemos problemas digitas com o nosso nome [risos]. Os e-mails que mandávamos iam sempre para spam, porque tinham a palavra “bomba” [risos]. Tivemos de mudar o endereço de e-mail, pensamos em mudar o nome da banda, só por causa disso [risos]. Quase que tivemos de pensar nas coisas de outra forma, só por causa deste pequeno detalhe. Tentamos chegar às pessoas pela nossa música, principalmente, mas gostávamos de ter aquela capacidade de chegar mais além, de ajudar mais, termos alguma voz no panorama cultural e musica, mas como somos “pequenos”, fazemos aquilo que está ao nosso alcance.

Pedro Ferreira: Opa, deu para trabalhar aquilo que normalmente não trabalhamos: a parte da promoção, das redes sociais, isso tudo. Nós procuramos muito ensaiar, estarmos juntos, queremos é tocar, nas jams e ao vivo. Todo o outro trabalho, que as bandas normalmente fazem, meter coisas no Facebook, etc., ficava para segundo plano, mas agora começamos a investir tempo nisso, porque também é uma parte importante, estamos a ter algum retorno desse trabalho.

Alemão: Não trabalhamos propriamente em músicas, em algo para mostrar, investimos mais tempo nisso.

Bruno: Mas musicalmente também fizemos umas coisas. Fiz umas brincadeiras em acústico, com músicas que já lançamos, e enviei-lhes e daí a nossa ideia de, este ano, lançarmos alguma coisa em acústico, porque as nossas músicas soam muito bem em acústico. Já tínhamos isso em mente, mas andávamos sempre a adiar e agora encontramos tempo para isso.

Então podemos esperar um Unplugged de O Incrível Homem Bomba. 

Bruno: Sim [risos], vem aí qualquer coisa unplugged.

Alemão: Já foi um projeto que teve bastante gente, mas que nunca teve pernas para andar. Se calhar nesta altura, talvez consigamos.

Bruno: E é um projeto que nós sabemos que nos pode abrir outro tipo de portas e outro tipo de salas de concerto e nós também queremos mostrar isso, as nossas versões acústicas.

Mesmo assim, em 2020, conseguiram dar concertos?

Pedro Ferreira: Sim, demos dois. Até tínhamos uma boa agenda, para o resto do verão, mas foi tudo cancelado.

Alemão: Íamos a alguns mini-festivais, o que ia ser porreiro.

Por causa da vossa amizade, acham que é mais fácil serem críticos uns dos outros, como o Pedro há pouco referiu?

Pedro Martins: Fica mais fácil, eu acho que sim.

Bruno: Acho que não [risos].

Pedro Martins: Não?

Bruno: Quando trabalhamos com pessoas que conhecemos bem, começamos com “Ah, mas, se calhar, o meu baixista não gosta muito disto”, o que torna mais difícil convencer as pessoas a fazer uma música a partir daí. Quando são músicos que são músicos, ou seja, convivem como músicos, é mais fácil ceder e pensar na música, mas, quando somos amigos, temos de ponderar outras coisas. Do género, eu gosto muito de blues, mas, se alguém na banda não gostar, então, não vou apresentar uma dada ideia, ou então vou apresentar, mas já sei que isto não vai ficar como eu imagino.

Pedro Ferreira: Mas há sempre algumas cedências e ficamos sempre contentes com o produto final.

A nível de sonoridade, o que podemos esperar do próximo EP?

Pedro Martins: Este próximo EP será mais rock, uma cena mais pesada do que temos feito até agora. Pegamos nos dados e baralhamos tudo outra vez e lançamos. Reformulamos isto tudo, todos aqueles artifícios que usávamos, desapareceram: retiramos a palha, deixamos só o conteúdo, ou seja, só mesmo aquilo que interessa, que é uma letra e sons fortes. Está aqui. É isto. Uma coisa mais direta e mais pura. As três, quatro músicas do próximo EP vão ser totalmente diferentes. As pessoas vão dizer: “estes gajos não são os mesmos”. Mas somos, a identidade está lá! Há sempre uma linha, seja pelas letras, ou pela maneira de abordar os temas. Mas a nossa ideia foi: se nós nos ensaios soamos assim, pesados, fortes e diretos, então vamos meter isto no CD. Fomos ao estúdio do André Matos, um amigo de já há muitos anos e que está habituado a gravar músicas mais pesadas, e dissemos-lhe que era mesmo isso que nós queríamos. E ele, em três, quatro horitas, como estávamos tão bem ensaiados, foi só tocar e ficou feito. Não houve muito trabalho de pós-produção, coisa que, nos outros anos, nos comeu muito tempo. Queremos que o EP soe a um ensaio, tal como ficou a “Estrada“, onde não metemos floreados. Ouves a música como ela é. O que nós tocamos no ensaio, é o que se vai ouvir ao vivo, sem tirar nem pôr.

Quais é que foram as vossas influências para este novo projeto?

Bruno: Olha, isso foi muito engraçado [risos].

Alemão: Levamos uma injeção [risos].

Bruno: Andávamos a ouvir Queens of the Stone Age Royal Blood e eu disse-lhes “agora só vão ouvir estas três bandas nos próximos três meses”. São influências que sempre estiveram presentes, não tanto na sonoridade, mas na estrutura musical. São músicas constantes, com um lado A e um lado B, não tem um lado C, ou D, ou E. Por exemplo, Royal Blood tem coisas mais cruas. Pronto, dei-lhes na cabeça e obriguei-os a consumir Royal Blood como se não houvesse amanhã.

Para o Pedro Martins, que é quem escreve as letras, quais são as tuas influências?

Pedro Martins: As minhas influências são muito vastas. Basicamente, eu sou muito observador. No meu trabalho, eu conduzo muito, ando para cima e para baixo, e então observo o dia a dia. Tanto agora, nesta fase, como há três anos, dez anos, circular na rua consegue ser a maior fonte de inspiração que tu consegues ter. Olhas para uma rua e inspira-me a escrever uma coisa qualquer. Se passar por uma praia, também encontro algo que me inspire. Basicamente, são as vivências do dia a dia, são as situações que eu vou vivendo que me inspiram. Eu não consigo fazer “letras por encomenda”. Se me pedirem para escrever sobre algo, eu até consigo, não é por aí, mas não é aquilo que eu estou a sentir. Eu consigo retratar uma situação qualquer, já tivemos músicas em que o Bruno me pediu um tema em específico e eu conseguir fazer o que era preciso. Normalmente, o dia a dia é o que me inspira, quer seja ler uma notícia, ou um livro. ou estar na rua e ver uma situação qualquer. Tudo isso é inspirador.

Quando é que começaste a escrever?

Pedro Martins: Sou-te muito sincero. Desde os tempos da escola que nunca fui muito de escrever. Há pessoal mais novo que tem a coisa de escrever muito. Nunca fui desses. Só quando comecei a ter bandas, com os meus catorze, quinze anos, que foi quando aprendi a tocar guitarra, que tive aquele bichinho de escrever algo, quando estava em casa. Uma coisa leva a outra. O meu próprio percurso musical também me condicionou a isso. Toquei bateria, depois baixo. Quando me disseram que eu não sabia tocar baixo, então meteram-me a cantar [risos]. E eu fui cantar. E depois disseram-me “se cantas, tens de escrever” [risos], então, pronto, comecei a escrever [risos]. Uma coisa levou à outra. Ganhas gosto. Se pegas em letras escritas há dez anos, ou mais, olho para aquilo e digo “fónix, como é que eu escrevi isto?”. Não é ser prepotente, ou dizer “ya, sou um grande escritor”. Podem achar que eu escrevo bem, mas, como crítico de mim próprio, até posso concordar com isso, mas não sou um poeta. Vou escrevendo umas coisas que o pessoal quer dizer e pensa, mas que não tem coragem para o escrever. No fundo, se fores ver as minhas letras, estão retratadas aquelas vivências, desde o “sai para a rua e faz-te um homem”, ou outras expressões. Eu tinha o hábito de apontar as expressões que gostava. Depois, quando precisava de alguma coisa para uma letra, ia lá buscar. Às vezes, quando escrever uma palavra, sei lá, dás fé e tens um texto! Porque a seguir àquela palavra, vem outra palavra, é por aí. Basicamente, é isto [risos].

E o resto da banda, também costuma escrever, ou é só o Pedro?

Bruno: O Pedro, e não por ele estar aqui ao meu lado, mas eu acho que ele é dos melhores letristas que conheço. Qualquer coisa que ele escreva, eu leio, as pessoas leem, e dizem “fogo, eu já estive nesta situação”, ou “este gajo tem razão”, ou “ele fala de uma coisas que eu vejo todos os dias, mas nunca pensei sobre isto”. Ele consegue transmitir isto nas letras dele, por isso damos-lhe a liberdade para escrever. Se ele volta e meia precisa de uma frase ou expressão para a música, qualquer coisa com mais raiva, nós damos umas dicas, mas fica por aí.

Amanhã há um concerto no Hard Rock. Como se sentem ao pisar um palco físico, mas virtual?

Pedro Ferreira: Vai ser diferente, porque, pela primeira vez, vamos tocar sem público. Vamos tentar enfrentar aquilo como sendo um concerto normal, mas que não é. Está a ser desafiante para nós, porque dado ao confinamento estivamos parados, só agora é que estamos a retomar aquele calo de ensaio e de prática, que é o que precisamos para nos metermos em cima do palco. Os nossos concertos sempre tiveram uma dinâmica muito forte, entre o que nós transmitimos e o que nós sentimos vindo do público. Mais uma vez, vamos estar a ver likes e “corações” no canto do ecrã [risos], portanto, pode ser uma forma de nos incentivar, o que também é bom. É uma dinâmica nova e é algo que vai ser o futuro nos próximos tempos, então, vamo-nos preparar para isso, para dar um espetáculo igual a nós próprios, para poder transmitir aquilo que transmitimos com público, mas num concerto de streaming. Vai ser um desafio muito importante para nós. E, entretanto, chegou o quinto elemento [risos], o Zé.

Para além do Hard Rock, têm trabalhado com mais alguma marca?

Pedro Ferreira: Sim, temos trabalhado com a Cadeira Amarela e com a Fenther, a nível de marketing, mas não só. Isto ajuda-nos no trabalho de promoção, porque eles têm outras dinâmicas e prática para executar algumas coisas melhor que nós. Estas parcerias que procuramos fazer ajudam-nos a colmatar as nossas falhas.

Nestes anos que passaram, ao longo da vossa carreira, quais são os momentos que destacam?

Bruno: Chegar às noites Ritual Rock, no Palácio de Cristal, foi um dos nossos momentos alto, porque tocamos para cinco mil pessoas e, por incrível que pareça, era o segundo concerto do Alemão, na bateria. Depois, tivemos o NOS D’ Bandada, também foi outro momento alto, dos melhores concertos que já demos, para uma casa mais do que cheia, no Rádio Bar. Tivemos um feedback fantástico do público. Em 2019, fomos a Corroios, saímos da nossa bolha do Porto, e fomos muito bem recebidos, tanto da organização do festival, como da organização das festas, como do público. Abrimos para os Bizarra Locomotiva e foi um concerto espetacular.

Zé: Outro momento engraçado, onde nos sentimos verdadeiras estrelas de rock, em que nos pagam o avião e vamos até à ilha da Madeira, mesmo à grande [risos]. Foi uma experiência espetacular! Só faltou o avião com o nosso nome [risos].

Alemão: Foi tão fixe que até tínhamos a nossa foto e o nosso nome nas paragens de autocarro [risos]!

Pedro Ferreira: O senhor que nos foi buscar até estava com vergonha de mostrar o papel que tinha nas mãos, porque dizia “Homem Bomba” [risos].

Alemão: Imagina um senhor, de meia-idade, sozinho, afastado da porta de saída, com um papel A4 dobrado a meio, escondido atrás de uma coluna, para nos receber [risos]. Ele olhou para nós, com os instrumentos, e abriu o papel [risos]. Mal eu olhei, ele fechou logo aquilo e meteu dentro do casaco [risos]. Foi um dos melhores momentos da nossa carreira, sem dúvida [risos]!

Depois do Hard Rock, o que se segue para O Incrível Homem Bomba? Onde é que ele vai explodir a seguir?

Pedro Ferreira: Estamos a trabalhar em algumas coisas, mas isto está tudo incerto. Estamos a trabalhar para ter alguns concertos. Como te disse há bocado, o streaming é o futuro dos próximos meses, portanto, estamos à espera de respostas, porque nesta fase não há festivais. Ms estamos a ver alternativas, porque nós somos uma banda que ainda vive dos bares, dos espaços pequenos, de correr as terriolas. Neste momento, não há festivais de terriolas, não há festival nenhum marcado ainda, aqueles micro-festivais estão todos parados, tudo na dúvidas do que irá acontecer nos próximos meses. Aquilo que estamos a fazer é trabalhar para promover a bandas, trabalhar para quando isto abrir estarmos prontos para atacar os palcos.

Entre bares e terriolas, onde é que se sentem mais confortáveis?

Pedro Martins: Qualquer palco!

Bruno: Nós tocamos em qualquer palco. Nós já tocamos em palcos muito maus, mas que se tornaram em concertos muito bons, porque nós passamos por palco com mau som, ou sem público, mas isso só nos fez crescer. Qualquer palco nos faz crescer. É isso que nós procuramos. Para nós, é altamente tocar num festival de verão, para milhares de pessoas, mas também é altamente tocar no meio do país, no meio do Alentejo, para um bar onde estejam cinquenta pessoas. Temos de chegar a toda a gente, isso só nos faz crescer, como banda e como pessoas.

Pedro Martins: Nas aldeias é onde somos bem recebidos [risos]!

Bruno: Comemos muito bem nas aldeias [risos]!

Pedro Martins: Às vezes, até o público está mais disposto a ouvir-te numa aldeia do que num bar no Porto.

Bruno: Há uma entrega muito maior, mesmo das pessoas que nos recebem, dos bares, dos restaurantes, dos sítios onde ficamos a dormir.

Pedro Martins: Até porque a oferta lá não é tão grande, como numa cidade, tipo Porto e Lisboa, onde em qualquer tasca há um concerto.

Alemão: Dão-se ao trabalho de fazer pequenas coisas que nós valorizamos. Por exemplo, aqui, no Porto, os bares não fazem promoção dos concertos, estão à espera que faças tu. Olha, em Castro Verde, um barzinho pequenino fez uma coisa espetacular.

Pedro Ferreira: Ui! Até tínhamos o nosso nome na casa de banho [risos]!

Alemão: E à porta tinha grande poster!

Bruno: Flyers em todo o lado na cidade, foram incríveis. Queremos voltar a realidade.

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