Até Que a Vida Nos Separe
Foto: RTP/Divulgação

‘Até que a Vida nos Separe’. Uma reflexão única sobre matrimónio

Até Que a Vida Nos Separe é a nova série da RTP1 para as noites de quarta-feira. Uma comédia romântica sobre matrimónio e as vicissitudes de todas as relações amorosas.

Daniel e Vanessa são um casal que organiza casamentos, mas o seu próprio relacionamento não anda a correr bem. Vanessa (Rita Loureiro) enfrenta uma menopausa precoce e questiona se desperdiçou a sua vida adulta. Daniel (Dinarte Branco) sente-se estagnado.

As dificuldades individuais e as familiares dos Paixão são a base para uma série que pretende refletir, de fora humorada, sobre o amor. “Sem vilões” e com personagens coloridas, será esta uma boa aposta do canal público?

O fim da chama

O primeiro episódio segue peripécias de dois dias de Vanessa e Daniel. Ambos reencontram velhos conhecidos (alguns mais amigáveis que outros). Vanessa vai com a filha Rita (Madalena Almeida) a uma convenção de divórcios. Daniel vai com o filho Marco (Diogo Martins) realizar alguns biscates de fotógrafo e reunir-se com os avós paternos – família rica e elitista que não tem qualquer empatia emocional com Daniel.

Ambos acabam por refletir sobre o estado atual da sua vida pessoal e profissional, apesar de estarem em patamares distintos. Vanessa sente a realidade a cair-lhe em cima, à medida que o tempo passa e reencontra alguns amigos, vai percebendo que desperdiçou uma grande parte da sua vida. Por outro lado, Daniel aparenta estar mais conformado com o estado atual das coisas e tenta, mesmo sem muitas hipóteses, tentar dar a volta por cima.

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O casal acaba por estar deslocado do ambiente que o rodeia. Todos os cenários visitados por estes dois protagonistas funcionam quase como exemplos ou lembranças de como a vida não lhes correu de forma idílica. E quando se reencontram, na parte final do episódio, parecem estar a cumprir esse papel para o outro. O facto de, até a esse momento, não haver nenhuma pista que os dois sejam um casal reforça ainda mais a grande separação emocional de Vanessa e Daniel.

Os avós maternos, Luísa (Henriqueta Maya) e Joaquim (José Peixoto) quase não falam, mas têm uma presença importante. São o símbolo do casal perfeito, daqueles que duram décadas e mantêm a felicidade e ternura da juventude.

Até Que a Vida Nos Separe
Foto: RTP/Divulgação

Fatias do dia-a-dia

Até Que a Vida Nos Separe tem uma estrutura simples: Um casamento ocupa a família – e serve de metáfora para um ponto da narrativa – e cada elemento ocupa-se das respetivas tarefas. As cenas não parecem ter uma conexão clara, sendo separadas por pequenos ecrãs-título, em que aparecem algumas frases ligadas à temática amorosa. Quase como mini-sketches do dia a dia.

Esta estrutura pode ser desafiante para o espectador. À primeira vista, pouco parece estar a acontecer. O ritmo não é lento e existe muito humor leve para manter as cenas animadas, mas esta é uma série ao estilo hangout (convívio) – o objetivo é relaxar e passar uma hora com estas personagens, ver a sua vida a desenrolar e perceber que não são muito diferentes de nós.

O argumento faz um equilíbrio entre o realismo e o surreal, sendo habitual cortes para um realidade alternativa, cómica, que demonstra o estado emocional das personagens. É uma mistura que resulta, porém pode afastar alguns.

Tecnicamente, Até Que a Vida Nos Separe é ótimo. Uma excelente realização, um enredo rico e fantásticas interpretações dos atores. Vanessa e Daniel são o foco primeiro episódio e é de esperar que partilhem o protagonismo com os restantes elementos da família em futuros episódios. Seria um desperdício do elenco se toda a família não recebesse mais profundidade.

A banda sonora também é muito boa. As canções dos Cassete Pirata encaixam na perfeição com o mundo da série. E o tema principal, A Próxima Viagem, é uma boa escolha para genérico.

Até Que a Vida Nos Separe deixa uma boa primeira impressão, se bem que demora a fazê-lo. O espectador terá de perceber que esta série “sem vilões” pretende ser uma reflexão bem humorada sobre o amor e que, como na vida real, são os pequenos momentos que valem a pena neste episódio.

Com muito talento à mistura, este projeto parece ser mais uma boa aposta de ficção por parte da RTP. Esperemos que continue a valer a pena estar na companhia da família Paixão às quartas-feiras.

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