Rogério Charraz
Fotografia: Rogério Charraz

À Escuta. Rogério Charraz, Wet Bed Gang e a colaboração entre os D’Alva e Claúdia Pascoal em destaque

Em mais uma semana recheada de lançamentos na música portuguesa, o À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos que mostra o mais recente que há para oferecer na música nacional, destaca o novo disco de Rogério Charraz, o muito esperado disco de estreia dos Wet Bed Gang e o novo single dos D’Alva, que conta com participação de Cláudia Pascoal.

Além disso, o À Escuta fala sobre o novo disco da banda seminal de metal português Moonspell, do disco de estreia de Beatriz Pessoa e de MITO, do EP de estreia de Sleeping Whales e do novo trabalho de The Weatherman. Há ainda espaço para os novos singles de Balter YouthBernardoDream PeoplehimalionMarinho, MetaSimão Reis.

A história de amor no interior em O Coreto, novo disco de Rogério Charraz

Um disco com o país lá dentro. Uma história contada em canções“. É assim que é descrito o novo disco de Rogério Charraz, intitulado de O Coreto. O quinto disco do artista foi feito em parceira com José Fialho Gouveia, que assinou todas as letras, e com Luísa Sobral, responsável pela produção musical.

Rogério Charraz - O Coreto
Fotografia: Divulgação

Contando com uma enorme influência da música popular portuguesa, O Coreto transporta-nos para esses bailaricos de terrinha que são tão divertidos e belos. A voz de Rogério vai sobressaindo, bela e calorosa, mas são os instrumentais que vão capturando a imaginação, por entre acordeões que despertam a atenção e guitarras e pianos suaves, carregados com alguma melancolia e nostalgia. O disco possui uma narrativa que liga as suas faixas, contando a história de amor entre duas personagens, Sebastião e Ana. “Ela sempre viveu na aldeia. Ele, nascido e feito homem nos arredores da grande cidade, decide tentar a sorte no interior do país“, revela o comunicado enviado à imprensa.

Apesar de o disco prestar, de certa forma, homenagem ao interior do país, O Coreto toma também  um olhar crítico para a forma romântica que muitas vezes se olha para essa região, ignorando os problemas que a afetam – problemas como a desertificação ou o envelhecimento da população, muitas vezes romantizados como a ‘simplicidade de ser português’. Nesse sentido, O Coreto é mais do que um disco de amor. É, também, “um disco de intervenção social e política“.

O trabalho pretende também chamar à atenção para as centenas de coretos espalhados pelo território português e recuperar o “seu papel como centros de cultura e de encontro social.” É esperado que, uma vez que a atividade de concertos ao vivo regresse, que os espetáculos do vivo do artista ocorram nos próprios coretos ou usando-os como elementos cénicos.

Ngana Zambi é a continuação do caminho traçado pelos Wet Bed Gang

Wet Bed Gang
Fotografia: Divulgação

Ngana Zambi é o disco de estreia dos Wet Bed Gang. Sim, disco de estreia. Parece algo estranho ouvir isto, tal é a importância e impacto que o coletivo de hip-hop da Vialonga constituído por Gson, Kroa, Zara G e Zizzy atingiu na música nacional nos últimos anos. Desde de 2017 que os seus múltiplos singles e EPs têm conquistado grande carinho do público português, tornando os WBG um verdadeiro fenómeno de popularidade que não parece querer abrandar.

Em Ngana Zambi, os Wet Bed Gang juntam-se ao seu fiel colaborador e um dos principais arquitetos da sua sonoridade, Charlie Beats, para um disco que resume um pouco do que tem sido a carreira do coletivo até agora. Conta com letras que têm uma ligação profunda às suas raízes e às suas lutas e a junção entre os vários truques que cada membro consegue trazer a cada faixa, colocados por cima de batidas pesadas que farão qualquer sistema de som abanar com as vibrações que irá causar. O disco conta, além de produção de Charlie Beats – que se faz notar em todas as faixas – colaborações com Lhast, Condutor (Buraka Som Sistema) ou Holly.

D’Alva juntam-se a Cláudia Pascoal em ‘Honesty Bar’

D'Alva e Claúdia Pascoal
Fotografia: Divulgação

Cláudia Pascoal junta-se aos D’Alva para a nova música do grupo constituído por Alex D’Alva Teixeira, Ben Monteiro e Gonçalo de Almeida – este último agora membro efetivo do grupo. Sobre a adição do baterista à formação oficial, Alex reforça que o grupo sempre se olhou mais como um “coletivo, não um duo”, e que a inclusão de Gonçalo “foi apenas uma formalidade de uma relação que já estava consumada”. Gonçalo já acompanhava, ao vivo, os outros dois membros desde do seu primeiro concerto ao vivo.

A criação de ‘Honesty Bar’ partiu da criação do refrão e eventualmente maturou durante uma viagem à Madeira, onde a música encontrou o seu nome “no peculiar ‘Honesty Bar’ do hotel Estalagem da Ponta do Sol“. Iniciando-se como se a banda se estivesse a preparar para gravar, ‘Honesty Bar‘ é uma faixa de indie pop orelhuda, cheia de referências à cultura pop atual, onde o instrumental nos presenteia com guitarras e sintetizadores sonhadores e distantes, ecoando um verão que, infelizmente, nunca se concretizou.

Este sentimento de alguma nostalgia é complementado pela junção dos vocais de Cláudia e Alex D’Alva, suaves e cintilantes, e cuja química é notável logo quando surgem pela primeira vez. Apesar do contraste que existe entre a nostalgia e o ritmo da faixa, com as suas linhas de baixo saltitantes e bateria cheia de groove para nos colocar a dançar, este acaba por nos deixar também com uma certa saudade. A saudade de estar com amigos, a dançar numa praia num dia de sol quente, sem nenhuma preocupação. Estarão para breve esses dias, esperemos.

Honesty Bar‘ é o segundo single de avanço do terceiro disco de originais dos D’Alva, cuja data de lançamento está prevista ainda para 2021.

Hermitage é o novo disco dos Moonspell

Hermitage é o nome do décimo-terceiro disco de originais dos Moonspell, uma das bandas mais acarinhadas e aclamadas do metal português. O vocalista do grupo, Fernando Ribeiro, explica que o álbum é sobre “voltarmos as costas às convenções da modernidade“, onde “muitos se convenceram de que tudo gira à nossa volta, que nós (a Humanidade) somos tudo“.

Moonspell
Fotografia: Divulgação

Ribeiro considera que, no entanto, “não somos nada e nada gira em torno de nós.“, e que o objetivo dos Moonspell com este disco é “escrever a melhor música que pudermos“, para contar histórias com as suas letras de forma a criar alguma proximidade com os seus fãs “nestes tempos de distanciamento”. Curioso que o disco não soa particularmente caloroso, se interpretarmos nesse sentido a aproximação. Pelo contrário, soa bastante solitário, o que leva a interpretar mais a proximidade não como calorosa, mas apenas como o espelho de que estamos todos nesta situação.

Há uma aura apocalíptica que pernoita por todo o disco. Neste cenário de escuridão e revolução, habitam riffs de guitarra pesados e escuros, que vão revelando a destruição espelhada na lírica e nos vocais já característicos de Fernando Ribeiro. Em termos de composições, o disco contém maiores influências de metal progressivo e sinfónico, contendendo até alguns elementos de psicadélica – pouco usual para os Moonspell. Hermitage apresenta também uma produção algo espaçosa e atmosférica, fazendo lembrar alguns dos trabalhos de bandas como Paradise Lost ou Tiamat.

Balter Youth lançam a sua versão de ‘The Bug Collector’, faixa de Haley Heynderickx

Os Balter Youth estão de regresso pela primeira vez desde do lançamento do seu disco de estreia, Children Playing Adults, apresentando a sua versão de ‘The Bug Collector’. A original corresponde a uma faixa de Haley Heynderickx, uma das mais sensíveis e brilhantes cantautoras desta geração.

Aproveitando-se da melodia da original, já por si só suave e melancólica, os Balter Youth encontram espaço para aumentar ainda mais a forma como estes sentimentos se expressam na música. A principal forma que o grupo arranja de fazer isto é a produção da faixa, espaçosa e limpa, cruzando os ramos entre o post-rock e o soft rock, já característicos do grupo.

Em ‘The Bug Collector’, a voz de Inês Pinto da Costa desliza pelo instrumental, onde as guitarras se vão encontrando com pequenas adições de teclas, havendo até espaço para a bela adição de instrumentos de sopro (tal como na original), que antes não haviam aparecido na música do grupo. Eventualmente, a faixa atinge o seu clímax, onde todos os seus elementos se juntam numa libertação catártica e suave de melancolia e saudade de um fim de dia que se aproxima.

Primaveras é o vocal pop cintilante de Beatriz Pessoa

Beatriz Pessoa - Primaveras
Fotografia: Divulgação

Primaveras é o nome do disco de estreia de Beatriz Pessoa. Gravado no Rio de Janeiro, o disco conta com contribuições de Danilo Andrade (teclista de Gilberto Gil), Pablo Arruda e Pedro Fonte (baixista e baterista, respetivamente, da banda do cantautor brasileiro Rubel).

Sobre o disco, Beatriz Pessoa conta que, quando começou a escrever as composições para este, “a Primavera ganhou um significado diferente, mais contínuo“. Contando com uma enorme influência da música brasileira, em especial da bossa nova, Primaveras explora as várias facetas de Beatriz Pessoa. Ao longo das faixas, podemos observar a sua faceta como cantautora, vocalista, compositora e cantora pop.

Há hooks e melodias bem construídas, encontrando a pop um lugar para se escapar por entre os toques de bossa nova e jazz que vão sendo prevalentes por todo o trabalho. É um disco onde a componente principal é a voz de Beatriz Pessoa, ora revelando-se extremamente calorosa, ora mais insegura e ansiosa, servindo de veículo para as emoções de cada música que retratam, na sua globalidade, “a metáfora do tempo, onde chegam todos os princípios e fins“. É um disco sólido de estreia, e que de certeza irá fazer as rondas por muitos ouvintes ao longo deste ano de 2021.

O encontro entre a soul e o psicadélico no novo single de Bernardo, ‘Almost a Mother’

Almost a Mother’ é o novo single de Bernardo, nome pelo qual se apresenta a vocalista, guitarrista e produtora Sonia Bernardo. A faixa conta com produção de David Maclean, baterista dos Django Django.

Neste seu novo single, a voz sensual e hipnotizante, porém suave, de Bernardo faz-se soar violentamente sobre um instrumental que retira influências ao jazz, à soul e à bossa nova. No entanto, face às regras impostas por estes géneros, Bernardo decide quebrá-las. Adicionando toques de psicadélico, notáveis nos efeitos presentes nas guitarras, e de post-punk, na forma como as linhas de baixo vão surgindo, o som eclético de Bernardo faz-se notar e, acima de tudo, funciona muito bem. É a demonstração de uma artista em crescente na sua criatividade e excentricidade musical, notas que já haviam deixado os seus ouvintes à espera demais depois do seu EP de estreia, Panic Prayers, lançado em 2019.

Almost a Mother’ é o segundo avanço do próximo projeto da artista, que vive em Londres. Intitulado de Wasn’t There, Someone Told Me, o disco deverá sair ainda em 2021.

‘Almost Young’ é o épico que dá nome ao próximo trabalho dos Dream People

O caminho para o lançamento do segundo trabalho dos Dream People continua a ser realizado, desta vez com o lançamento da faixa homónima, ‘Almost Young’.

Prolongando-se em mais de oito minutos de extensão, ‘Almost Young’ é uma faixa épica – teria de ser, para justificar a duração. Começa de mansinho, com a voz de Francisco a emerger por entre as guitarras cobertas de reverb, e eventualmente vai crescendo até a banda inteira entrar em ação. O crescimento, no entanto, não irá parar por aqui. A faixa desenvolve-se por entre sintetizadores etéreos, (mais) guitarras carregadíssimas de reverb e baterias que vão ocupando o espaço no background, marcando o ritmo por onde as linhas de baixo, suaves e mínimas, vão aparecendo.

Sempre com uma ansiedade e insegurança presente, fruto do tema explorado da perda de juventude, eventualmente estes sentimentos libertam-se e explodem numa parede de som catártica criada pela banda, belíssima e hipnotizante, que se prolonga num efeito de transcendência até ao término da faixa. Uma das mais belas composições que a banda nos ofereceu até ao momento na sua curta discografia, ‘Almost Young’ continua a abrir o apetite para o novo trabalho do grupo, cuja edição está marcada para o mês de março que se avizinha.

On the Morrow’ é novo single primaveril de himalion

On the Morrow’ é o segundo single de avanço para o disco de estreia de himalion, projeto musical de Diogo Sarabando, intitulado BLOOMING.

Por entre as guitarras simples e bonitas, a voz de Diogo ergue-se, com capacidade para aquecer corações, fazendo passar o tempo de forma lenta, como se estivéssemos perante o surgimento das primeiras folhas na primavera. Contando com uma boa composição, onde a guitarra acústica toma o principal pele, eventualmente a faixa atinge um clímax que vai-se aproximando e afastando, contando com embelezamentos de sintetizadores etéreos e linhas de contrabaixo que vão marcando o ritmo do desenvolvimento da música.

BLOOMING tem data de lançamento marcada para o próximo mês de maio.

Marinho relembra o seu último concerto pré-pandemia com ‘Intro (Live at Salão Brazil)’

Gravada no dia 8 de fevereiro de 2020 no Salão Brazil, em Coimbra, ‘intro’, faixa de abertura do disco de estreia de Marinho, intitulado ~, ganha nova vida. Numa publicação colocada nas suas redes sociais, a cantautora portuguesa detalha a experiência que levou à criação desta versão.

Quando eu e o Pedro [Branco] chegamos lá [ao Salão Brazil], encontramos um piano no palco e decidimos, de forma espontânea, abrir o concerto com um diálogo entre a guitarra e o piano. O resultado foi bonito e melancólico“, contou Marinho. O lançamento desta reinterpretação de ‘intro’ marca o último concerto da artista antes da pandemia de Covid-19 atingir o país.

intro’ vai-se desfazendo à medida que avança. Ouve-se uma guitarra que tenta nascer das cinzas no background, quase a fazer lembrar alguma música drone, e as teclas do piano vão surgindo, criando uma atmosfera melancólica, insegura e, ao mesmo tempo, muitíssimo bela. A guitarra eventualmente ganha vida mas, por essa altura, já estamos todos a sentir uma certa nostalgia pelo passado, e uma imensa e profunda saudade por música ao vivo.

A reinvenção de Meta no seu novo single, ‘Running Wild Again’

Running Wild Again’ é o novo single de Meta, nome artístico pelo qual se dá a conhecer ao mundo da música Mariana Bragada. A faixa conta com colaboração de FOQUE na produção e do trompetista Pedro Jerónimo.

Em ‘Running Wild Again’, há uma grande protagonista: a voz de Meta. A sua voz vai servindo como o principal motor da faixa, cujo instrumental se vai desenvolve com toques de eletrónica, com o seu baixo pesado e os sintetizadores abstratos que vão criando uma paisagem etérea à medida que a música avança. As transições entre as várias secções da música são feitas de forma suave, conseguindo constantemente captar a nossa atenção a cada elemento novo que é introduzido ou removido – e isto inclui o trompete de Pedro, que vai conferindo toda uma nova camada de som à faixa.

Depois de ‘Mónada’, EP assinado em 2019, e da prestação no Festival da Canção em 2018, Meta reinventa-se totalmente com este lançamento, e deixa-nos muito curiosos para ouvir o que a artista tem para oferecer no futuro.

A Razão É Óbvia é o disco de estreia eletrificante dos MITO

MITO
Fotografia: Divulgação // Rita Carmo

A Razão É Óbvia’ é o nome do disco de estreia dos MITO, duo constituído por Pedro Zuzarte e Manuel Siqueira. Contando com uma lista de convidados ilustre – Manel Cruz (Ornatos Violeta, Pluto, Supernada), David Jacinto (TV Rural, Lobo Mau, Noves Fora Nada) e as Golden Slumbers (Margarida e Catarina Falcão) – ‘A Razão É Óbvia’ mostra-se como um disco que procura “ser genuíno à identidade dos artistas que a entregam“, cheias de complexidades, nuances e expressividade que só a música consegue transmitir.

Assentando num sonoridade que cruza a linha ténue que separa a pop eletrónica do indie rock, ‘A Razão É Óbvia’ é um disco eclético, capaz de surpreender a cada momento, de quebrar barreiras, “onde cada etapa é um passo numa direcção diferente“. Há refrões bem orelhudos a povoar o disco, guitarras que se vão expressando ora de forma mais frontal, sobressaindo-se os riffs a lembrar grupos como Foals ou Future Islands, ora de forma mais relaxada, criando ritmos e pequenos toques sonoros que se imiscuam por entre os sintetizadores etéreos e espaçosos, mas algo punk na sua génese.

Os ritmos das músicas, que de vez em quando atingem pontos mais experimentais, são bem trabalhados, assentando numa energia contagiante que deveria de estar a agitar pistas de dança por esse país fora. Um disco de estreia muito bem conseguido, onde dois artistas já com credenciais bem estabelecidas dentro do mundo da música portuguesa revelam que ainda tem muito a explorar e a dar em termos de criatividade.

Gaja da Caixa’ é o primeiro single do novo EP de Simão Reis

Simão Reis
Fotografia: Divulgação

Gaja da Caixa’ é o primeiro single do segundo EP de Simão Reis (Rei Marte), intitulado de Girassol. É o sucessor do EP lançado no ano passado, Combustão Lenta.

Guiando-se através de guitarras melosas e melancólicas e com toque de lo-fi, ‘Gaja da Caixa’ é uma faixa marca pelo seu romantismo, que quase se pode dizer kitsch, e tom divertido, marcado pela narração de uma situação algo caricata de sedução numa caixa de supermercado. O refrão é orelhudo, engraçado, e a faixa vai evoluindo até culminar num suave e desconstraído solo de guitarra, a fazer lembrar algumas faixas de artistas como Mac deMarco ou Alex G.

Girassol tem data de lançamento marcada ainda durante o ano de 2021.

After the Storm é um pequeno presente em formato EP de Sleeping Whales

After the Storm  é o EP de estreia de Sleeping Whales, nome artístico com o qual se apresenta Fred Rossi, um dos membros dos Call Me Alice, um dos artistas elegidos pelo Espalha-Factos como um dos nomes novos mais entusiasmantes a emergir no panorama musical português.

Fazendo lembrar os primórdios de Car Seat Headrest ou SparklehorseAfter the Storm assenta numa estética lo-fi que se faz sobressair pela voz distante de Fred. Esta revela alguma insegurança, e espelha uma componente lírica que retrata precisamente isso: uma certa saudade e uma insegurança para a forma como crescemos. A produção é algo ruidosa, e às guitarras melancólicas, que às vezes se aventuram por riffs mais estridentes, junta-se sintetizadores algo etéreos, e uma componente rítmica que retira bastante à chamada indietronica, que junta melodias (orelhudas) de indie pop com a componente sónica da eletrónica.

Um EP interessante e que mostra que Sleeping Whales é um nome a ter em conta para ouvir o que nos poderá trazer no futuro.

A ópera pop em All Cosmologies, novo disco de The Weatherman

All Cosmologies é o quinto longa-duração de The Weatherman, nome artístico pelo qual se apresenta o multi-instrumentista portuense Alexandre Monteiro. É o regresso aos trabalhos, cinco anos depois de Eyeglasses for the Masses.

The Weatherman - All Cosmologies
Fotografia: Divulgação

Apresentando-se como uma ópera pop em todas as facetas, All Cosmologies é um disco bastante influenciado pela pop psicadélica do final da década de sessenta, mas também pelo charme e ruído das guitarras orelhudas do britpop. A voz suave de Alexandre assenta que nem uma luva nos instrumentais criados. Canta-se a partir de um tom bastante pessoal, e o trabalho emana uma libertação de amarras que, de vez em quando, nos prendem a um status quo desenfreado. Apresentado uma estética ligeiramente lo-fi, o disco acabe por possuir alguns contornos espaçosos e cósmicos, a fazer lembrar alguns dos trabalhos mais recentes de Spiritualized.

chamber pop – este sim, o termo mais correto a aplicar aqui – de The Weatherman está bem vívido em All Cosmologies, e permite a Alexandre explorar todas as suas qualidades de cantautor. Um disco caloroso para estes tempos algo distantes.

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