linda martini à escuta
Imagem: Linda Martini / Facebook Oficial

À Escuta. O regresso dos Linda Martini e a voz aveludada de Rossana entre os destaques da semana

Numa semana particularmente cinzenta, o que mais choveu foram lançamentos de música portuguesa. O À Escuta, rubrica do Espalha-Factos, destaca as canções, os discos e as estreias mais antecipadas da semana. Desta feita, assinalamos o regresso de Linda Martini João Só, e o novo single de Rossana.

BejaflorSean Riley & the SlowridersHause PlantsChinaskeeOs PunhaisRaquel MartinsConferência InfernoIguana GarciaOrelha Negra, Filipe KeilConstança Quitério são os outros nomes que se inserem numa das edições do À Escuta mais preenchidas de sempre.

Linda Martini regressam com a canção de intervenção ‘E Não Sobrou Ninguém

Um ano depois da cover de ‘Frágil‘, de Jorge Palma, – e três desde o último longa-duração – Linda Martini regressam comE Não Sobrou Ninguém‘. A letra, de autoria de André Henriques, é inspirada no poema do teólogo alemão Martin Niemöller (“First they came…”) sobre a ascensão do nazismo. Com este single, o quarteto formado por André, Cláudia Guerreiro, Hélio Morais e Pedro Geraldes pretende chamar atenção às injustiças e à discriminação sofrida por pessoas que não se encaixam nos padrões dominantes de etnia, orientação sexual, género, religião ou posição social.

E Não Sobrou Ninguém‘ mostra que a música e as artes são uma ferramenta indispensável na intervenção política. Esta canção de intervenção da nova geração junta-se ao debate sobre questões sociais cada vez relevantes e injustiças cuja denúncia é indispensável para o bem-estar democrático da sociedade. Gravada no mês passado nos Estúdios Namouche, em Lisboa, o single vem acompanhado de um videoclipe realizado por Ana Viotti.

Quem Diria‘, uma balada pelo punho de João Só

Quem Diria é o primeiro single de 2021 de João Só. A balada foi composta para a mulher, considerada pelo próprio como a sua maior inspiração: “Esta é uma carta de amor à minha mulher Mafalda, que me deu tudo o que eu mais queria, sem sequer sonhar que era possível. As minhas canções de agora são canções que têm a sua estreia sempre em casa, com o público mais exigente”, pode ler-se no comunicado à imprensa.

Em ‘Quem Diria‘, Só reflete sobre aquilo que uma vida a dois permite construir e que, por mais que se perca o rumo, acabamos sempre por nos encontrar no final, se procurarmos. A melodia suave e a letra doce promete acompanhar muitos dates de Dia dos Namorados.

Serotonin Romance‘ abre a temporada de Rossana

Um palco a fundo, tons de vermelho num ambiente escuro e um fumo que se alastra aos poucos. É esse o cenário que acompanha as primeiras teclas da groovy Serotonin Romance, vindas de um passado distante mas profundamente próximo. A voz incomparável de Rossana é pintada em tons quentes de instrumentais saídos de uma máquina do tempo. Os anos 70 tão presentes, o estilo Dusty Springfield no primeiro “ato” da canção indecifrável de tão bom; a mudança brusca de tom a partir da segunda parte da música que enuncia uma corrida contra o tempo, com guitarras renhidas e sincronizadas a dar o sprint final da canção, cujo tema se debruça sobre a dependência, física e mental, em medicação. Desde Melrose, o primeiro single lançado em 2019, que Rossana tem mostrado ao que vem: fazer música que arrebenta e apaixona, deixando sempre o desejo de ouvir mais.

Feias’, de Bejaflor, repensa a tradição

Feias é o novo single de Bejaflor, a “sequela” dos anteriores ‘Nanar‘ e ‘Naturalismo‘. Desta vez, deixa o shoegaze e o folk para trás e aposta numa abordagem mais tradicional, remontando às origens e à música popular portuguesa. Em ‘Feias‘, Bejaflor dá asas à ‘Marcha de Alfredo Marceneiro‘ ao incorporar na melodia um poema cantado e escrito por si.

A guitarra portuguesa, a letra revolucionária (“Feias são as mãos de quem trabalha/ Não deixes um arranhão deitar-te abaixo na batalha/ Feias são as atitudes que lá vêm/ Uns a dar do coração/ E ai deles que se queixem”) e o fado de outrora misturam-se com a tecnologia e o autotone, culminando numa belíssima homenagem moderna à música tradicional portuguesa.

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Hide‘ é uma amostra do novo disco de Sean Riley & The Slowriders

Após a edição de ‘EveryTime‘, primeira canção de antevisão do novo disco, com previsão para lançamento a 9 de abril, chega Hide, uma canção que foi uma “importante referência naquele que é o som e estética deste novo trabalho“. A situação desfavorável que vivemos desde o ano passado fez com que a banda tivesse de adiar o lançamento do novo álbum, mas fica este single para dar uma ideia geral daquilo que podemos esperar.

No visualizer, filmado por lowtiagohigh, pode observar-se, a partir de um avião em aterragem, a cidade de Lisboa, que vai ficando cada vez mais tangível à medida que a altitude vai diminuindo. Para além da nostalgia inerente à qualidade da imagem (quase que parece um vídeo em VHS), há ainda o tema da viagem e das saudades coletivas que todos temos de voar (ou da simples possibilidade). Na impossibilidade de o fazermos, por enquanto, temos estas canções como mediadores da viagem.

Hause Plants de regresso com ‘Visual Diaries

Visual Diaries é o primeiro single do EP de estreia do músico lisboeta Hause Plants, Film For Color Photos. O grão característico do post punk e a aura de devaneio da dream pop figuram como pano de fundo desta canção sobre “estar desligado, longe de tudo o que nos faz sentir como nós próprios“. O ritmo exultante de ‘Visual Diaries‘, acentuado pelo ritmo enérgico e os rodopios instrumentais, vem marcando a discografia de Hause Plants, que vem ganhando terreno desde que foi destacado como um dos Inéditos Vodafone.

A canção é acompanhada por um videoclipe DIY que combina na perfeição com a aura geral da música – um diário visual, formado por imagens caseiras que se sobrepõem umas às outras e formam um mosaico do dia-a-dia de Guilherme Correia, o nome por detrás de Hause Plants.

Popular‘, com Vaiapraia, é o último avanço para Bochechas, o novo disco de Chinaskee

Popular‘ é o último single antes da edição de Bochechas, o novo disco de Chinaskee. Conta com a participação de Vaiapraia que, no ano passado, editou 100% Carisma, um dos melhores discos do ano, com Filipe Sambado e Primeira Dama na produção.

Com a edição desta canção e de Bochechas, Chinaskee revela que o objetivo é “fazer canções a homenagear as guitarras e o rock, e deixar para trás os teclados e toda a psicadelia que definia a banda nos discos anteriores”. Chinaskee promete nova roupagem e assim, para além dos nomes acima referidos, conta ainda com Bia Maria, que participa na música ‘Edredom‘.

 O panque-roque está mais vivo do que nunca em ‘Sinal da Cruz Invertida‘ d’Os Punhais

João EleutérioGonçalo GonzagaTiago Cavaco Angie Silva são Os Punhais, e vieram mostrar, uma vez mais, que o panque-roque está mais vivo do que nunca. ‘Sinal da Cruz Invertida’ é “emoção, emo, emo”, um misto entre guitarras dos anos 90 e os sintetizadores dos oitenta, uma lição sobre as aparência e quão fácil é “passar da devoção para a desgraça“, passando a ser necessário o exorcismo da presença “de um anjo que inesperadamente se revelou verdadeira bruxa“.

Tal como a apresentação da banda demonstra, esta é mais uma canção com “subtileza zero“, mais um hino cujo punk rock vincado mostra aquilo que Os Punhais se propuseram a fazer: pequenas odes com letras cortantes e diretas ao ponto.

Unknown Path é o novo disco de Rope Walkers

Entre o racional e o emocional, entre o indie pop e o folk íntimo – é esta a corda bamba em que se equilibram os Rope Walkers. Carolina Costa Rui Ferraz lideram a composição e o processo de criação, que é depois complementado por João Sousa, Luís Candeias e Bruno Soares. A voz suave de Carolina acompanha todo o disco, e as sonoridades a ela adicionadas dão origem a um álbum delicioso, para ouvir à beira da janela num dia de chuva. Um ótimo companheiro para este fim de inverno, Unknown Paths rodopia entre géneros e emoções, mas é consistente e feliz na sua virtude.

Jazz, hip-hop e MPB encontram-se na Freedom de Raquel Martins

Raquel Martins cresceu sob o sol português, mas com 17 anos mudou-se para Londres para seguir uma carreira artística. Desde pequena que a música ocupou grande parte do seu tempo e ajudou a formá-la enquanto pessoa – cresceu a ouvir jazz e Música Popular Brasileira e, ao longo do tempo, começou a juntar o hip-hop e a R&B a estas duas paixões. O resultado desta mistura de sons e harmonias é o single Freedom‘, um tema reflexivo que deambula por questões de identidade pessoal, o nosso lugar no mundo e a importância da individualidade.

Ata Saturna é o primeiro longa-duração dos Conferência Inferno

Já está disponível Ata Saturna, o LP de estreia da banda portuense Conferência Inferno. “É quase uma coletânea de músicas que foram feitas ao longo de um ano” e que foram escritas em ocasiões diferentes – “depois é que fomos gravar”, conta Raul Mendiratta em entrevista à Cabine. Para além de disponível em todas as plataformas digitais, Ata Saturna foi editado ainda em vinil e K7 (que podem ser encomendados pelo Bandcamp da editora Lovers&Lollypops). A estreia deste disco também é adaptada aos tempos pandémicos: entre os dias 19 e 21 de fevereiro poder-se-á assistir à apresentação do disco na plataforma digital do Teatro Rivoli, no Porto.

Sintetizadores e teclas invasoras marcam as canções de Ata Saturna que “sintetiza uma figura robótica, mais consciente e senciente que os humanos seus contemporâneos“. Manuel Molarinho descreve a banda como um novo messias, “que traz novas niilistas em melodias simples e cativantes“. E qual letra mais atual do que “sinto-me ausente/ não consigo ser transparente/ destruo corpo e mente/ não há nada” e “já não há de faltar muito/ quero ter tudo de novo/ seria um prazer”.

Tarraxo do Animal Doméstico‘ é o novo single de Iguana Garcia

Durante a primeira fase de confinamento, ainda em 2020, Iguana Garcia lançava, nas redes sociais, uma música por dia. Tarraxo do Animal Doméstico surgiu precisamente nesse contexto, e é o single de antevisão do terceiro disco de originais, Ilha da Iguana. Neste tema, Iguana Garcia toma o ponto de vista de um animal doméstico que canta a sua condição à luz de tons psicadélicos e quentes. A canção é “de matriz africana mas verniz europeu‘ e, em conjunto com ‘Engrenagem‘, a segunda canção do single, permite-nos espreitar aquilo que virá a ser Ilha da Iguana: ao sabor das fortes correntes afro e tech house, dos ventos da disco e do pop, Iguana Garcia tenta descobrir o lugar da língua de Camões em tais latitudes“.

Rui Massena lança ‘A Song

O novo tema de Rui Massena, ‘A Song’ é mais uma antevisão do próximo EP, 20PERCEPTION, que será editado com o selo da Deutsche Grammophon. O primeiro cartão de visita deste novo EP revela a vertente mais reflexiva, atmosférica e interior da sua arte. O single será acompanhado por outras seis canções que, juntas, formarão vinte minutos “simbólicos” de música. Este tema instrumental, ao piano, mostra assertividade melódica e busca o abraço da intimidade através da exploração de diferentes timbres que formam uma harmonia coesa e ternurenta.

fromdusktilldawn‘ é o primeiro avanço do novo disco de David From Scotland

David From Scotland é um duo, formado por David Félix e Diogo Barbosa, que apresenta o primeiro avanço para o disco Hooligan’s Heart, com data de lançamento marcada para 5 de março. ‘fromdusktilldawn‘, produzido com a colaboração de Gil Jerónimo, é uma ode à aceitação da rotina que se estende do amanhecer ao crepúsculo, e um reconhecimento de que por trás da ansiedade e das angústias, a vida não para de correr no seu curso normal.

Constança Quinteiro estreia-se com ‘Miúda

O que tiver de ser vai acontecer” é a mensagem fulcral do tema de estreia de Constança Quinteiro, Miúda‘. Pop e bossa nova fundem-se nesta canção positiva e doce sobre procurar (ou encontrar sem procurar) o amor. “A Miúda é uma mensagem para a Constança do passado. Queria sossegá-la e, para isso, juntei a pop alternativa à bossa nova para levá-la numa viagem cósmica e mostrar-lhe que, no final, vai ficar tudo bem”, lê-se no comunicado de imprensa.

Este single prevê o primeiro EP da artista natural de Sesimbra, que refletirá, no fundo, a sua paixão pela música pop, pela lusofonia, pelo soul e R&B.

 

 

 

 

 

 

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