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'I May Destroy You' | Fotografia: HBO/Divulgação

Séries. Número de originais cai em 2020 devido à pandemia

Num ano de isolamento social, os hábitos de contenção estenderam-se às produções televisivas. Mesmo com crescimento sem precedentes para plataformas de streaming como a Netflix ou de recordes no consumo televisivo ao longo de 2020, o número de séries originais desceu pela primeira vez na última década.

Os dados foram revelados esta semana pela emissora FX, detida pela Disney e liderada por John Landgraf, que faz anualmente a contagem de séries originais a chegar aos canais generalistas, cabo e às plataformas de streaming.

Esta foi a primeira vez que o crescimento exponencial dos últimos dez anos foi quebrado, depois de atingido um número recorde em 2019. O total de produções rondou as 493 durante todo o ano – uma descida de 7% (32) face às 532 séries do ano anterior.

Pandemia como justificação para a descida

A principal causa para a ligeira baixa no número de produções deve-se às restrições impostas pela pandemia de Covid-19. Nos primeiros meses de isolamento, mais de uma centena de programas suspenderam gravações antes de se começarem a conhecer as adaptações necessárias para gravar em contexto de pandemia.

Se algumas séries retomaram gravações mais tarde, outras acabaram mesmo por concluir temporadas de forma antecipada; noutras situações, optaram por adiar gravações, que em casos tinham acabado de começar, para o ano seguinte. Em extremos, várias séries acabaram por ter mesmo o seu fim anunciado, por vezes quando já tinham sido renovadas (como aconteceu nos casos de The Society ou GLOW, por exemplo), devido a logísticas de gravação e a custos associados.

‘GLOW’ foi uma das séries renovadas e depois canceladas devido à pandemia. | Fotografia: Netflix/Divulgação

Apesar da descida, a diferença de 7% é justificada e são valores consideravelmente altos tendo em conta o cenário pandémico. Para se perceber a dimensão o crescimento explosivo dos últimos anos, que atingiu o pico em 2019 – que teria aumentado em 2020, não fosse a crise sanitária -, basta olhar primeiro para o número de 2009 e depois comparar com os valores dez anos depois: 210 séries produzidas versus 532 em 2019.

Até à chegada da era da Peak TV, os números de 2010, com 216 séries, eram apenas superiores aos de 2002 em 34 produções. Depois, só de 2010 para 2011, o crescimento correspondeu logo a 50 séries. Estes valores mostram a consistência da década passada, com uma produção para televisão em muito distinta à dos dias de hoje; e a rápida e cada vez maior alteração do cenário ao longo da que agora termina. Ao longo dos últimos anos, esta foi a evolução:

As perspetivas para 2021 continuam ainda incertas, devido à paisagem mutável da produção de novos conteúdos. As gigantes dos media apostam em sair a ganhar, com especial foco nas plataformas de streaming, cuja oferta parece ser cada vez maior. As maiores empresas a nível global têm agora este setor como um dos seus principais eixos, com a corrida pelas produções virais (que rendam milhares ou mesmo milhões) a liderar preocupações.

Se em 2020 estes SVoD (Subscription Video on Demand) conseguiram manter-se na ordem do dia com as produções já reservadas, o cenário para este ano parece estar sob controlo. Como exemplo, a Netflix – que lidera o segmento a nível global – já prometeu o lançamento de um filme por semana e centenas de novas séries; também a Disney+ tem na calha dezenas de originais planeados para lançar ao longo de 2021.

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