Legacies
Imagem: Legacies (HBO Portugal)

‘Legacies’. Terceira temporada continua a ser mais do mesmo

O dia 22 de janeiro marcou o regresso de Legacies, a série criada por Julie Plec que estreou em outubro de 2018 no The CW. Depois de duas temporadas de 16 episódios cada uma, os alunos da Salvatore Boarding School for the Young & Gifted estão de volta. Estes seres sobrenaturais (vampiros, bruxas, lobisomens e fadas) vêm dar continuidade à narrativa que surgiu em 2009 com The Vampire Diaries e, mais tarde, em 2013, com The Originals.

Legacies conta a história de Hope Mikaelson (Danielle Rose Russell), a primeira e única tríbrida (ao mesmo tempo vampira, bruxa e lobisomem) do universo TVD. Os episódios das temporadas passadas estão disponíveis na HBO Portugal, bem como o de estreia da terceira temporada. Todas as sextas-feiras sairá um novo episódio.

Para além de Danielle Rose Russell, o restante elenco principal está de volta também: Aria Shahghasemi (Landon Kirby), Kaylee Bryant (Josie Saltzman), Jenny Boyd (Lizzie Saltzman), Matt Davis (Alaric Saltzman), Quincy Fouse (Milton Greasley) e Peyton Alex Smith (Rafael Waithe).

Uma nova temporada ou um prolongamento da anterior?

A terceira temporada começa exatamente onde a anterior terminou. Não há saltos no tempo, apenas retomando a narrativa. Assim sendo, no início desta nova temporada, encontramos os jovens sobrenaturais a lidar com as consequências de praticar magia negra, principalmente Josie (Bryant), que foi consumida por esta energia negativa e, consequentemente, abdicou da sua magia durante uns tempos. Os comportamentos que teve enquanto estava possuída não foram esquecidos pelos seus colegas, que agora a ostracizam sempre que têm oportunidade. Lizzie (Boyd), a sua irmã gémea, tenta protegê-la, como sempre, vendo-se obrigada a recorrer à sua atitude de mean girl (de que tanto tem tentado abdicar) para colocar os outros “na ordem”.

Landon (Shahghasemi) continua morto quando Legacies retorna mas, como seria de esperar, esta situação não se mantém durante muito tempo. Raf (Smith) faz de tudo para trazer o irmão de volta, mas o mesmo não quer regressar e, sim, manter a sua situação – “para o bem de todos”. O facto de a sua amada, Hope (Russell), também continuar adormecida não ajuda. Assim, Hope passa a maior parte do episódio adormecida, e Landon num dilema entre voltar ou sacrificar-se.

Enquanto isto, a vida continua. O ponto mais positivo deste episódio de arranque foi o dia de jogos da Escola Salvatore. Cenas que apostam na dinâmica do grupo resultam sempre, porque juntam várias personagens e inovam. Infelizmente, foi sol de pouca dura, pois decidiram insistir na fórmula a que já nos têm acostumado, com um novo monstro a cada episódio. Desta vez, tivemos uma senhora do lago – boa – e um cavaleiro verde – mau -, que vêm fazer alusão à lenda da Excalibur, a espada do Rei Artur. Curiosamente, foi Raf o único que conseguiu empunhá-la – decisão narrativa que fica por esclarecer.

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O dia de jogos da Escola Salvatore foi sem dúvida o ponto alto do episódio, mas não foi suficiente para o salvar. (Imagem: Legacies / HBO Portugal)

Mais do que nunca, é urgente inovar

Esta estreia não agrada. A insistência em fazer de Josie a vítima e colocar Lizzie a apanhar os cacos, anulando-a e abdicando do protagonismo de uma das personagens que mais fazem a série valer a pena, em alimentar brigas cansativas, enredos ainda mais exaustivos e previsíveis, em atribuir destaque aleatório a certas personagens e, pior de tudo, em limitar Hope, aquela que deveria ser a personagem mais destemida (não fosse ela filha de Klaus Mikaelson), ao papel de uma adolescente perdidamente apaixonada, que fará tudo para salvar o seu amado, Landon. Não se compreende como, numa série do universo TVD, conhecido pelos seus shipps icónicos, se aposta num casal tão aborrecido. Onde está o amor épico de Delena? A paixão impossível de Klaroline?

Trazerem personagens antigas de volta parece ser o segredo para o sucesso. Isso, claro, se continuarem a recusar-se a dar uma volta de 180º na série. Quem cresceu com este universo e, hoje, está na casa dos 20, não conseguirá por muito mais tempo identificar-se com esta narrativa, para lá de adolescente – parece mais destinada a pré-adolescentes. A série peca por não apostar num caráter mais adulto e sombrio, em diálogos mais ricos e personagens mais interessantes. Não é com monstros ridículos que lá vai, nem com uma narrativa que anda às voltas, sem sair do sítio.

Apesar das esperanças que se possa ter para esta temporada, se continuar como começou, ela irá desiludir. Só fãs do universo TVD é que, provavelmente, ainda não desistiram e, ainda assim, continuam a ver, nem que seja por serem, de vez em quando, presenteados com uma cara conhecida ou uma referência familiar para os fãs mais antigos. Legacies tinha tudo para conseguir uma estreia forte e que nos colasse ao ecrã mas, em vez disso, optaram por arrastar a história cansativa que herda da temporada passada. É urgente que percebam o que funciona – personagens antigas, amores épicos, e novas caras com boas dinâmicas, como Maya e Sebastian – e o que não funciona, pois arriscam-se a matar a esperança até do fã mais convicto que é quem, por agora, dá audiências à série. Mas tal não será suficiente para impedir o seu cancelamento se continuar por este caminho.

 

 

 

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