O que ler no novo confinamento: seis livros para te fazerem companhia

O novo Estado de Emergência obrigou ao fecho das livrarias e ao adiamento das novas publicações das editoras. Apesar de novamente confinados, os livros continuam a ser a companhia de todos os dias, que quebram as barreiras do isolamento físico e psicológico.

Mergulhar numa boa história, sentir o cheiro das páginas de um livro novo, contribui para que a nossa mente “pare” de pensar nos receios e incertezas que nos atormentam neste momento. Ainda que por apenas alguns minutos ou poucas horas.

Assim, o Espalha-Factos recolheu algumas recomendações de livros para leres durante o confinamento.

Parque de Mansfield, de Jane Austen (1814)

Para quem já leu outros clássicos de Jane Austen, como Orgulho e Preconceito ou Emma, pode estranhar a personagem principal de Mansfield Park. Fanny Price é tímida, insegura e a observadora discreta a partir da qual absorvemos toda a ironia e sarcasmo com que Austen descreve o ambiente social que rodeia a protagonista, na propriedade familiar do Parque de Mansfield. Com apenas dez anos, mudou-se para casa dos tios, o casal Bertram, depois da própria mãe, com nove filhos, ter pedido aos familiares ajuda para aliviar as suas despesas. Ao longo do seu crescimento, é tratada com inferioridade e condescendência por quase todos os familiares, menos um, Edmundo, que se torna seu confidente. No entanto, essa segurança começa a fugir-lhe quando Maria e Henry Crawford, que desestabiliza a ordem antes dada como adquirida.

Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio (1944)

Este livro, que já inspirou uma série na RTP, passa-se nos Açores, especialmente entre as ilhas do Pico, Faial e Terceira. Margarida Dulmo, a personagem principal, é obrigada a rever as suas opções de futuro quando a empresa de pesca da baleia da família está em perigo de falir. No meio do contexto político, económico, sanitário e social dos Açores, Margarida apaixona-se por João Garcia, cujo pai tem uma guerra antiga declarada à família Dulmo. Mais do que uma simples história de amor proibida, é um retrato da sociedade açoriana do início do século XX. Apesar de ter uma escrita bastante densa e uma lista extensa de personagens (às vezes fazendo recordar o estilo de escrita d’Os Maias), é um retrato histórico interessante e uma leitura lenta que nos embala.

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto (2002)

Uma obra amorosa e reconfortante, mas sem nunca deixar de ser intrigante, de um jovem universitário moçambicano que volta à sua ilha e terra natal após a suspeita de morte do patriarca da família. “Suspeita de morte” porque Avô Mariano respira, mas em tudo o resto parece morto. Mais, várias cartas são deixadas ao jovem Mariano, seu neto, assinadas pelo avô. Nem o médico da comunidade consegue perceber o que se passa com ele. Cabe ao jovem Mariano descobrir o autor destas cartas, entender os laços complicados que ligam os membros singulares da sua família, o passado que atormenta o futuro. Em resumo, é um regresso a casa em forma de livro.

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A Volta do Parafuso, de Henry James (1898)

Quem não gosta de uma boa história de fantasmas? O romance de Henry James é narrado pela perspetiva única de uma jovem preceptora cuja função é educar duas crianças: Milles, que foi expulso misteriosamente do colégio interno, e Flora. Ao longo do tempo, a preceptora convence-se que ambas as crianças são assombradas por dois antigos funcionários da casa, falecidos. Sendo a única, para além das crianças, que vê os fantasmas, a dúvida sobre a veracidade destes espíritos permanece ao longo de toda a leitura. 

O Segredo, de Rhonda Byrne (2006)

Baseado na lei da atração e na afirmação do pensamento positivo, este livro de autoajuda foi um dos maiores sucessos dos anos 2000. De Einstein a Galileu Galilei, vários são os exemplos que a autora Rhonda Byrne dá de personalidades que se serviram daquele que é considerado o Grande Segredo. Ao longo do livro, é explicado como se aplica o segredo da positividade e da atração a várias partes da nossa vida. Com o auxílio de vários testemunhos, Rhonda Byrne explica como a “lei da atração” é fácil de aplicar. A premissa é “nós atraímos aquilo que queremos atrair e, se queremos atrair o sucesso, conseguimos atrair o sucesso.” Um livro para fortalecer a nossa mente e o nosso espírito.

Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Harari (2011)

Tal como o próprio nome indica, este livro de Yuval Noah Harari, aborda de uma maneira geral a história da humanidade. Dos tempos arcaicos à idade da pedra, passando pelo século XX e as revoluções tecnológicas e políticas do século XXI, Yuval transporta-nos por uma verdadeira viagem pela história do Homem. A premissa do livro centra-se no homo sapiens e o porquê de este dominar o mundo. Segundo Yuval, o homem é a única espécie capaz de acreditar no que para o autor são produtos de ficção: deuses, nações, dinheiro e direitos humanos. Um bom livro para quem gosta de história e da introspectiva enquanto ser humano.

Artigo de Carolina Fonseca Bento e Débora Felicidade.
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