Presidenciais, fila do voto antecipado em Lisboa
Presidenciais 2021 (Fotografia: Sara Roberto / EF)

Presidenciais 2021. O dia do voto em imagens de todo o país

As eleições presidenciais permitiram uma pausa curta no confinamento que atualmente vigora em Portugal, levando milhões de cidadãos a sair de casa para exercer o seu direito e dever cívico de voto.

Assim, e embora a abstenção tenha estado na casa dos 60,5%, muitos foram aqueles que abandonaram o conforto dos seus lares e saíram à rua. O Espalha-Factos esteve presente em várias cidades a acompanhar e a fotografar algumas zonas de voto um pouco por todo o país.

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As eleições em Braga

Na cidade de Braga, quem votou parece ter cumprido as normas de distanciamento físico, quer dentro do local de voto, quer na fila exterior à porta do Liceu Nacional de Sá de Miranda. Para além disso, à porta do liceu foram avistadas pessoas das mais variadas faixas etárias.

Quando inquiridos acerca da organização e do cumprimento das diretrizes higiénicas da Direção Geral de Saúde (DGS), relativas à contenção da Covid-19, os votantes manifestaram o seu agrado visto que consideraram que as mesmas estavam a ser cumpridas.

Muitos votantes realçaram também a importância destas Presidenciais 2021, principalmente neste contexto pandémico, que não deve ser impeditivo, por receio de contágio (já que as normas foram efetivamente cumpridas a fim de garantir a segurança de todos), mas que, pelo contrário, deve atribuir uma maior relevância a estas eleições de 2021.

As eleições em Famalicão

Os famalicenses não ficaram em casa. Apesar de a cidade continuar calma e silenciosa, pelas 16h, já mais de metade dos eleitores se tinha dirigido às urnas.

Dos (1)8 aos 80, havia quem aproveitasse para também dar um passeio. De máscara na cara e desinfetante na mão, pode-se dizer que foi quase um dia de desconfinamento.

A calma e o silêncio passaram o testemunho ao movimento e ao barulho à medida que nos aproximamos da Escola Básica Conde S. Cosme – mais conhecida por “Sede número um”–, o local de voto dos famalicenses.

Duarte Lacerda, de 26 anos, “munido” com uma caneta e um desinfetante, conta-nos que o seu voto foi muito tranquilo: “Entrei, tinha três pessoas à minha frente, votei e vim-me embora sem problema nenhum.

Álcool-gel e caneta própria foram acessórios fundamentais em dia de Presidenciais 2021
Fotografia: Inês Lacerda/Espalha-Factos

Para Duarte, os debates na televisão tiveram um papel importante na sua decisão. Apesar de não terem sido a sua única fonte de informação, diz-nos que: “Houve candidatos com uma prestação acima das minhas expectativas e outros que estiveram abaixo e, apesar de o nosso sistema só permitir pôr uma “cruzinha”, eu acabei esta campanha das eleições presidenciais com uma ideia diferente de vários candidatos face àquela que tinha antes dos debates”.

Margarida Bezerra, de 20 anos, conta-nos que não teve oportunidade de ver muitos debates por serem numa altura de exames e trabalhos da faculdade. Apesar do mau timing, ainda conseguiu ver três, que acabaram por ser decisivos: “Achei que foram esclarecedores ao ponto de saber em quem não votar, porque vi coisas que não gostei. Não votei em nenhum candidato que vi a debater.

Para além disso, a Margarida também ficou feliz com a quantidade de jovens que viu a participar nas Presidenciais 2021: “Estive numa fila de apenas cinco minutos e nesse tempo vi muitos jovens. Acho que isto vai começar a mudar e abstenção nos jovens vai ser menor, o que me deixa feliz.

As eleições em Viana do Castelo

Em Viana do Castelo, o dia 24 de janeiro foi um típico dia de Inverno no litoral norte do país, chuvoso e húmido. No entanto, o confinamento e as condições atmosféricas que se fizeram sentir não pareceram constituir um obstáculo à exerção do direito de voto.

Perto das 13 horas, quando se esperaria que a fila de voto fosse mais pequena por ser hora de almoço, o número de pessoas em frente a uma escola de Viana do Castelo para votar nas Presidenciais 2021 atingia o seu máximo.

A explicação é simples: visto que nos encontramos em plena terceira vaga da pandemia, os cidadãos optaram por votar nas horas que pensaram ser mais calmas e menos concorridas, no entanto, e porque vários cidadãos seguiram a mesma linha de pensamento, a fila em plena hora de almoço era maior do que o expectável.

Muitos foram aqueles que, preparados para votar, com a sua caneta numa mão e o álcool gel na outra, se deparam com uma fila inesperada e se demonstraram surpreendidos com a existência de fila de voto naquela hora. No entanto, rapidamente se aperceberam que o tempo de espera era menos de cinco minutos.

As eleições em Arcos de Valdevez

Em Arcos de Valdevez praticamente não se observou nenhuma formação de filas longas. Num domingo chuvoso, confinado e de céu cinzento, as ruas encontravam-se quase desertas.

Junto à sala de votações, ainda no exterior, há conversas entre dois ou três amigos, de idade adulta, e ouve-se alguém em tom de piada “Deixa-me ir votar, então não sabes que sou de extrema- direita?”.

Com os procedimentos eleitorais habituais – para além da máscara, gel desinfetante e uso da própria caneta – pouca diferença se sente dentro da sala. A mais forte mudança de atmosfera faz-se sentir nas ruas.

Liliana Sousa, de 20 anos, conta-nos a sua experiência enquanto membro de uma mesa de voto das Presidenciais 2021 no concelho de Arcos de Valdevez – “Senti-me segura e acho que foi ainda mais seguro para quem apareceu, até porque, na verdade, em nenhum momento se chegou a formar fila. Nesta freguesia existem 314 eleitores e apenas 104 vieram votar. A nós, membros da mesa, acho que podiam ter fornecido testes rápidos como aconteceu em muitas juntas de freguesia, bem como colocar proteções de acrílico entre cada um, de forma a contribuir para a nossa segurança pessoal.

Da mesma localidade, Maria de Fátima, de 55 anos, diz-nos: “Eu fui votar, mas infelizmente não consegui, devido a uma complicação burocrática. Ou felizmente, porque me sentia completamente indecisa para fazer a minha escolha. A Democracia precisa, mais do que nunca, de eleitores participativos. Nas próximas eleições não falharei. Mais do que medo da pandemia, receio pelo nosso Estado Democrático.

O dia do voto antecipado

Em Lisboa, a Alameda da Cidade Universitária está repleta de longas filas. É domingo, dia 17 de janeiro, e o relógio marca o meio dia. Milhares de portugueses acorreram às urnas, sete dias antes das Presidenciais 2021, para exercerem o seu direito ao voto. O voto antecipado em mobilidade de 2021 fica, assim, para a história como o voto antecipado com mais afluência de sempre, batendo todos os recordes, com quase 200 mil votantes.

As interações com os eleitores revelam os motivos de tamanha afluência, sendo que para muitos foi uma estreia. O contexto da pandemia parece liderar a lista de razões que justificam este voto em mobilidade. Muitos dos eleitores pretendiam evitar os ajuntamentos de dia 24, acabando com as expectativas defraudadas.

Queria evitar os ajuntamentos. Não fui bem-sucedida!

No entanto, para muitos outros, trabalhadores e estudantes deslocados das suas autarquias, foi a solução mais prática, evitando viajar pelo país em tempos de isolamento. Por mais diversos que fossem os motivos para votar no dia 17, o denominador comum acabou por ser sempre a Covid-19.

Estou cá hoje, porque para a semana irei fazer parte de um projeto que dá apoio aos lares, afetados pelo vírus.

A conjuntura política atual foi também um ponto que surgiu em conversa com os eleitores. Muitos consideraram estas eleições urgentes e de voto obrigatório.

A nossa voz tem de ser ouvida!

Apesar da afluência massiva e das grandes filas, as regras de higiene e segurança foram cumpridas. O voto antecipado de dia 17 terminou, assim, sem grandes incidentes, tendo sido bem-sucedido.

Fotorreportagem: Carolina Viana (coordenação), Hugo Garrido, Inês Lacerda, Maria Antónia Dale e Sara Roberto. 

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