El Internato Las Cumbres
Imagem: Divulgação El Internato: Las Cumbres (2021)

Crítica. ‘El Internado: Las Cumbres’ é um ‘thriller’ previsível

Com o sucesso de séries juvenis espanholas, como Elite La Casa de Papel, a Amazon decide seguir as pisadas da Netflix com El Internato: Las Cumbres. O thriller é um remake da famosa série Colégio da Lagoa Negra, transmitido pela SIC Radical em Portugal. No entanto, a série acaba por ficar aquém da produção original.

El Internado: Las Cumbres é um thriller espanhol criado por Laura Belloso e Asier Andueza. A história fala-nos de um mosteiro adjacente a um internato para crianças problemáticas, isolado no topo de uma montanha e cercado por uma misteriosa floresta. Os nossos protagonistas, Amaia (Asia Ortega), Manu (Carlos Alcaide), Paul (Alberto Salazar), Paz (Paula del Rio) e Eric (Daniel Arias), acabam matriculados no colégio devido a problemas disciplinares no seu passado.

O internato é comandado pela mão rígida da diretora Mara (Natalia Dicenta) e pelo olho atento de Mario (Lucas Velasco), mas é Dario (Ramiro Bias), um neurocientista com muitos segredos, quem financia a escola. O neurocientista é pai da perturbada Inés (Claudia Riera), uma aluna com amnésia que não sabe como é que foi parar ao internato. No entanto, o sinistro professor de música do internato, León (Joel Bosqued), tenta aproximar-se da aluna, dizendo que tem a resposta para as suas perguntas.

Embora El Internato seja descrito como um reboot de O Colégio da Lagoa Negra, pode ser visto como uma sequela. No primeiro episódio, as personagens Julia (Blanca Suárez) e Iván (Yon González), de O Colégio da Lagoa Negra, aparecem numa entrevista para promover o livro que escreveram sobre o internato.

A trama de El Internato desenrola-se a partir do desaparecimento de Manu, que tento escapar do internato com a namorada, Amia, mas que acaba por ser raptado por uma figura com a máscara de um médico da peste negra. Depois de horas passadas na biblioteca, o grupo de amigos de Manu, PaulPazErica Julio (Daniel Arias), em conjunto com Amia, descobrem uma ordem de nome O Ninho do Corvo, e começam a investigar o desaparecimento do amigo, numa corrida contra o tempo para o encontrar vivo.

El Internato
Um médico da peste negra, gravura de Paul Fürst / Fonte: Wikimedia Commons

Uma história bem escrita, mas previsível

A trama de El Internato é contada com calma, sendo que a história está bem planeada e o guião bem escrito, mas é bastante previsível. Ao fim dos primeiros três episódios, conseguimos perceber qual vai ser o rumo da trama principal. Existem algumas histórias secundárias que conseguem ser interessantes, mas existe uma aura de telenovela que acaba por maçar o espectador, pois não traz nada de novo à série e apenas servem para preencher minutos extra nos episódios.

A série tenta conciliar os géneros de thriller e terror, mas não há nenhum momento verdadeiramente assustador em El Internato. Os argumentistas recorrem a clichés do género para assustar os espetadores, como jumpscares e figuras ensanguentadas que aparecem atrás das personagens. Há uma certa batota nestes momentos de terror, que também não adicionam nada ao enredo e só existem para tentar agarrar a atenção do espetador durante as cenas mais desinteressantes de cada episódio.

O elenco dá o seu melhor a interpretar personagens mal desenvolvidas

Não há nenhuma má interpretação nesta série, desde os atores principais aos secundários. Contudo, as personagens principais de El Internato estão subdesenvolvidas, pois não conhecemos mais nada acerca delas do que a vontade de encontrar Manu com vida. Descobrimos apenas porque é que as personagens principais foram enviadas para o colégio, mas isso não chega para nos envolvermos e nos interessarmos por estas.

Curiosamente, as personagens secundárias conseguem estar mais bem desenvolvidas do que as principais. A série apresenta-nos o monge e professor de latim Elias (Alberto Amarilia), que se envolve num amor proibido com Elvira (Mina El Hammani), que ensina ciências. Conhecemos melhor este casal do que as personagens de Paz Julio, por exemplo, que ocupam grande parte da ação principal. Do mesmo modo, temos mais informação sobre Adele (Daniela Rubio) do que sobre o irmão Paul, que é uma das personagens principais. A namorada de AdeleRita (Francisca Aronsson), também é uma personagem mais bem construída, desenvolvida e interessante do que Eric, por exemplo, outro dos protagonistas.

A única personagem principal com cabeça, tronco e membros é Inés, a rapariga com amnésia, que é posta de lado pelos seus colegas por causa do seu pai. Por indicação dos médicos, Inês é matriculada pelo pai no internato porque precisa de estar com pessoas da sua idade para recuperar do trauma de um acidente de carro que matou a sua mãe – Inés também estava a bordo, e as sequelas do acidente fazem-na ter visões estranhas que podem explicar o que se passa no bosque que cerca o colégio. Auxiliada pela excelente prestação de Claudia Riera, Inés é a única personagem principal por quem nos interessamos verdadeiramente – porque acaba por ser a única que está bem escrita.

El Internato: Las Cumbres é um thriller interessante, com muitos “mas”: boas interpretações, mas com personagens mal construídas; uma história bem contada, mas previsível. O final da primeira temporada deixa tudo em aberto, o que significa que a história não fica por aqui. No entanto, os argumentistas precisam de limar arestas para tornar a série mais interessante e recompensante para o público.

 

 

 

 

 

 

El Internato Las Cumbres
5.5

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