Carey Mulligan e Ralph Fiennes em A Grande Escavação
Fotografia: Larry Horricks/Netflix © 2020

‘A Grande Escavação’: O que aconteceu mesmo em Sutton Hoo?

A nova produção da Netflix, Grande Escavação (em inglês, The Dig), estreou no dia 29 de janeiro e é uma adaptação cinematográfica de eventos reais. O drama histórico levou os espectadores à escavação arqueológica de Sutton Hoo, em Inglaterra, em 1938, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial.

Realizado por Simon Stone, o filme é baseado no livro homónimo de Jonh Preston. Afinal, o que é que aconteceu de facto em Sutton Hoo?

Quem foi Edith Pretty?

Carey Mulligan em A Grande Escavação
Carey Mulligan como Edith Pretty (Fotografia: Larry Horricks/Netflix © 2021)

Edith Pretty (Carey Mulligan) casou-se com Frank Pretty, militar, e juntos compraram a propriedade de Sutton Hoo, localizada no sul de Inglaterra, em 1926. Nove anos depois, Frank morreu e Edith continuou a viver fascinada pelo local, com um instinto de que havia algo especial escondido por de baixo dos seus pés. Segundo a National Geographic, Edith abordou o museu de Ipwich para começarem as escavações, em 1937. Foi assim que conheceu o arqueólogo Basil Brown (Ralph Fiennes), o principal responsável pelos trabalhos de escavação e descoberta do património, tal como o filme mostra.

O que foi encontrado no local?

Basil Brown e a sua equipa encontraram um navio anglo-saxónico de 27 metros, que serviu de sepultura. Nunca encontraram o corpo, afirma a National Geographic, mas foi enterrado com 263 objetos de grande valor, como armas, moedas e uma máscara que serviu de armadura. Segundo o National Trust do Reino Unido, os achados históricos datam do século VII d.c.

A Grande Escavação
Registo fotográfico da escavação

Para além dos Anglo-Saxónicos, alguns objetos pertencem ao Império Bizantino e Médio Oriente. De acordo com a National Geographic, o tesouro ajudou a “aprofundar o conhecimento dos investigadores sobre as trocas comerciais entre os Anglo-Saxónicos e o continente europeu“.

O British Museum descobriu que a espada encontrada foi usada na mão esquerda, ao contrário da maioria. Ser canhoto, afirmam, podia ser uma grande vantagem porque a maioria dos atacantes esperavam ofensivas do lado direito.

A quem pertenceu a sepultura?

Apesar da falta de registos escritos, os historiadores acreditam que a sepultura pertence aos Wuffingas, a dinastia real da Ânglia. A península da Ânglia foi o lar dos Anglos, povo germânico que viajou até ao norte de Inglaterra. O nome do país deriva deste mesmo povo.

Assim, a sepultura pode ter pertencido a “Rædwald, Rei da Ânglia, que morreu em 624 e cujo reinado coincide com a data do tesouro de Sutton Hoo“, afirma a National Geographic.

Sue Brunning, curadora no British Museum, adianta que enterros de navios não eram comuns entre os Anglo-Saxónicos, pela força extrema e recursos necessários. Para o efeito, o defunto teria de ser alguém de grande importância entre a comunidade, como um rei.

Máscara de guerra, parte importante do tesouro

Onde está o tesouro?

Antes de morrer, Edith Pretty doou o tesouro ao British Museum. Devido ao despontar da Segunda Guerra Mundial, o tesouro foi escondido no subsolo, protegido dos ataques aéreos da Alemanha nazi. Nove anos depois da morte, o tesouro foi exposto no British Museum, onde “mais pessoas o poderão ver”. Ainda hoje, o tesouro encontra-se numa sala do museu  em exposição permanente.

Embora tenham passado décadas até o nome de Basil Brown ter sido mencionado, a sua descoberta foi revolucionária: “A escavação de 1939 dirigida por Basil Brown e outros arqueólogos foi tão bem executada que os seus resultados transformaram o nosso conhecimento sobre este período histórico e as vidas e crenças das pessoas que viveram nessa altura“, refere Sue Brunning.

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