Uma Repetição Perfeita

Crítica. ‘Uma Repetição Perfeita’ é um “cliché” com coração

Depois de filmes como A Todos os Rapazes que Amei, ou A Banca dos Beijos, da Netflix, chega a vez da Amazon Prime apostar numa comédia romântica de São Valentim. Sendo assim, chega-nos Uma Repetição Perfeitaprotagonizado por Kyle Allen Kathryn Newton. Embora seja uma avalanche de clichés, o filme consegue ser divertido e trazer uma mensagem.

A premissa da trama é bastante original no universo das comédias românticas: a Terra está presa num só dia, ou seja, à meia-noite, tudo começa de novo. No entanto, apenas dois adolescentes estão cientes desta realidade: Mark (Kyle Allen) e Margaret (Kathryn Newton).  Então, os dois decidem aproveitar a familiaridade deste dia que se repete infinitamente para criar um mapa de acontecimentos perfeitos que tomam lugar na cidade onde vivem.

Uma Repetição Perfeita de clichés 

Embora a premissa de Uma Repetição Perfeita seja algo de novo no universo das comédias românticas, as personagens do filme cedem aos clichés do género. Do mesmo modo, são vagamente desenvolvidas pelo argumentista.

O filme abre com a rotina de Mark, numa montagem à moda de Buster Keaton, com a personagem principal a varrer a cidade na sua bicicleta, para depois saltar para cima de uma carrinha de caixa-aberta. O realizador Ian Samuels mostra o seu talento ao orquestrar esta sinfonia de movimentos.

No entanto, a personagem de Mark não tem uma construção tão interessante quanto a sua introdução. Mark tem a ambição de ser um artista, mas os pais preferem que ele siga matemática. De resto, pouco sabemos sobre esta personagem.

A personagem de Margaret também sofre do mesmo mal. Tal como muitas personagens femininas em comédias românticas, Margaret é uma maniac pixie dream girl, que ama matemática e física.

Tal como Mark, pouco se sabe sobre Margaret à parte dos seus hobbies e interesses. O argumentista falha em colorir as suas personagens, o que torna difícil captar a nossa atenção durante a hora e meia do filme.

Um elenco que dá vida às personagens

O ponto forte do filme são as performances de Kyle Allen, Kathry Newton e Cleo Forster, no papel de Emma, irmã de Mark.

Kyle Allen dá vida à simplicidade de Mark, na sua entrega dedicada das falas, assim como Kathryn Newton torna Margaret num ser vivo, que contorna os clichés da personagem. A cumplicidade dos dois atores capta a atenção dos espetadores durante a hora e meia do filme.

Kathryn Newton não é uma novata em frente às câmaras, mas este é o primeiro filme que a coloca no centro das atenções. A atriz ultrapassa as expectativas, sendo que este filme pode ser uma rampa de lançamento para a tornar numa protagonista do grande ecrã.

Uma Repetição Perfeita não ficará para a história do cinema como uma grande comédia romântica. No entanto, consegue ser uma lufada de ar fresco no universo das comédias românticas, com uma premissa original e um elenco que consegue dar um batimento cardíaco a personagens simples e alimentadas por clichés.

Uma Repetição Perfeita
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