Livros
Fotografia: VisualHunt

Editores europeus pedem que Governo reabra as livrarias

A Federação Europeia de Editores (FEE) enviou, na terça-feira (2), uma carta ao Governo português, apelando que reconsidere o fecho das livrarias. Assim, a federação propõe que o Governo permita que as livreiras estejam legalmente abertas, tal como a maioria dos países europeus, ou, pelo menos, com venda ao postigo.

A carta Manter o livro acessível a todos e em todo o lado representa 29 associações de editores nacionais de livros. que pede que o Governo português reconsidere a sua decisão de fechar as livrarias. Na carta, a federação escreve:

Hoje, editores de toda a Europa pedem-lhe respeitosamente que reconsidere a sua posição relativamente à reabertura dos pontos de venda de livros em Portugal. Infelizmente, o setor do livro português já sofreu um declínio nas vendas de quase 20% em 2020, enquanto os mercados do livro na maioria dos grandes países europeus sofreram diminuições muito menos severas”.

Na opinião da FEE, “impedir os cidadãos portugueses de adquirirem livros nos pontos de venda que permanecem legalmente autorizados a abrir, num país que já sofre de falhas de leitura sistémicas, corre o risco de agravar o impacto económico no setor, ao mesmo tempo que põe desnecessariamente em perigo a diversidade cultural”.

Assim, a federação admite reconhecer que a “situação sanitária é dramática e que devem ser feitos todos os esforços para travar a propagação da Covid-19”, mas salienta as consequências para o setor livreiro, como cada vez menos livros publicados.

A FEE acrescenta ainda que “impedir os cidadãos de comprar livros onde quer que possam e permitir que apenas os canais ‘online’ operem num país onde as vendas de livros ‘online’ representam apenas 8 a 9% das vendas globais de livros é uma séria restrição ao acesso universal a um bem essencial”.

A situação das livrarias na Europa

De acordo com a FEE, os governos de outros países europeus forçados a fechar todos os pontos de venda não essenciais, “têm apoiado o setor do livro, por exemplo, injetando fundos para compras públicas massivas de livros, através de livrarias locais, para melhorar as coleções das bibliotecas públicas”.

No fim da carta, a FEE propõe, pelo menos, a venda ao postigo, ou seja, que o governo “permita às livrarias realizar vendas sem contacto, às suas portas, e que permita a venda de livros através de outras lojas que legalmente permanecem abertas”.

A situação em Portugal

Os dados da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) revelam que Portugal tem níveis de leitura inferiores aos da maioria dos países europeus, devido à quebra de venda de livros no confinamento do ano passado.

A FEE também salientou que se nada for feito “Portugal arrisca-se a assistir ao maior declínio de editores e livrarias desde 25 de Abril de 1974”.

Do mesmo modo, a APEL queixa-se das “ajudas absolutamente insignificantes”, face ao setor do livro em Portugal. Assim, compara o setor do livro ao setor da comunicação e da cultura, salientando que o primeiro recebeu 15 milhões de euros, enquanto o segundo recebeu 48 milhões. Na primeira fase da pandemia,  o setor livreiro e editorial recebeu 500 mil euros, sendo que agora só recebeu 600 mil.

Assim, a APEL diz que o Governo está a ter uma postura “proibitiva e censória“, fazendo alusão à venda ilegal que se verificou durante o Estado Novo.

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