A Serra
Divulgação/SIC

‘A Serra’ quer trazer “o que Portugal de melhor tem”

A nova novela da SIC chegou ao pequeno ecrã na noite desta segunda-feira (22). A Serra convoca traços típicos da portugalidade, numa aposta de complementaridade com o produto de ficção estreado no início do ano, Amor Amor.

Escrita por Inês Gomes, e produzida pela SP Televisão, a trama da nova novela centra-se em Fátima (Júlia Palha), uma natural da Serra que conhece Tomás (José Mata) e dessa ligação vai resultar “uma paixão inevitável”. Carlota Pereira Espinho (Sofia Alves) é “a mulher mais poderosa da Serra” que vai a todos os custos proteger a sua família.

Um dos primeiros pontos de conflito entre as duas mulheres irá ser o facto de que Tomás estava noivo de Mariana (Carolina Carvalho), filha de Carlota e rival de Fátima. Por outro lado, na busca pela verdade após um terrível acontecimento, a jovem serrana descobre um segredo que “envolve não só a aldeia onde vive, mas principalmente Carlota”.

A portugalidade no pequeno ecrã

Esta é uma novela que, para Daniel Oliveira, vai conseguir captar os portugueses pela identificação, já que “convoca o que Portugal de melhor tem: as suas gentes, as suas tradições“. Também Jorge Marecos Duarte, administrador da produtora, manifesta “um enorme orgulho que a SP Televisão tem nesta novela“, que considera um produto “de excelência, no sentido em que conta histórias populares que vão envolver as pessoas“.

A ideia, explicou o responsável pelo entretenimento da estação, em declarações à imprensa, “é haver uma complementaridade de produtos“. “[Existem] vários elementos que são também eles personagens – o pão, os cães, o queijo, a serra, a neve, a montanha, tudo isso que aporta uma portugalidade que nos parece muito rica e que faz um bom cruzamento também com o produto que nós temos em antena que é o ‘Amor Amor’“.

O responsável frisou também que, para além do genérico, interpretado por Rita Guerra, “toda a banda sonora tem um conjunto de nomes que convocam também essa portugalidade“: MarizaAna Moura, AgirPaulo de CarvalhoAna BacalhauSérgio GodinhoVitorinoClã.

Um elenco principal alargado

Daniel Oliveira destacou que a nova aposta “mantém a linha e a premissa” que tem existido na ficção da SIC nos últimos anos “de cruzar atores mais experientes com atores mais novos“. “A grande mais valia desta novela é que não há um núcleo secundário, todos são protagonistas na medida em que todas as histórias são relevantes, todas as histórias vão dizer alguma coisa aos portugueses“, considerou.

Para Júlia Palha, o desafio “tem uma outra intensidade“, já que por ser uma personagem “com uma maior incidência“, acaba por ter também “um limbo emocional” diário. “Eu tenho tantas cenas e acontecem tantas coisas num dia que tu acordas de manhã e a primeira cena é uma festa e a última cena do dia é o pior momento da tua vida, a chorar baba e ranho“, exemplificou.

Ler o guião não foi a única tarefa para incorporar a personagem. “Eu tive formação de pastoreio, de tear, não tive formação de queijeira, porque a minha personagem supostamente não faz queijo, mas as queijeiras que estavam no décor são mesmo queijeiras e acabaram por me ensinar como é que se fazia“, contou.

A Serra
As personagens de Júlia Palha e José Mata viverão “uma paixão inevitável”. Imagem: SIC/Divulgação

A atriz protagoniza, logo no primeiro episódio, algumas cenas mais quentes com a personagem de José Mata. “Está a ser muito bom contracenar com o Zé porque ele, para além de um ator incrível e da sua entrega em cena, fora de cena está a tornar-se um amigo e é uma pessoa com quem eu gosto muito de estar, portanto eu acho que isso depois se reflete na cena“, considerou. Também o ator afirmou que tem sido “um prazer” trabalhar com a atriz, que não conhecia, considerando “muito importante esta relação que se criou com o par romântico, com a pessoa com quem contracena mais“.

O ator confessou que tinha um pouco de medo de que o público ainda o visse como o galã Duarte de Nazaré. “É preciso fecharmos o dossiê e abrirmos outro e esse timing não é decidido por ninguém, esse timing poderá ser decidido por nós e pelos projetos que nos aparecem e, se nós tivermos o brio e o profissionalismo em fazer de cada projeto uma viagem diferente, então aí sim pode correr bem“, disse.

Depois de ter tido a sua última participação televisiva em 2016, Sofia Alves regressa ao pequeno ecrã com a missão de interpretar uma vilã, pela qual se mostrou “apaixonada”. “De facto, eu fiz poucas vilãs, gosto imenso destes desafios em que saio da minha zona de conforto e é um tipo de papel que me apetecia realmente fazer“, confessou, em declarações à imprensa.

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Sofia Alves e Carolina Carvalho contracenam, em núcleo familiar. Imagem: SIC/Divulgação

Acerca da personagem, a atriz disse que Carlota Pereira Espinho tem uma profundidade e todo um passado que está envolvido em muito mistério, em muito segredo“, sendo que esse é precisamente “um dos ingredientes-chave nesta produção“. “Nada é o que parece, nem a Carlota é exatamente aquilo que o público pensa que ela é“, salientou.

Foi uma sorte ter a Sofia Alves como mãe“, disse Carolina Carvalho, que revelou que não conhecia a atriz com quem agora contracena diretamente. “Acho que para criar uma química familiar num projeto tão longo, de facto, há que fazer um trabalho antes e com a Sofia foi uma coisa muito imediata. Com o António Pedro Cerdeira [que faz de Pai] também e, por isso, acho que foi uma família que ficou com uma química incrível“, apontou.

Gravações em tempo de pandemia

A pandemia obrigou a um esforço adicional nos elencos que tiveram, mais do que nunca, de contar com o fator ‘imprevisto’. “A forma como os elencos se juntam e a química e amizade que existe é tão mais crucial nesta fase em que, de um dia para o outro, há um ator que tem de ficar em isolamento e outro ator, outro núcleo tem de gravar o dobro das cenas no dia seguinte“, destacou o diretor-geral de entretenimento da estação.

No que toca a gravar cenas mais quentes em tempos de pandemia, a atriz Júlia Palha considerou que “é praticamente igual“, já que os atores são testados antes de filmarem. “Eu não tenho sentido diferença nenhuma e até nas outras cenas em geral acho que toda a gente se sente muito segura a gravar aqui“, respondeu.

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A Serra da Estrela serve de pano de fundo. Imagem: SIC/Divulgação

A novela é ambientada na Serra da Estrela. Para existirem as parcerias com os municípios, Jorge Marecos afirma que, apesar de estarmos num período em que “não há turismo, porque estamos todos em confinamento“, parte-se do princípio de que “as regiões gostam de se ver, gostam de ser conhecidas através da ficção dramática, não é necessariamente através de um trabalho jornalístico ou documental, mas através de uma boa ficção nacional“.

A nova aposta vai concorrer com Bem Me Quer, da TVI, também parcialmente gravada na Serra. “Provavelmente a história andava pelo ar e alguém agarrou e teve a mesma ideia. Às vezes acontece, num mercado tão competitivo isso pode acontecer“, defendeu Daniel Oliveira, considerando o simultâneo “curioso“.

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